Fim de Semana Cultural:
Filho Deficiente Mental (poesia) – Por Marcone Melo

Se um dia chegar em teu lar
Reencarnar
Aquele espírito necessitado
Desorganizado

Não deixes de lado
Tuas mãos amigas
Para curar as feridas
De outras vidas

Agarra a oportunidade
Que o amor não tarde
Ele pede por ti
De sair das trevas

Pois a vida é eterna
E quando se tem amor
É luz, é esplendor
Que alivia a dor

De um deficiente mental
Que escolheu e vós concedeste
A ele ser teu filho
No caminho para Deus

Marcone Melo – É poeta vitoriense.

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Fim de Semana Cultural:
Misturas (poema) – Por Egidio T. Correia

Misturamos e trocamos
As salivas em cada beijo.
Comemo-nos e saciamo-nos
No vil desejo.
Somos cúmplices caprichosos
Morrendo e renascendo em cada beijo.
Se é justo, sagrado ou profano,
Impróprio, imoral ou sacrilégio.
Atire a primeira pedra
O puritano.
Entre culpas, remorsos e desatinos,
Não sou homem adulto ou menino.
Julgamentos precisos ou imprecisos
Que se façam.
Se o sabor da vida é criminoso
Sou réu confesso e condenado,
Perante as correntes e amarras do destino
vivo acorrentado.

Egidio T. Correia é poeta,
membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência

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Fim de Semana Cultural:
Crepúsculo em Vitória (Fotografia)
Por Arquiles Petrus

Foto: Crepúsculo em Vitória (clique na foto para ampliar).
Clicada em 06 de Setembro de 2012 – 17h16 por Arquiles Petrus.
Ponto de visão: Praça Leão Coroado, em direção ao Livramento.
ISO 100 – Obturador: 1/1000 seg  – Diafragma: F42 – 34 mm

Foto: Crepúsculo em Vitória (2) (clique na foto para ampliar).
Clicada em 06 de Setembro de 2012 – 17h12 por Arquiles Petrus.
Ponto de visão: Praça Leão Coroado, em direção ao Livramento.
ISO 100 – Obturador: 1/500 seg  – Diafragma: F41 – 34 mm.

Arquiles Petrus – Escritor vitoriense, membro da
Academia Vitoriense de Letras.

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Fim de Semana Cultural:
VACINAS (poema) – Por Egidio T. Correia

Tem vacina contra o sarampo
Mas não tem contra a vaidade
Ao contrário até se ensina
Dizendo ser qualidade.
Tem remédios pra várias doenças
Não tem contra a falsidade.
Cirurgia que extrai o câncer
Mas não a frivolidade.
Tem escolas pra quase tudo
Primárias, técnicas e faculdades
Mas nenhuma delas forma
Um doutor em caridade.
Tem blindagem que blindam carros
Mas não blinda ninguém da língua de um covarde.
Tem dinheiro pra futebol,
Fórmula “1”, shows e futilidades.
Não tem pra matar a fome
De quem passa necessidades.
Políticos legislam leis com muita facilidade
Mas a política é carente de melhor dignidade.
Religiões que pregam amor, paz e fraternidade
Mas nenhuma liberta o mundo
Das guerras e da crueldade.
É que o homem melhora tudo
Carros, telefone, avião, fabrica facilidades.
Mas o homem não melhora a sua própria maldade.

Egidio T. Correia é poeta,
membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência

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Fim de Semana Cultural:
Nesse café refifence (poesia) – Por Rildo de Deus

No tempo que eu era elfo
e não sentia cheiro da morte,
comia flor e semente,
nozes, muitas nozes

Bebia néctar nas flores,
vivia na luz do sol
QUENTE

Topei certa vez com uma vampiro
Que me achou pelo rastro
de meu sangue ardente

Bebeu-me a vida
Depois limpou a boca
como se limpa precedendo a lapada
do quartinho de aguardente

Gula vampiresca,
estupidez de ignorantes
No meu corpo só corria ambrosia
Comida de deuses

Ela caiu envenenada
Melhor que tivesse me engolido,
como fazem com os bois,
as serpentes.

