Momento Cultural: ASAS DO CORAÇÃO – Por Egidio T. Correia

Um poeta tem FOGO no cérebro,
Tem ASAS no coração,
Um foguete espacial
Quando chega inspiração.
Trouxe consigo um destino,
Viajar no infinito
Estando alegre ou aflito,
Quando tem, ou não, razão.
Seu combustível é um verso
Estreitando o universo
Polindo imaginação.
Ou pra registrar sentimentos
Com a caneta na mão.

Egidio T. Correia é poeta,
membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência.

Momento Cultural: PARABÉNS AOS PEDREIROS – por Severina Moura

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Aos pedreiros construtores do progresso
Que debaixo de sol e chuvas vão
Ao trabalho da obra do universo
Para ganhar cada dia o seu pão
Pão dos filhos, da esposa, da família
Que alegres o recebem em união.

Suas mãos calejadas pela pá
Construindo ângulos e paralelas
Dos esquadros as perpendiculares
Retas, curvas e inclinadas.
Dos transferidores sem mazelas.
Calculando volumes matemáticos
Das portas, áreas e janelas.

Esses homens que nem sabem quanto valem
Seus serviços, se bem feitos valem ouro
Se uma aresta não for bem construída
É um desastre, no final um desadoro
E o dono da obra sai perdendo,
Dinheiro, sossego e decoro.

Parabéns a vocês, caros pedreiros,
Que para o dono fazem essa construção
Se orgulhem de tudo o que fazem
Com dosagem certa, e com paixão
Quem ama o que faz, não se arrepende
Porque Deus lhe dá sempre proteção.

Profª Severina Andrade de Moura, nasceu em Vitória de Santo Antão. Foram seus pais: José Elias dos Santos e Doralice Andrade dos Santos. Viúva de Severino Gonçalves de Moura, com quem se casou em 1962. Fez o curso Pedagógico no Colégio N. S. da Graça. Lecionou em Glória do Goitá e Carpina. Concluiu Licenciatura Plena em Letras em Caruaru (1976). Pós-graduação em Língua Portuguesa na Univ. Católica (1982). Ensinou em várias escolas estaduais e municipais na Vitória e ensina atualmente na Escola Agrotécnica e na Faculdade de Formação da Vitória de Santo Antão. Poetisa por vocação. Colabora na imprensa local.

Momento Cultural: A BÍBLIA – Por Adão Barnabé

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Santa Bíblia, por Deus, toda inspirada         2 Tim. 3-16
é a Verdade que santifica a gente,               Jo., 17-17
qual prata fina, em forno, refinada,             Salm. 12-6
divina, incorrutível, é a semente.                1 Pd. 1-23

Aceita a Lei qual tu bebeste o leite,            1Ped. 2-2
ela endireita, irmão, a tua estrada,             Salm. 119-9
do teu caminho é luz p´ra teu deleite         Salm. 119-105
pois foi, como divina, bem guardada.         1 Tess 2-13

Toma a espada do Espírito até a morte,     Ef. 6-17
Vê que se fende a rocha ao golpe seu,         Jer. 23-29
Vai ao combate e torna inda mais forte      Isa. 55-11

inda que passe o Ceu, condenação!              Mt. 24-35
o entendimento e a luz que ela me deu       Salm. 119-130
já me fez sábio para a salvação.                    2 Tm. 3-15

Adão Barnabé dos Santos Cavalcanti, vitoriense nascido aos 10 de fevereiro de 1929 e falecido também na Vitória de Santo Antão aos 19 de novembro de 1968. Seus pais: João Barnabé dos Santos Cavalcanti e D. Honorina dos Santos Cavalcanti. Diplomado em Letras, foi professor do Ginásio 3 de Agosto. Excelente poeta, deixou grande numero de poesias inéditas e outras publicadas na imprensa local.

Momento Cultural: VELHICE – por Aloísio Xavier

Aloísio de Melo Xavier - Jornal da Vitória ANO XXIII - Nº 153 - AGOSTO 2003 - pág 19

Aloísio de Melo Xavier – Jornal da Vitória ANO XXIII – Nº 153 – AGOSTO 2003 – pág 19

Desafiei o tempo e triunfei.
Há mais e meio século resisto.
Sofrendo, embora, por aqui fiquei,
da vida não me canso e não desisto.

