Momento Cultural: OFÉLIA E O SILÊNCIO – por Marcus Prado

tadeu

A noite desce
inesperadamente
até às raízes do que somos:
Ofélia louca a cantarolar estranhezas
nos claustros da alma.
Às vezes senta-se,
senta-se devagar, com medo
dos monstros que devoram flores
e esconde-se no silêncio.

Há náufragos nos pântanos de Ofélia, o fantasma,
Gritam crianças nos jardins de Ofélia, o fantasma.
Ofélia desce, desliza, esvoaça, afunda-se,
Devora-nos nas raízes:
Ofélia a noite
Ofélia a solidão
Ofélia a louca
que esqueceu a grinaldo de sóis
no âmago dos homens.

(Literatura e Arte, boletim da S.A.C.V – junho/65 – Ano 1, nº 1)

Marcus Antonio do Prado, nascido na Vitória crítico literário dos mais expressivos, responsável pela página literária do “Diário de Pernambuco”.

Momento Cultural: TUAS MÃOS… – Por Júlio Siqueira

O TEMPO VOA - Júlio discursa na praça Diogo de Braga, por ocasião de uma solenidade comemorativa à fundação da cidade - do livro Júlio Siqueira Sinopse biográfica - Pedro Ferrer

Tuas mãos!…
Ah!… tuas mãos são somente tuas?
Tuas mãos…

parece que estão vazias,
e que estão nuas!…

Tuas mãos não pertencem somente a ti.
Elas são, também, de teus irmãos
(ricos e pobres)
que precisam do teu afago,
… de um gesto de coragem!

Elas servem para cavar a terra
arrancando a riqueza que ela encerra;
– para levar, adiante, o arado
e sustentar a alavanca, o machado,
o guindaste
para trabalhar por todos.

Tuas mãos são do mundo…
Tuas mãos não são somente tuas,
porque todos somos irmãos
e, sobre todos, elas flutuam…

Elas também pertencem ao próximo
que espera de ti o teu trabalho
para salvá-lo da fome, das agruras,
das dores d’alma. Elas são orvalho
para a seara dos que esperam…

Aproveita o instante que passa
e junta tuas mãos para distribuir o bem:
– para consolar o que sofre,
– enxugar a lágrima do que chora,
– acariciar a criancinha inocente,
– confortar o que está desesperado,
– confortar o desenganado,
a agradecer a Deus as bênçãos que recebes!

Faze de tuas mãos um instrumento do Senhor,
unindo-os para o bem, e terás como penhor
a imensa felicidade de te saberes útil!

Júlio Augusto de Siqueira, vitoriense, nascido a 19 de março de 1920. Filho de Elvira e Joaquim Augusto de Siqueira. Estudou no “Colégio Santo Antão” e na “Academia de Comércio da Vitória”, não concluindo, porém, o curso comercial. Desde cedo começou a escrever na imprensa local, e posteriormente, na do Recife O DIA, JORNAL PEQUENO e, acidentalmente, no DIÁRIO DE PERNAMBUCO. Vérseja acidentalmente. Jornalista e orador.

Momento Cultural: LÁGRIMAS DE ORVALHO – por Adjane Dutra

Adjane Dutra

Busco-te na amplitude da noite.
Busco-te, e nessa busca orvalhados
são os meus olhos à procura do orvalho da paixão.
Busco-te mais que toda amplidão.
Lágrimas de Orvalho, amo-te como uma pequenina gota,
esquiva e indivisível; mas nessa busca serei indivisível,
como o amor partido de saudade.
Seguirei teus passos lentos e te amarei, mas em silêncio,
para que o amor não passe distante dos meus sentimentos.
Amar-te-ei, lágrimas de Orvalho, com toda amplidão.
Amar-te-ei, em passos lentos, em meu pensamento, com todo o meu amor, finito e indivisível.

