Momento Cultural: ASAS DO CORAÇÃO – Por Egidio T. Correia

Um poeta tem FOGO no cérebro,
Tem ASAS no coração,
Um foguete espacial
Quando chega inspiração.
Trouxe consigo um destino,
Viajar no infinito
Estando alegre ou aflito,
Quando tem, ou não, razão.
Seu combustível é um verso
Estreitando o universo
Polindo imaginação.
Ou pra registrar sentimentos
Com a caneta na mão.

Egidio T. Correia é poeta.

Momento Cultural: OLHOS BIZARROS – por Teixeira de Albuquerque

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Olhos de feiticeira, olhos de graça,
olhos encomendados no Japão,
olhos de grilo, de mulher brejeira,
olhos de luz, de sombra, de ilusão.

Olhos de sol, de sol ou de fogueira?
olhos de rosa, de interrogação
olhos de urtiga, olhos de laranjeira,
olhos de queimar cheios de emoção.

Os meus sonhos, em vós, cantam a Gueixa
e pensam em compor uma sonata
cheia de amor, de idílios e de queixa

De vossa dona que é a vossa nata,
– deixa-me repousar um pouco, deixa,
à sombra dessa, pálpebra que mata.

“O LIDADOR” 29.V.1926

José Teixeira de Albuquerque, nasceu na fazenda Porteiras, Vitória de Santo Antão aos 23 de agosto de 1892. Seus pais: Luiz Antonio de Albuquerque e Dontila Teixeira de Albuquerque. Estudou medicina na Faculdade da Bahia, porém desistiu do estudo no 3º ano. Casou em segundas núpcias com a conterrânea Marta de Holanda, também poetisa e escritora. Publicou o livro de versos MINHA CASTÁLIA e colaborou em várias revistas e jornais; tanto da Vitória como do Recife. Foi funcionário do Arquivo da Diretoria das Obras Públicas do Estado,com competência e zelo. Faleceu no Recife, no dia 2 de outubro de 1948. Não deixou filhos. Sua morte foi muito sentida entre os intelectuais, que não se cansaram de elogiar sua prosa e seus versos.

Momento Cultural: FINALIDADES – por Henrique de Holanda

Henrique de Holanda Cavalcanti (3)

Não te enfades com a dor que te crucia o peito,
Dize sempre bendita a angústia que te cobre,
pois não é de estranhar que exista igual proveito
entre um sol a nascer e um dia que se encobre.

Se alguém te faz sofrer, bendize o que foi feito.
Que nunca, ao desespero, o teu brio se dobre.
Perdoar… esquecer… e há nada mais perfeito?
Há ventura tão grande e vindita tão nobre?

Repara no caminho: entre cardos e flores,
sob névoas aqui, e ali sobre esplendores,
a estrada é a mesma… a trilha é uma só…

Lá no fim, não se vê do limite a distância
tudo se congregou numa só substância
a que chamamos TUDO e que se chama PÓ.

“O LIDADOR” 28.X.1933

Momento Cultural: A Balsa – por Stephem Beltrão

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Lembro-me, pequeno passageiro,
a primeira travessia.
Na minha pequena cabeça,
O cabo de aço, a balsa
não suportaria.

Passei pelo antigo trapiche
da velha fábrica de gelo.
Meus desesperos se afastavam
do barco, junto com um banzeiro.

Prestava bem atenção
na espuma deixada pela chalana
amarrada atrás da balsa.
Girava como minha imaginação,
tal qual, o cabo na roldana.

A outra margem do rio
parecia o outro mundo.
Achava que nunca conseguiria
completar aquela
travessia.

Ao chegar, enfim, a margem,
um marinheiro a corda jogou,
amarrando a balsa ao cais,
dando fim à viagem.
E, como um sonho,
a travessia acabou!

Stephem Beltrão  

Momento Cultural: QUEIXUMES – por Corina de Holanda

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Ternas mães que estreitais ao quente seio
um filho idolatrado,
eu vos contemplo da saudade em meio
lembrando o meu passado.

Tu que possuis, feliz, para aquecer-te
os carinhos de mãe,
com ela te oculta onde não chega a ver-te
o olhar de quem não tem.