Espectro de gente me tornei.
O padecer me faz quase outro Cristo.
Morreram-me os entes que amei.
Ao meu desmoronar eu mesmo assisto.

Doente está meu corpo alquebrado
E esgotada tenho a pobre mente.
É triste, muito triste hoje o meu fado.

Meu ser, enfim, se encontra aniquilado.
Porém de todas essas aflições
mais me afligem as recordações.

Aloísio de Melo Xavier, vitoriense nascido aos 6 de junho de 1918. Professor da Faculdade de Direito de Caruaru, da Universidade Católica e da Faculdade de Direito da Universidade Federal. Juiz de Direito aposentado. Reside no Recife, porém mantém casa na Vitória, onde passa os fins de semana. Eterno enamorado, ele e a esposa, Profª Eunice de Vasconcelos Xavier, da Vitória de Santo Antão.

Momento Cultural: Seja forte! Desarme-se. – por Stephem Beltrão

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Seja Forte! Dê adeus às armas!
Porte apenas documentos, pistola não atira sozinha.
Bala boa é de chocolate, faca bem usada é na cozinha.

Pancada bem dada é de chuva,
Tanque maneiro lava e enxágua,
Rajada esperta é de vento, bomba potente puxa água.
Quadrilha animada é de São João, armadilha de amor
Só faz ruído.
Partido infantil é o de pastoril, flecha bonita é a do cupido.

Plano divino é o de paz, golpe legal é o de ar
Torpedo demolidor é o que sai do celular
Guilhotina moderna só corta papel.
Cadeia interessante é a cadeia alimentar.

Briga, nem de galo, arma, nem de brinquedo
Combater só nossos erros, guerra nem de nervos.
Lutar só em legítima defesa, atacar a fome.
Bater só o cartão de ponto, matar calmamente o sono.

Seja forte!

Abra o sorriso, ele cura
Use a palavra, ela salva
Estenda a mão, ela ajuda
Dê um abraço, ele acalma.

 Stephem Beltrão  

Momento Cultural: ÁRIA – por José Tavares de Miranda

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Numa noite assim
de vento gelado a almas mortas

maus presságios e calafrios
foi-se a donzela.

Numa noite assim
sem esperança de aurora

nem sombra de lua
foi-se a donzela.

Foi a donzela
para nunca mais.

Onde se esconde
sua mantilha de rendas?

Sua grinalda de rosas
onde estará?

Seu coração magoado
de ilusão pulsa ainda?

Em que terra crua
seu cabelo é guardado,

Numa noite assim
de estrelas comidas

em ginete de fogo
seu amado passou

três assovios à porta
e sua amada levou

e em três passos de espera
a sua vida sugou.

Em três passos de espera.

(em TAMPA DE CANASTRA)

José Tavares de Miranda, vitoriense nascido a 16 de novembro de 1919, filho do Prof. André Tavares de Miranda. Fez os primeiros estudos na Vitória, sob os cuidados do seu genitor, e transferiu-se para o Recife, onde teve grande atuação na imprensa. Mudando-se para São Paulo, ali concluiu o seu curso de Direito (iniciado na Faculdade de Direito do Recife) na Faculdade de Direito do Largo S. Francisco, em 1939. Escritor, jornalista e poeta. Teve vários livros publicados inclusive de poesias, sendo estes últimos reunidos em um só volume: TAMPA DE CANASTRA. Faleceu em São Paulo (Capital) a 20 de agosto de 1992.

Momento Cultural: TEUS ENCANTOS, MARIA – por Ir. Leonor Paes Barreto

LEONOR PAES BARRETO

Eis-me a cantar em surtos de alegria,
Teus encantos, MARIA!

Tornando minha, numa exultação
do universo a sublime orquestração,
com a gargalhar do vento que esfuzia,
cantarei teus encantos, MARIA!

Com as ondas que na praia murmurantes,
em vaivens ritmados, soluçantes,
quebram, gemendo lânguida alegria,
cantarei Teus encantos, MARIA!