Adjane Dutra

Momento Cultural: APRENDIZ DE MIM – por Valdinete Moura

Não sei porque é
que às vezes
fico assim tão diferente
desconhecida de mim.
O mundo parece grande
igual a imensa bola
e eu pequenino grão.
Mas tem também outro dia
em que a enorme sou eu.
Por quê?
Por que será que é assim
tamanha a variação?
Hoje alegre, amanhã triste,
bela a tarde, monstro ao dormir?
E tem ainda o instante
em que a velhice ataca.
Que aconteceu à infância,
juventude, adolescência?
Por que tanto tempo agora
se era tão pouco atrás?
Por quê?
Por que será que é assim?
Então eu fico cismado
buscando pra indagação
a resposta verdadeira.
E descubro.
Descubro com emoção
que o motivo tamanho
de tanta variação
é que sou gente, minha gente.
Sabem vocês certamente
o que a gente ser gente
neste mundo encantado?
É fazer parte da vida,
é ser dia, é ser noite,
ser água, vento, luar,
ser sol de verão ardente,
e flores da primavera.
Ser mesmo as quatro estações
quem sabe no mesmo dia?
Ser o bebê que adormece
no colo quente da mãe
ou o velhinho que recorda
o tempo que já passou
com os olhos cheios de luz
buscando o que ainda vem.

Tudo isto e muito mais.

Ser gente é ter o Universo
Todinho dentro da gente.
É trazer dentro do peito
A festa da criação.

do livro “Voz Interior”.

Maria Valdinete de Moura Lima, filha de Manoel Severino de Lima e de Lindalva de Moura Lima, nasceu em Vitória de Santo Antão. Bacharela e Licenciada em Letras. Professora de Português da Faculdade de Formação de Professores da Vitória de Santo Antão. Poetisa e contista, tem um livro publicado VOZ INTERIOR – 1986. Tem vários prêmios, entre os quais: José Cândido de Carvalho, contos: Jeová Bittencourt, contos, menção honrosa (Araguari, MG). Concursos promovidos pelo “Timbaúba Jornal”, contos e poesia. É membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência.

Momento Cultural: MÃE – Por Diva Holanda

diva-holanda

Foto: Jornal da Vitória

Para que te descrever
se és sempre linda?
Para que dizer tuas virtudes
se és perfeição?
Para que dizer teus afazeres,
se tua luta é infinda?
Para que pedir desculpas
se tu és perdão?
Para que te consolar?
se sofres comigo?
Para que te santificar
se Deus te fez tão pura?
Para que dizer mais nada
se hoje, mãezinha, abraço-te feliz com maior ternura?

Dra. Diva de Holanda Bastos, vitoriense, filha de Manoel de Holanda Cavalcanti e de Noêmia de Andrade de H. Cavalcanti. Professora universitária e odontóloga. Oradora do “Instituto Histórico e Geográfico da Vitória de Santo Antão”. Pertence a uma família de poetas, não poderia deixar de versejar, o que faz com muita graça e beleza.

Momento Cultural: Quem sabe um dia? – Por Egidio T. Correia

Se for preciso
Eu serei neném
Adormecerei no teu colo,
Acordarei nos teus braços,
E verei novo amanhecer?

Quem sabe um dia,
Quando precisar
Eu serei criança
E cheio de esperança
E aprenderei contigo
O que mais preciso aprender?

Quem sabe um dia,
Quando precisar
Eu serei mais jovem, e então,
Eu brincarei, rirei, cantarei e chorarei contigo
Crerei em tudo, que podereis crê?

Quem sabe um dia,
Quando precisar
Serei mais maduro
Serei tua esperança e o teu futuro,
Ensinarei tudo
O que quiseres me aprender?

Quem sabe um dia,
Quando precisar,
Serei teu homem
Matarei a fome
Dos seus desejos,
E encontrarei entre teus beijos
Tudo que eu preciso ter?

Que sabe um dia,
Por um tempo, serei teu rei,
Mas também serei teu súdito,
Romântico, sábio e muito arguto,
Envelhecerei?

E, quem sabe um dia, dentro de ti,
Mesmo estando aqui
Eu morrerei?

Ou, quem sabe um dia,
Quando eu partir,
Eternamente dentro de ti,
Eu ficarei e viverei?

Egidio T. Correia é poeta, membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência.

Momento Cultural: Caminhada Fugaz (poesia) – por Luciene Freitas

Cortando o céu, num clarão, a vida fugaz,
tal Via-láctea incandescente, bela,
no compasso pulsa. Efêmera luz que apraz!
Expande-se, pelo universo se esfacela…

Passa entre os astros e laços de ternura
em suaves voltas une almas, paralelas.
O amor em esplendor navega… à ventura
entre anjos. Crianças riem, serenas, singelas.