Fomos amaldiçoados,
mesmo assim, eu inocente
Aqueles dente afiado
me tirou o sangue ardente

Já era, eu imortal,
elfo só tem precedente
Vampiro é tipo fino
Pena que come gente

Entre os vampiros
me considerarão pária.
Entre os elfos
eu caminhava pueril.

Era um ser do dia,
beijava girassóis,
Imortal, ser como um rio,
Pincel, pincéis, rouxinóis

Considerado entre eles
não é o que foi transformado
Mas, o que se tornou, por si;
Nobre, bonito, inteligente

A primeira noite que passei acordado,
foi por causa que me cresciam os dentes;
caninos felinos,
Unicúspides, alvo, crescentes

Grito, pro sol quando ele nasce:
Não me mate!
Me salve! Me salve! Me Salve!

Mãe foi quem desceu
logo, seu nome é Aurora
Só olhava e dizia:
Se afaste!, se afaste!, afaste!

Tu eis filho meu,
por Eu eis amado
Você agora é notívago
do escuro faça seu reinado

Nas trevas tem luz,
você precisa encontrar
Espelho não tem, ali não procure
Primário e secundário, reflexo você já perdeu

Seja feliz meu filho,
todo mudou e você cresceu
Agora eis vampiro
Vá embora, vá embora
Já amanheceu.

Rildo de Deus é Escritor e Estudante de Filosofia da UFPE

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Fim de Semana Cultural:
Nuvem Mórbida (conto) – por Arquiles Petrus

Os sinos tocam, uma leve ventania fazia um dos senhores segurar o seu chapéu, enquanto um dedo enrugado deslizava entre as peças de damas. Ele sentou e esperou. Observava atentamente a escadaria da igreja, as beatas desciam em pequenos passos, as crianças começavam a correr de um lado para o outro ao som da Ave-Maria que saia dos alto-falantes. Pombos circulavam do outro lado da praça, talvez, esperando um daqueles senhores sacudirem os grãos ao chão.

Ele não conseguia parar de olhar os senhores do tabuleiro; apesar de estar ali esperando há mais de trinta minutos, ele continuava com o seu sorriso de quem estivesse passando por uma experiência talvez única.

O carro parou e buzinou. Aquele barulho havia chamado a atenção de todos, inclusive dos pombos, que ao buzinar do automóvel, voaram em direção aos braços do Cristo crucificado. Você não vem? Perguntou a garota, da porta do carro.

Acertaram o encontro na tarde anterior. A mesa era estreita, mas chegava a caber diversas canetas e lapiseiras além de grossos livros de história e cadernos que se revezavam entre eles tentando um descobrir como o outro respondeu aquela questão. Mário – interrompeu ela – você já foi num asilo? Ele achou um pouco estranha aquela pergunta; o que havia o asilo com a história? Não… acho que não, por quê? Ela fechou os livros e explicou ainda com a lapiseira na mão que seus pais visitavam, sempre aos domingos, um lar de idosos perto da chácara da família. Após diversas tentativas, ele acabou cedendo.

Eram dois galpões divididos por um salão principal; na entrada um senhor trabalhava em um modesto jardim repleto de acácias; ele, assim que avistou os visitantes logo abriu um sorriso e acenou. O carro acabou parando perto da lavanderia, que ficava um pouco depois das acácias.

No salão principal, dezenas de senhores e senhoras batiam palmas em um belo louvor, enquanto outros apenas cochilavam, sentados em um dos sofás avermelhados espalhados pelo salão. Por um momento pensou em voltar para o carro e esperar que sua amiga voltasse com seus pais, mas ele era um jovem curioso. Logo entrou em um dos cômodos do primeiro galpão e apesar de ter demorado um pouco, logo se habituou.

Mas foi no quarto de número sete, que ele conheceu dona Tonha; ele sempre ficava com algum receio ao conversar com ela, mas ela era sempre comunicativa, falava de tudo: sua cidade, a santíssima e a casinha que tinha. Chorava quando falava de seus filhos. Mas logo mudava de assunto, falava da época da ditadura, lembrava do cadastro que havia feito com os comunistas. Nome? Antônia Maria Dolores. Filhos? Três. José Joaquim, José Manoel e José Severino. Fotos? E ela entregava as fotos 3×4 de cada um. Com o sentido que em uma semana chegaria os prometidos. E chegava; nas cestas vinham a cada quinze dias: arroz, feijão e batatas. Um quilo de cada.