Com o riacho que múrmuro serpeia,
entre cascalhos, sobre a branca areia,
com a brisa vaporosa que cicia,
cantarei Teus encantos, MARIA!

Com os sons das salvas que perturbadores
semelham flautas, timbales, tambores,
em cadências de estranha sinfonia,
cantarei Teus encantos, MARIA!

Na beleza da flor que em seu hastil,
desabrocha, esplendendo graças mil,
no perfume que esparze e que inebria,
cantarei Teus encantos, MARIA!

No fragor do oceano temeroso,
que ruge, que esbraveja proceloso,
na limpidez do lago em calmaria,
cantarei Teus encantos, Maria!

Na voz do passaredo em clarinada,
anunciando a fúlgida alvorada,
em notas solfejadas com mestria,
cantarei Teus encantos, MARIA!

E quando a morte à porta me bater,
ponto termo ao meu mísero viver,
então, minh’alma leve, desprendida,
das cadeiras tirânicas da vida,
numa escala de sons altissonantes,
sustenizados, álacres, vibrantes,
junto a Jesus, por toda a eternidade,
para sua real felicidade,
cantará em rebates de alegria
TEUS ENCANTOS, MARIA!

Leonor Paes Barreto, irmã beneditina, nasceu na Vitória de Santo Antão. Exímia musicista, poetisa e religiosa exemplar.

Momento Cultural:
Quem sabe um dia? – Por Egidio T. Correia

Se for preciso
Eu serei neném
Adormecerei no teu colo,
Acordarei nos teus braços,
E verei novo amanhecer?

Quem sabe um dia,
Quando precisar
Eu serei criança
E cheio de esperança
E aprenderei contigo
O que mais preciso aprender?

Quem sabe um dia,
Quando precisar
Eu serei mais jovem, e então,
Eu brincarei, rirei, cantarei e chorarei contigo
Crerei em tudo, que podereis crê?

Quem sabe um dia,
Quando precisar
Serei mais maduro
Serei tua esperança e o teu futuro,
Ensinarei tudo
O que quiseres me aprender?

Quem sabe um dia,
Quando precisar,
Serei teu homem
Matarei a fome
Dos seus desejos,
E encontrarei entre teus beijos
Tudo que eu preciso ter?

Que sabe um dia,
Por um tempo, serei teu rei,
Mas também serei teu súdito,
Romântico, sábio e muito arguto,
Envelhecerei?

E, quem sabe um dia, dentro de ti,
Mesmo estando aqui
Eu morrerei?

Ou, quem sabe um dia,
Quando eu partir,
Eternamente dentro de ti,
Eu ficarei e viverei?

Egidio T. Correia é poeta,
membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência.

Momento Cultural: Incitatus, meu dragão – por Rildo de Deus

As presas de ferro
Patas de leão
Canta com berro
(Meu cajado na mão)
As cores da crina
Rastros de cocaína
Lá vem meu dragão
Trago do ovo
De onde veio Guriatã
Um bicho novo
Mais feio que Satã
Drago garboso
Do corpo escamoso
Patuá Muiraquitã
Êle estrala o pescoço
Não tem asas do lado
Mas voa com o corpo
Silencioso e calado
300 centímetros
Seu nome é Incitatus
Por mim é montado
Não há bicho do Cão
Que seja mais rápido
Veloz é o drago
No espaço comprido
Assobio pra invoca-lo
O canto do Galo
Bicho lindo e sabido

Montaria de Mago
Incitatus, meu garanhão
Mas vê que estrago
Cavalo contra dragão
Uma luta no céu
Luar, meu pincel
São Jorge de espada na mão
Calma são Jorge
Raciocine, use a mente
De você a gente não foge
Mas a luta é descontente
Qual o motivo pra atacar?
E essa cena marcar
Pra estragar a semente

Calma, são Jorge
O mal já passou
Ilustro sua armadura
Veja quem sou
Não venha à luta
Não, JORGE! Escuta
E o Catimbó retesou

“São Jorge voou
São Jorge voou no céu”