Corre a vida, corre contra o tempo,
marcando faces, machucando almas
na jornada fugaz, tal qual o vento,
entre megalegorias de estrelas… vagas.

Meditável tempo: estradas, veredas, ruelas…
onde há coroas de louros ou de espinhos.
Auroras, ocasos, dão matizes a aquarela
que se desenvolve na dureza dos caminhos.

Passa o Sol, a Lua, passam nuvens de carmim,
noite, dia. Vertigem! Tudo se acaba!
Céu ou inferno? Guiados por um Serafim
passamos, rumo ao tudo ou rumo ao nada.

ltos 
Certificado da Academia Petropolitana de Poesia Raul Leoni. Petrópolis / RJ. 19-10-2002.
 
Luciene Freitas é Escritora vitoriense, autora de dezenas de livros,
entre adultos e infantis.
 

Momento Cultural: REALIDADE – por Aloísio Xavier

Aloísio de Melo Xavier - Jornal da Vitória ANO XXIII - Nº 153 - AGOSTO 2003 - pág 19

Aloísio de Melo Xavier – Jornal da Vitória ANO XXIII – Nº 153 – AGOSTO 2003 – pág 19

Se alguém te perguntar
quem é ele, de onde vem, p’ra onde vai?
Por que vive a beber e não quer parar?
E por que das bacanais ele não sai?

É um sádico, um místico, dizem até,
no meio de tantos a opinião varia
ninguém sabe ao certo o que ele é.
É um alegre gozador, disse Maria.

Mas, por fim, amigo, agora escute:
se alguém um dia te perguntar
quem sou eu, sobre quem tanto se discute

Você será capaz de responder sem relutar:
Ele não é místico, muito menos gozador.
É um homem triste, um homem sem amor.

Aloísio de Melo Xavier, vitoriense nascido aos 6 de junho de 1918. Professor da Faculdade de Direito de Caruaru, da Universidade Católica e da Faculdade de Direito da Universidade Federal. Juiz de Direito aposentado. Reside no Recife, porém mantém casa na Vitória, onde passa os fins de semana. Eterno enamorado, ele e a esposa, Profª Eunice de Vasconcelos Xavier, da Vitória de Santo Antão.

Momento Cultural: SÓ DAR AMOR – Por Manoel de Holanda Cavalcanti

manoel-de-holanda-cavalcanti

Na restrição, pra mim, de desfavor,
destas quatorze linhas d’um soneto,
Eu nem de leve tocarei no amor;
a falar sobre sonhos não me atrevo.

Eis que se foi embora um bom quarteto!
quero falar do sol, no esplendor,
das estrelas, do mar; não intrometo
o coração, em cousas de valor.

Sei da história do mar apaixonado
por Diana que o fita com dulçor,
na ausência do sol, seu namorado.

Mas, já se viu que cérebro demente?
quero banir deste soneto o amor,
e um soneto fazer de amor somente!…

(Coleção do Prof. José Aragão)

Manoel de Holanda Cavalcanti, vitoriense nascido em 18.XI.1897 e falecido em 22.3.1978. Filho de Joaquim de H. Cavalcanti e de Olindina de H. Cavalcanti. Irmão dos também poetas Henrique e Corina. Exerceu por muitos anos o serviço cartorial, do registro civil. Cultor das letras tinha uma prosa amena e agradável, como também a sua poesia.

Momento Cultural: SONETO AO RESSÁBIO DOS TEUS LÁBIOS – por Ubirajara Carneiro da Cunha

ubirajara

“Quand vers foir mês désirs
Partent em caravane,
Tes yeux sont La citerne Où
boivent mês Ennvus” 

Charles Baudelaire

Onde a tua face ávida e eclipsoidal
Emergir dos limites sem espaço
Dos poros a fazer o teu fanal,
Eu desbravarei as linhas sem cansaço.

Onde os teus olhos em tons ausentes
O cristal-sonho evole-se desfeito,
Sem que te aflorem súplicas insistentes,
Eu farei dos teus vales o meu leito

Dos teus olhos e face já bastantes
Para cingir-me preso ao azul desejo
De ter-se em mim num enlace coleante,

Contorno o teu nariz em uns instantes
Para buscar na essência do teu beijo
O rubro cerne da tua boca arfante.

de “Tempo de Espera”

Ubirajara Carneiro da Cunha nasceu na Vitória de Santo Antão, em 1942. Formado em Direito pela Universidade Católica, exerce as funções inerentes a sua formatura na Comarca da Vitória e em outras Comarcas. É professor, Diretor do “Ginásio Municipal 3 de Agosto” e da “Fundação da Faculdade de Formação de Professores”, também da Vitória. Colabora na imprensa, onde tem publicados vários trabalhos.