Contou que cozinhava um pouco de cada coisa, sempre a cada quatro dias, economizava fervorosamente o santo alimento dos comunistas, mas como tudo chega a um fim. Ela chorou.

Falou da ajuda que recebia dos Bezerra da Silva; deixava os filhos em casa, todos chorando com fome: haviam passado mais de três noites sem comer nada. Chegava no armazém do Chico Bezerra por volta das quatro da madrugada. Ele quando a via, já pegava uma sacola de plástico e colocava um punhado de cada um dos cinco sacos de farinha. E ela corria para casa, fazia uma mistura de sal, água e farinha e cinco minutos depois estava todo mundo feliz, de barriga cheia.

A afinidade era tanta entre Mário e ela, que ele começou a visitá-la todas as tardes de domingo. Ficavam horas conversando e comendo pedaços de bolo (de mandioca) que ela adorava.

No quarto, de uma pequena escrivaninha ela tirava seus talheres e um prato, nunca comia em outros, sempre só nos seus. Ele sempre reparava nesses pequenos detalhes que faziam parte do cotidiano dela. Em cima da escrivaninha ela sempre acendia uma vela, e por volta de cinco minutos de seu jovem amigo chegar orava, pedindo forças e saúde ao seu novo neto.

Ele completou quinze anos, começou a trabalhar em uma obra perto de casa. Era quinta-feira da paixão, correu até lá para contar a ela sobre o seu primeiro emprego. Foi a pé. Passou pela avenida e pelas ruas do centro às pressas. A felicidade era tamanha que ele chorava de tanta alegria.

Ele murchou; sentia como se estivesse passando por uma estranha nuvem mórbida, sentiu seu coração arder ao ver uma estranha movimentação no salão principal. O que está havendo? Perguntou assustado.

O choque foi tão grande, que tudo escureceu. Bamboleou e quase caiu perto do caixão.

 

*Conto integrante do livro Cataclismo, Editora Baraúna, 2005.

Arquiles Petrus – Escritor vitoriense, membro da
Academia Vitoriense de Letras.

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Fim de Semana Cultural:
Rodopio (poesia) – Por Valdinete Moura

Na roda da vida
eu danço gigante
querendo encontrar.

Quem dera ser ave
com ossos e asas
podendo voar.

Quem sabe sereia
pele e escamas
pra te namorar?

Ou então pensamento
de luz ou saudade
e muito sonhar.

Melhor ser eu mesma
com nervos e alma
tentando acertar.

Valdinete Moura é escritora,
membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência

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Fim de Semana Cultural: Flores (Poema)
Por Rosângela Martins – Foto por Marcus Prado

Gomo a gomo delicadamente sobrepostos com a perfeição e a paciência de mãos divinas.
Assim são as flores.

A noite empresta o azul do céu para mostrar outras estrelas, bem mais próximas, também capazes de brilhar.
São as flores.

Mas nem todas as luzes conseguem desvendar os seus mistérios, as suas nuances…
As flores!!!

Que segredos ainda esconde?
Flores.

Poema de Rosângela Martins, inspirado na belíssima foto de Marcus Prado.

Fim de Semana Cultural:
O Sentido da Dor (poema) – por Elmo Freitas

O Sentido da Dor

Hoje eu tive a leve sensação de flutuar…

Tranquei-me em meu quarto e quando pensei
Que não suportaria a dor
que sobre caía em minha cabeça:
Adormeci…

Depois, não lembro muita coisa,
apenas um entorpecimento possuindo
minhas entranhas e elevando-se pela alma.
Eu não sabia que estava acontecendo, mas tinha a certeza de que
não estava morto, pelo contrário, sentia como se uma semente
de energia e vida brotasse dentro de mim.

Jamais havia sentido tamanho êxtase…

Contudo, o período de dor e inferno que vivi,
me levou a compreender uma coisa:
O sentido da dor.
Sim! Agora eu posso entendê-la. Sei qual a sua essência,
sua primazia e o seu…. O seu tormento.

Sei que ela virá novamente, mas antes…
Quero viver,
Porque é pelo peso da montanha que se mede o tamanho do inferno.