Esse rocim é mearas
E tá pra pangaré
Roubaste-o do Haras
Do Rei Tucunaré
Tu és são Jorge
A gente não foge
Vamos lutar em pé

Deixe o seu Cavalo
Êle contra meu Dragão
Assim a luta fica equilibrada
Versos Eu, não há comparação
Vê, você tá de armadura
Eu tenho pouca estatura
Mas me defendo com artes do Cão

Já me atraquei contra anjo
E dei na cara de besta-fera
Não possuo mulher
Medo de bicho que gera
Me decepcionei com você
Pois não tem pra quê
Atacar minha fera

Seu arsenal assassinou
Gárgulas do Castelo
Sátiros, Carrancas
E a Cuca de chinelo
Tente pegar Mato-Flor
Ou desposar Flor-do-Amor
Pra Tupã estrondar Amarelo

Procure os encantados
De tanto brilho quanto você
Deixe Os Seres Imaginados
Ou terei de lhe bater
Não quero inimizade
Não enfraqueça a amizade
Volte pra Lua, dê ré

São Jorge resignado
E cego na fé
Não desceu do cavalo
Que relinchou de pé
São Jorge se armou
A lança perfumou.
(Ele vai ver Incitatus quem é…)

Meu dragão de 3metros
Na constelação de Escorpião
Entrelaçou-se
Rodou feito pião
Saiu como um tiro
Assim me refiro
Preste muita atenção

Certeiros feitos cometa
Cadente estrêla vermelha
São Jorge dizia: – SOPRE FOGO
Meu drago soltou centelha
O cavaleiro canalha
Defendeu-se da fornalha
Com seu escudo de telha

Acariciei suas orelhas
Incitatus mudou de caminho
Na frente do santo
Deu-lhe sem carinho
Com o rabo na cara
Veja que cena rara
O cavalo do levou no focinho

E rápidos, uma luz
Nós fomos embora
Pra não fazer o pior
Pro santo chegou a hora
Ele voltou para a lua
Pra sua fama de rua
Não sair estrada afora

Eu, meu dragão
O drago de mim
Fomos para outra constelação
Aonde santo não vai de rocim
Essa estória é folclore
Avalie e explore
Erva de Fumo ou pirlimpimpim

Rildo de Deus é Escritor e Estudante de Filosofia da UFPE.

Momento Cultural: ADEUS DE SAUDADE – Por Antonieta Varela

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Ao “Instituto Santa Maria Goretti”,
quando da demolição do prédio onde o mesmo
funcionou durante 40 anos.

Goretti que cantei num hino
repleto de emoções sublimes,
Goretti de alegrias reais,
jardim formoso de dourados sonhos;
Goretti amado de ideias e encantos,
viveiro lindo de amores santos,
adeus, Goretti, que não volta mais.

Já demoliram o teu solar amigo,
mas o teu vulto ficará de pé
qual eterno pilar de firme fé.
Tu vais ficar plantado na lembrança
vibrando pelos tempos como um grito,
com teus livros, com tuas flores,
com teus quadros pendurados na saudade.

Goretti nosso de saudades tantas,
Goretti nosso de tão longo labutar,
quantas luzes de saber tu espargiste,
no canteiro mimoso dos infantes.
Te revestiste de glórias fulgurantes,
mas tuas paredes tombaram soluçando
sob o jugo do progresso, sem falar.

Goretti, tu nasceste à sombra amiga
de gestos carinhosos, maternais,
daqueles que muito te amaram
nos dias primeiros do teu engatinhar.
São revivências que se foram e ficarão
guardadas como histórias de amor.
No arquivo virginal do coração.

Santa Maria Goretti, tua patrona,
dos páramos celestes te abençoe
e implore junto a Deus por ti mais luz
para denovo encaminhares ao futuro
mil pupilos radiantes à vitória.
Se as paredes de teu solo vão ao chão,
o esplendor de tua glória há de voltar.