Momento Cultural: RODOPIO – por Valdinete Moura

Na roda da vida
eu danço gigante
querendo encontrar.

Quem dera ser ave
com ossos e asas
podendo voar.

Quem sabe sereia
pele e escamas
pra te namorar?

Ou então pensamento
de luz ou saudade
e muito sonhar.

Melhor ser eu mesma
com nervos e alma
tentando acertar.

Maria Valdinete de Moura Lima, filha de Manoel Severino de Lima e de Lindalva de Moura Lima, nasceu em Vitória de Santo Antão. Bacharela e Licenciada em Letras. Professora de Português da Faculdade de Formação de Professores da Vitória de Santo Antão. Poetisa e contista, tem um livro publicado VOZ INTERIOR – 1986. Tem vários prêmios, entre os quais: José Cândido de Carvalho, contos: Jeová Bittencourt, contos, menção honrosa (Araguari, MG). Concursos promovidos pelo “Timbaúba Jornal”, contos e poesia. É membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência.

Momento Cultural: A TEMPORÁRIA – Por Osman Lins

osmanlins

Pássaro pousado,
és uma estação,
sol sobre as colinas,
cálido verão.
Mesmo que te vás,
não vieste em vão.
Deixarás em mim
teu alvo clarão,
o denso esplendor
da tua canção,
teu sumo, teu fruto,
teu mel, tua mão.
Mesmo que te vás,
não vieste em vão,
ó força do sim,
beleza sem não.
Terei conhecido
a flor e o pão,
e tudo que eu canto
virá do teu chão.

in “Tempo de Espera” – Antologia organizada pela
Soc. Artística e Cultural Vitoriense – 1966.

Osman da Costa Lins, vitoriense, nascido a 5 de julho de 1924, desde jovem começou a escrever, sendo um dos mais férteis escritores nacionais. Tem cera de quinze livros publicados, contos, romances e peças teatrais, além de escritos vários a publicar. Faleceu em S. Paulo 8.7.78. Fazia versos acidentalmente.

Momento Cultural: TEU NOME – Por Júlio Siqueira

O TEMPO VOA - Júlio discursa na praça Diogo de Braga, por ocasião de uma solenidade comemorativa à fundação da cidade - do livro Júlio Siqueira Sinopse biográfica - Pedro Ferrer

Sento à mesa para escrever um verso
que possa traduzir esta emoção
que vibra e me angustia o coração
e diga o que és para mim, no universo!

Pego da pena e me sinto confuso… Penso.
A inspiração me foge… A insônia me domina,
me levanto. Passeio. Tudo me abomina,
e de tanto esforço, desalentado, canso.

Meu Deus! Será possível que isto me aconteça,
e que dentro da noite espere que amanheça
para escrever o meu primeiro verso?

…..

Amanhece… Como o meu destino é perverso!
Sinto calafrios e a febre me consome.
Deliro. E só consigo escrever teu nome!

Júlio Augusto de Siqueira, vitoriense, nascido a 19 de março de 1920. Filho de Elvira e Joaquim Augusto de Siqueira. Estudou no “Colégio Santo Antão” e na “Academia de Comércio da Vitória”, não concluindo, porém, o curso comercial. Desde cedo começou a escrever na imprensa local, e posteriormente, na do Recife O DIA, JORNAL PEQUENO e, acidentalmente, no DIÁRIO DE PERNAMBUCO. Vérseja acidentalmente. Jornalista e orador.

Momento Cultural: ROSEIRA DE MINHA MÃE – Por Célio Meira

celio-meira

Faz tantos anos… minha mãe velhinha,
no jardim a plantar lindas roseiras:
La France… Paul Meron… rosa amarela…
Rosa alemã… rosa marfim…
Mas, de todas, a mais alta, a mais bela,
era a roseira Amélia do caramanchão,
que lhe enchia de perfume o rosto delicado,
que lhe roubava todo o coração.