Elmo Freitas – Poeta do “Os Confundidos”

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Fim de Semana Cultural:
Poética – Por Marcelo De Marco

Passeio por dentro do sono
provo dos pomos
negaceio sonhos
ando por fora da ala-
meda
e de vez em quando erro
invertendo os elos
das lexias tônicas
dizendo: ala-meta!
Aparo arestas e recomponho
a letra
pulo
e ponho palavras sem
alcance
deliro ao lance
perfume extenso da orquídea.

Oh, por favor me digam
qual foi o anjo-esperma suicida
que agradou tanto um óvulo-olfato
e foi para um mesmo alvéolo
potássio, fosfato, curva e linha;
sobrevoou tipo… abelha-rainha
polinizando lua-de-mel no deserto
e em pleno sol fotossintético
fez vôos léxicos no prosaico ar.

Marcelo de Marco é escritor, poeta e professor.
Poesia extraída de seu blog.

Fim de Semana Cultural:
Soneto Sem Essência (Soneto) – Por Ubirajara Carneiro da Cunha

Ao ser que se oculta atrás da porta,
Jamais aberta a venda de passagem,
Da linguagem em que a verdade aborta,
Não busques se não estás na outra margem.

Do rio em cada curva detém o seu curso
Para embarcar os incautos candidatos ao ideal,
Que, não disponho nem de bússula e um recurso,
Desesperam com as absurdas respostas do real.

Pois o dia cruel e inclemente te espera
Com a luz bastarda e órfã da essência
Para fazer dos teus sonhos uma quimera.

Daí recolher-me a tudo que acena
Apenas com as rudes mãos da existência,
Pois, sem ser, o ser não vale a pena.

Ubirajara Carneiro da Cunha é Advogado, poeta e escritor vitoriense.

Fim de Semana Cultural:
Filho Deficiente Mental (poesia) – Por Marcone Melo

Se um dia chegar em teu lar
Reencarnar
Aquele espírito necessitado
Desorganizado

Não deixes de lado
Tuas mãos amigas
Para curar as feridas
De outras vidas

Agarra a oportunidade
Que o amor não tarde
Ele pede por ti
De sair das trevas

Pois a vida é eterna
E quando se tem amor
É luz, é esplendor
Que alivia a dor

De um deficiente mental
Que escolheu e vós concedeste
A ele ser teu filho
No caminho para Deus

Marcone Melo – É poeta vitoriense.

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Fim de Semana Cultural:
Soneto ao meu avô Severino (poesia) – por Darlan Delage

Soneto ao meu avô Severino

Caiu em tuas dores uma mortalha preta.
Caiu e te levantou em noite sexta.
O alivio de tuas dores sobre a solidão
Te fez liberto de um tortuoso colchão.

Caiu contigo a ponte do meu destino
Mas tua base rígida manteve-se erguida.
Foi boa, ao teu lado, minha infância vivida.
Hoje, em dia triste te vejo Severino.

Foi seguido em cortejo, por familiares e amigos
E eu a carregar meus pesados dissabores.
No caminho ao São Sebastião

E hoje sigo teu caixão, num cortejo sem flores.
Na infância me carregaste no colo como filho
Hoje fui eu seu neto-coveiro, um dos que te carregaram.

Darlan Delage – Poeta “Os Confundidos”.

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Fim de Semana Cultural:
Conto sem título – Por Rildo de Deus

Era fim de tarde e não importa que horas os relógios mostrassem. Pessoas caminhavam pela Rua de Dona Nina. Por baixo do arco chamado Sinal de Trânsito com a luz vermelha acesa um grande ônibus-sanfona obedecia ao sinal. Tudo tranquilo até que em meio ao mormaço da várzea e das buzinas dos carros, vem pela contramão uma carroça carregada de capim e dois rapazes negros com os cabelos amarelos (era época de carnaval). A mula vinha na frente. Charmosa e desajeitada (faltava-lhe sangue-azul). Galopava ao ritmo peculiar das mulas quando a ferradura lhe escapa da pata. Rola, pula pelo asfalto e soltando faísca faz um barulho parecido com uma das saudações a São Jorge “Ògún ieé!” Havia um rapaz participando dessa cena quando ela era viva. E não sei por qual motivo ele resolveu fazer o que fez. Esperou uma boa oportunidade, foi para o meio da estrada e pegou a ferradura. Jogou-a para cima estava morna recém-tirada do asfalto quente. Uma voz feminina perguntou: – Tu vai fazer o que com isso menino? – Por no meu pé. Respondeu o rapaz. – Você é delicadozinho né? Macumbeiro!