Antonieta Varela

Momento Cultural: LICORESPAÇOSIDERAL – por Adjane Dutra

Adjane Dutra

Um simples vaso a recolher licores.
A noite caminha em meu pensamento,
Não sou ninguém.
Ah! que versos tristes de um poeta sonhador.
A vida continua a ser um sonho despertado na
velocidade das máquinas.
A luz bem cor de prata, nada de novo.
Em meus versos percorro o espaço,
que vontade de cruzar o horizonte infinito.
A distância percorre em mim o que não sou.
A espera de viver me faz um eterno viver.
Quem irá me acompanhar por esse percurso sozinho?
Sou eternamente um verso, que não precisa ser escrito.

Adjane Dutra

Momento Cultural: NOTURNO Nº 2 – por Marcus Prado

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a sofrer
este vento este ciclone
dos nervos e da carne e da mentira
a sofrer
esta angústia que delira
a sofrer o vazio de cada cara

a sofrer cada dia que não pára
a sofrer a estéril noite: o dia
a sofrer o limite a face fria
a sofrer tua memória alada

a sofrer o teu beijo impossuído
a sofrer a glória de não ser
a sofrer os teus olhos o teu espaço

a sofrer a distância a gravidade
a sofrer a saudade que mereces
o teu nada o teu tudo o teu cansaço.

in “Literatura a Artes” boletim
da S.A.C.V. – junho/1965

Marcus Antonio do Prado, nascido na Vitória crítico literário dos mais expressivos, responsável pela página literária do “Diário de Pernambuco”.

Momento Cultural: SONETO SEM ESSÊNCIA – Por Ubirajara Carneiro da Cunha

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“Die Sprache ist das Haus dês Seins,
Is ihrer Behausung wohny der Mensch”.

–                Heidegger, Ueber den Humanismus, 24

Ao ser que se oculta atrás da porta,
Jamais aberta a venda de passagem,
Da linguagem em que a verdade aborta
Não busques se não estás na outra margem.

Do rio que me cada curva detém seu curso
Para embarcar os incautos candidatos ao ideal,
Que, não dispondo nem de bússula e um recurso,
Desesperam com as absurdas respostas do real.

Pois o dia cruel e inclemente te espera
Com a luz bastarda e órfã da essência
Para fazer dos teus sonhos uma quimera.

Daí recolher-me a tudo que acena
Apenas com as rudes mãos da existência,
Pois, sem ser, o ser não vale a pena.

de “Tempo de Espera”.

Ubirajara Carneiro da Cunha nasceu na Vitória de Santo Antão, em 1942. Formado em Direito pela Universidade Católica, exerce as funções inerentes a sua formatura na Comarca da Vitória e em outras Comarcas. É professor, Diretor do “Ginásio Municipal 3 de Agosto” e da “Fundação da Faculdade de Formação de Professores”, também da Vitória. Colabora na imprensa, onde tem publicados vários trabalhos.

MOMENTO CULTURAL: CORDEL DO CONTRADITÓRIO NÚMERO ONZE – Por Egidio Temótio Correia

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Continuando o cordel
Que eu mesmo prometi
Comparando o tempo atual
Com momentos que já vivi
As idas e vindas do tempo
E mudanças que assisti.

Nos chamados anos de chumbo
Militares queriam mudar.
Achavam que a força bruta
Era a forma de governar.
Prendiam, acusavam, matavam
Quem ousasse discordar.

O Lindbergh Farias
Que é senador do PT
Já foi presidente da UNE
Antes de muitos nascer
Também liderou estudantes
Que não sabe é bom saber.

Estudantes sempre acham
Que o mundo deve mudar.
Fazem manifestos e protestos
E vão pra rua gritar.
A coisa mais fácil que tem
É a outros condenar.

Já vi muitos e muitos ser presos
Querendo a democracia
Querendo um país melhor
Como se faz hoje em dia.
O que se pede nas ruas
Na época já se pedia.

José Jenoino e José Dirceu
Também foram perseguidos.
Zé Dirceu foi exilado
Antes do PT ter nascido
O ex-presidente Lula
Passou trinta dias detido.

A Dilma também foi presa
De comunista foi acusada.
Nos porões da ditadura
Dilma foi torturada
Lutando por liberdade
E essa democracia sonhada.

Mas quando se chega ao poder
E tem o comando na mão
Percebe-se que tudo aquilo
Não passou de ilusão
Querer mudanças é fácil
Mudar é outra questão.