Ela ensinou-me a rezar,
e a bendizer as roseiras.
Quando ela morreu, fiz da rosa Amélia,
– Sorriso de Maria da graça de uma flor
– lembrança de um materno coração
A perfumada flor de meu brazão

Roseira Amélia… rosa Amélia,
traçaste minha sina… meu destino.
És meu emblema… és o meu escudo.
As roseiras plantadas pelas mães,
não ferem as mãos dos filhos,
porque os seus espinhos,
são espinhos macios de veludo…

de MIGALHAS DE POESIA

Célio Meira

Internauta Sephem Beltrão comenta no Momento Cultural

Comentário postado na matéria “Momento Cultural: O teu sorriso – Por Alberto Brito“.

Alberto Brito, parabéns! Esta poesia me lembra muito os inícios dos namoros e a gente perdidamente apaixonado. Se você tomar conhecimento desse comentário me responde: Já visitou o site do Recanto das Letras?

http://www.recantodasletras.com.br – entra e clica em autores, depois procura Stephem Beltrão e da uma lida nos poemas do conterrâneo. Se você ainda não conhece o site e desejar publicar textos é simples, basta se cadastrar. Abraços.

Sephem Beltrão

Momento Cultural: CONDENO – Por Dilson Lira

Dilson Lira - Jornal da Vitoria

Condeno os versos que escrevi outrora,
todas estrofes e paixões, de amor,
todos os versos que a minh’alma enflora,
hoje eternizo num cantar de dor.

Condeno os risos da minh’alma infante,
toda alegria que me embalou,
toda a ventura do meu ser cantante,
neste meu verso aqui se sepultou.

Condeno beijos, madrigais, desvelos,
amores que passaram e que eu chorei,
encanecidos estão os meus cabelos,
por tudo isso velho já fiquei.

Condeno. E com minh’alma desprendida,
sonho, e heroico, livrando-me das grades,
em adejos vou queixoso desta vida,
para as estrelas sem sentir saudades.

de “Cânticos dos Céus” – 1951

Dilson Lira

Momento Cultural: PARA MINHA NETINHA – Por Diva Holanda

diva-holanda

Foto: Jornal da Vitória

Plim Plim! Parece conto de fadas
ou mesmo boato infundado
mas, o que é fato é verdade
e não pode ser contestado:

Diva vai ser vovó
ela que parecia querer
ver em Mano um menino
de repente o viu crescer.

Cresceu deu nova vida
a quem não foi programada
mas que será com certeza
das filhas a mais amada.

Nascendo em tempo tão ruim
onde não se tem esperança,
estou apostando em você
minha doce e terna criança.

De você vou ser vovó
de fadas vou lhe falar
vou cantar mesmo sem voz
lindas canções de ninar.

E a vovó que daria
bolões de feijão e amor,
que hoje é da guarda
você vai levar uma flor.

E no seu mundo encantado
com baleias navegando,
sem guerra e sem fuzis
você vai crescendo pesando:

Que Drumond não morreu nunca
Que Deus é bom e perdoa,
Que a vida já é história
De um pensamento que voa.

Dra. Diva de Holanda Bastos, vitoriense, filha de Manoel de Holanda Cavalcanti e de Noêmia de Andrade de H. Cavalcanti. Professora universitária e odontóloga. Oradora do “Instituto Histórico e Geográfico da Vitória de Santo Antão”. Pertence a uma família de poetas, não poderia deixar de versejar, o que faz com muita graça e beleza.

Momento Cultural: “C A S A” – Por Adjane Dutra

Adjane Dutra

Não queria muito…
Só queria uma casa.
Ao longo do rio, casa dos meus sonhos,
Casa sem teto e uma imensa cobertura de
Ramagens, folhagens, simples casa sem lamentação,
Lástimas, casa do recôncavo baiano, de palha com
Acarajé, cocada, fumaça exalando a típica comida baiana.
Quero sim a casa dos meus sonhos, alimentados de tantas
Alegrias, uma mãe preta com seu chinelar por todo ar,
Casa ao londo do rio, sem longos caminhos, casa o meu
Ninho… onde a fumaça alcançasse toda cumeeira sem
Contratempo e sempre correndo em direção aos ventos.
Casa com varanda, águas cristalinas, crianças ao pé da bica,
Árvores frondosas, casa, simples casa dos meus sonhos de menina…

Adjane Dutra