Continua…

Já era noite e havia um adolescente sujo, fedendo a grude sentando na calçada de um prédio enorme, batia com um martelo numa bigorna fazendo o clássico som de um ferreiro. Alguém o chama atenção: – Tenho um presente para você! – ¿Un regalo para mí? – Sim, é uma ferradura. – ¿Qué es una “Ferradura”? O rapaz abriu a mochila, tirou uma ferradura arranhada e brilhando como faca. O estrangeiro sorriu e pareceu muito contente por ter recebido um “regalo” como aquele. Tão inesperado e meio clichê. Recebeu grato e educadamente disse: – Lo haré con el arte.

Despediram-se e o ferreiro voltou a trabalhar.

Houve um sonho. Painel sonhou com um Orixá: Ogum! Pedindo que limpassem todas as ferramentas da casa. Pois iria a parecer em breve. O Pai de Santo falou com os Filhos da Casa mais presentes no outro dia logo cedo para que adiantassem tudo. Colherem pimenta, limparem os portões colocando óleo… Enfim, tudo foi feito e no meio de uma noite de sábado quando a Lua estava o mais próximo da terra que chegou nus últimos anos choveram Ferraduras iluminadas de prata e chocolate branco onde houvessem pessoas vendo a lua cheia.

Rildo de Deus é Escritor e Estudante de Filosofia da UFPE

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Fim de Semana Cultural:
Palavras (poema) – Por Elmo Freitas

Palavras…
Palavras não são aglomerados de letras.
Palavras são ataques e defesas, vozes e ouvidos.
Palavras transformam luzes em sombras;
Sombras em Luzes.
Palavras são venenos
palavras são antídotos.
Palavras encontram o que foram perdidos
e perdem o que foram encontrados
Palavras não valem nada
palavras valem tudo
Palavras…Palavras buscam palavras

Palavras que enfurecem
Palavras que confortam
Palavras que envelhecem
Palavras que vivem
Palavras que matamPalavras…

Elmo Freitas – Poeta do “Os Confundidos”

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Misturas (poema) – Por Egidio T. Correia

Misturamos e trocamos
As salivas em cada beijo.
Comemo-nos e saciamo-nos
No vil desejo.
Somos cúmplices caprichosos
Morrendo e renascendo em cada beijo.
Se é justo, sagrado ou profano,
Impróprio, imoral ou sacrilégio.
Atire a primeira pedra
O puritano.
Entre culpas, remorsos e desatinos,
Não sou homem adulto ou menino.
Julgamentos precisos ou imprecisos
Que se façam.
Se o sabor da vida é criminoso
Sou réu confesso e condenado,
Perante as correntes e amarras do destino
vivo acorrentado.

Egidio T. Correia é poeta,
membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência

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Fim de Semana Cultural:
Rodopio (poesia) – Por Valdinete Moura

Na roda da vida
eu danço gigante
querendo encontrar.

Quem dera ser ave
com ossos e asas
podendo voar.

Quem sabe sereia
pele e escamas
pra te namorar?

Ou então pensamento
de luz ou saudade
e muito sonhar.

Melhor ser eu mesma
com nervos e alma
tentando acertar.

Valdinete Moura é escritora,
membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência

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Fim de Semana Cultural:
Poética – Por Marcelo De Marco

Passeio por dentro do sono
provo dos pomos
negaceio sonhos
ando por fora da ala-
meda
e de vez em quando erro
invertendo os elos
das lexias tônicas
dizendo: ala-meta!
Aparo arestas e recomponho
a letra
pulo
e ponho palavras sem
alcance
deliro ao lance
perfume extenso da orquídea.

Oh, por favor me digam
qual foi o anjo-esperma suicida
que agradou tanto um óvulo-olfato
e foi para um mesmo alvéolo
potássio, fosfato, curva e linha;
sobrevoou tipo… abelha-rainha
polinizando lua-de-mel no deserto
e em pleno sol fotossintético
fez vôos léxicos no prosaico ar.

Marcelo de Marco é escritor, poeta e professor.
Poesia extraída de seu blog.