Quem é estudante hoje
Pode governar algum dia.
De corrupto será acusado
Como ele mesmo fazia
Acusando quem governava
E achando que tudo sabia.

Antes de Jesus nascer
Já havia corrupção.
Judas foi traidor
Dimas era ladrão.
Jesus queria mudar
E acabou na prisão.

Jesus Cristo e Maomé
A bíblia e o alcorão.
Buda, Confúcio, Demóstenes,
Sêneca, Sócrates, Platão.
Sábios, filósofo profetas,
Política e religião.

Todos querem mudar por fora
Mas poucos mudam por dentro.
Esse é motivos de guerra
Que existe de tempo em tempo.
Ninguém muda outro homem
Sem o seu consentimento.

Sempre haverá governados,
Sempre haverá governantes.
Sempre haverá protestados,
Sempre haverá protestantes.
Veem pessoas vão pessoas,
Tudo fica como antes.

Não me julgue pessimista,
Não me julgue acomodado.
Também já fui protestante,
Também já fui protestado.
Só estou dizendo que o mundo
É um velho moribundo
Trazendo muitos recados.

Egidio Temótio Correia

Momento Cultural: UM VULTO DE MULHER – Dilson Lira

Dilson Lira - Jornal da Vitoria

Dilson Lira – Jornal da Vitoria

Se tens n’alma recôndita amargura,
que te acorrenta aos grilhões da dor
incontinenti foges do torpor
da tua vida tão vaga e escura.

Se tens do peito amargo sentimento,
de um desejo não realizado,
busca o futuro, esquece o teu passado,
que ameniza mais teu sofrimento.

Mas, se tens n’alma bem viva contigo
uma paixão, um vulto de mulher,
é bem difícil esquecê-la, amigo…

Alguém procura achar a solução
e enquanto esquecê-la a alma quer,
mais amá-la procura o coração…

“Cânticos dos Céus”

Dilson Lira

Momento Cultural: SÓ… – Por Júlio Siqueira

O TEMPO VOA - Júlio discursa na praça Diogo de Braga, por ocasião de uma solenidade comemorativa à fundação da cidade - do livro Júlio Siqueira Sinopse biográfica - Pedro Ferrer

Sou, apenas, UM no meio da multidão.
UM.
Apenas um
ser que se perde no borborinho da cidade,
em meio às pessoas que passam em velocidade
no vaivém de um mundo louco
e que se estiola pouco a pouco!…
Ó!…
Como é triste ser, apenas, um!
UM!…
Um ser que vive, tão só a sua vida,
sem participação,
sem outro coração
que divida a sua dor ou alegria
nesse mundo tão cheio de magia!…
Como é triste ser só!
Ó Cristo
Dá-me força para saber ser só,
e ter consciência que existo.
Que sou, apenas, UM
em meio a multidão!
Todos passam indiferentes…
Sou um ponto no meio dessa gente
que não me olha
que não divide nem sente
meu sofrer nesse instante
em que a alegria ronda-me
pela boca dos outros…
Ó! Cristo Jesus
Conforta-me. Mitiga minha dor!
Mostra-me a Tua afeição,
Dá-me um lenitivo.
Abra-me os Teus braços
e me estreitas no Teu coração!…

Júlio Augusto de Siqueira, vitoriense, nascido a 19 de março de 1920. Filho de Elvira e Joaquim Augusto de Siqueira. Estudou no “Colégio Santo Antão” e na “Academia de Comércio da Vitória”, não concluindo, porém, o curso comercial. Desde cedo começou a escrever na imprensa local, e posteriormente, na do Recife O DIA, JORNAL PEQUENO e, acidentalmente, no DIÁRIO DE PERNAMBUCO. Vérseja acidentalmente. Jornalista e orador.

Momento Cultural: OLHOS AZUIS – Por Rejane Dutra Santos

Olhos azuis que olham pra mim, com tanta pureza.
Que brilham, como um brilhante,
cheios de alegria e de vida.
Você menina dos meus olhos.
Você vida da minha vida.
Ser do meu ser.

De olhos azuis, tão ternos e tão meigos.
Posso até compará-los com a beleza do céu ou do mar.
Você minha filha, ainda um bebê,
que fala comigo, numa linguagem sem som, apenas com brilho.

O brilho dos seus olhos.
Anjo de pureza, reflexo de amor.
Meu belo bebê, minha pequenina filha,
Meu anjo, minha alegria.

Rejane Dutra Santos

Momento Cultural: Martha de Holhanda

Foto: Enciclopédia Nordeste

Foto: Enciclopédia Nordeste

Espasmo… Vertigem do sétimo sentido do sol,
nos braços da terra…
Espasmo… O silêncio desvirginizando o tempo
no leito das horas…
Espasmo… A orgia da vida, na bacanal da morte…

Meu amor! Espasmo…
O meu beijo na tua boca…
Meu amor! Espasmo…
O teu beijo na minha boca…

Espasmo… A noite estava, com as estrelas,
arrumando o céu, para receber o dia.
O luar veraneava, longe, levando a sua bagagem de luz
E as ventanias passavam, correndo, para assistir ao
parto prematuro da primeira aurora.
E eu me desfiz dentro de mim…

Espasmo… A natureza parecia enxugar o seu vestido
cor de ouro debruado de azul, hemoptise do poente.
As nuvens voltavam, cansadas do trabalho das trajectórias,
a tomavam a rua das trevas.
Os pássaros acabavam de dar o seu último concerto do dia
na ribalta dos espaços, e recolhiam-se felizes nos bastidores
das folhas.
E eu me procurei em ti…
Espasmo… As raízes entregavam-se à terra,
para a eterna renovação dela mesma.
Os elementos tocavam-se na confusão das origens,
O éter, na elasticidade, dobrava-se
volatizando-se por todo o universo.
E, eu, te senti em mim.

Martha de Holanda, vitoriense, filha de Nestor de Holanda Cavalcanti e de Matilde de Holanda Cavalcanti, nasceu a 20.III.1909 e faleceu no Recife a 24.VI.1950. Casou-se com o poeta Teixeira de Albuquerque aos 8.XII.1928.

MOMENTO CULTURAL: MÃE – por Severina Andrade de Moura

severina moura

Minha mãe não morreu
Porque se eternizou
Em cada filho seu.
Em cada neto e bisneto.
As mães não morrem,
apenas marcam
Temporada, marcam vidas
Marcam momentos,
Eventos, fazem história,
alcançam vitórias
Vencem obstáculos
Lutam e tiram pedras
Fazem papel de ponte
Entre marido e filhos.

As mães são fontes
De luz a iluminar
As vidas de todos os filhos.
Minha mãe, eu nunca
vou esquecer sua força,

sua garra, seu amor;
suas lições de vida;
“Tem calma que tudo passa”
Quem tem mãe é menino,
Mesmo sendo velho.

Eu era rica e não sabia,
De apoio e conforto.
Eu tinha onde me abastecer
Onde buscar uma palavra
Que me era dada

De graça, da maior
Das psicólogas “A mãe”
Eu tinha orações diárias
– Ofício de Nossa Senhora –
Rezado por minha mãe.

Para proteger os filhos.
Quem ainda tiver mãe,
Dobre os cuidados
Por ela
Porque eu pensava
que minha mãe não morria

Ouvia falar de longe
A lacuna de não ter
Uma mãe
Agora só me resta
Uma cousa: Rezar por ela.

Profª Severina Andrade de Moura, nasceu em Vitória de Santo Antão. Foram seus pais: José Elias dos Santos e Doralice Andrade dos Santos. Viúva de Severino Gonçalves de Moura, com quem se casou em 1962. Fez o curso Pedagógico no Colégio N. S. da Graça. Lecionou em Glória do Goitá e Carpina. Concluiu Licenciatura Plena em Letras em Caruaru (1976). Pós-graduação em Língua Portuguesa na Univ. Católica (1982). Ensinou em várias escolas estaduais e municipais na Vitória e ensina atualmente na Escola Agrotécnica e na Faculdade de Formação da Vitória de Santo Antão. Poetisa por vocação. Colabora na imprensa local.