Abraça-te a esse ser que é teu tesouro,
dissolve-te em carícias,
e não troques, jamais, essas delícias,
pelo mais fino ouro.

Mas, em meio de tanta felicidade,
viva sempre a lembrança
desses tristes que vivem na orfandade,
sem luz, sem esperança.

Arquivo da Família.

Momento Cultural: APRENDIZ DE MIM – por Valdinete Moura

Este é meu mundo encantado
no qual você também pode entrar.

Então meu mundo passa a ser nosso.

E, levados pela imaginação poderemos ir
a qualquer lugar
dentro ou fora de nós.
Não conhecemos limites.

Porque Eu sou Eu e
Você seja lá quem for é a
Pessoa mais importante do Mundo
porque é com você que estou agora.

do livro “Voz Interior”.

Maria Valdinete de Moura Lima, filha de Manoel Severino de Lima e de Lindalva de Moura Lima, nasceu em Vitória de Santo Antão. Bacharela e Licenciada em Letras. Professora de Português da Faculdade de Formação de Professores da Vitória de Santo Antão. Poetisa e contista, tem um livro publicado VOZ INTERIOR – 1986. Tem vários prêmios, entre os quais: José Cândido de Carvalho, contos: Jeová Bittencourt, contos, menção honrosa (Araguari, MG). Concursos promovidos pelo “Timbaúba Jornal”, contos e poesia. É membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência.

Momento Cultural: CONSELHOS – por José Miranda

Jos+® Tiago de Miranda

Vê qual a mulher, mas sem hipocrisia,
que tem a tua alma ou a tua afeição,
e que a vida ilumine-te de poesia…
As mulheres p’ra o amor têm fascinação!

Faze-a tua esposa, tua alegria.
Com ela partilha na vida a ilusão.
Casa-te. No lar a alma não é vazia.
No amor bastardo é que se acha a perdição.

A mulher é flor que se deve colher
com a alma, porque só para o amor existe…
Nunca o amor volutuoso procures ter.

Ama… O amor a descrença fez menos triste.
Fugir deves, se queres viver contente,
do corpo da mulher possuir somente!

José Tiago de Miranda, vitoriense, nascido a 9 de junho de 1891 e faleceu a 29 de maio de 1960. Foi professor primário na Vitória, em Moreno e em Limoeiro, exercendo, em todas as cidades, o jornalismo. Foi proprietário e diretor de O LIDADOR a partir de 1932 até sua morte. Cronista, poeta e jornalista de alto valor. Seus filhos (Ceres, Péricles e Lígia) reúnem em volume muitas de suas crônicas e poesias, em livro “Antologia em Prosa e Verso”, comemorando o centenário de seu nascimento, aos 9 de junho de 1991. Do casamento, com D. Herundina Cavalcanti de Miranda, houve ainda um filho, Homero, falecido logo após a morte do Prof. Miranda.

Momento Cultural: AI DE MIM E MEU POVO – por Egídio Timóteo Correia

Não é a minha intenção ser “um fiscal do mundo”, um “reclamador”, um “aponta defeitos”… Entretanto, sou um cidadão que gosta de se informar. Vejo exemplos que gostaria de seguir, e, vejo exemplos que não gosto de seguir. Vejo reportagens de países e cidades civilizadas, e como sou um amante dessa cidade VITÓRIA DE SANTO ANTÃO, que me viu nascer, gostaria que ela fosse exemplo bom, para o resto do Brasil e do mundo. Por isso fico triste quando observo maus-tratos contra a minha cidade Por parte dos próprios cidadãos. Por falta de outro recurso, uso meus versos e poesia na tentativa de sensibilizar a quem ainda não percebeu que uma cidade civilizada. depende antes de qualquer coisa, do seu próprio povo.

Entre outras poesias com o título ( por uma cidade melhor) escrevi esta:

AI DE MIM E MEU POVO

Vê nas paredes dos muros
Dizeres ou pichações,
Isso mostra que meu povo
Carece de educação.
Vê o barulho nas ruas
Fazendo poluição,
Isso mostra que meu povo
Não tem boa educação.
A violência presente
Enlutando a nação,
Matar por qualquer besteira
É falta de educação.
O lixo jogado nas ruas
Pelo próprio cidadão
É triste saber que o povo
É pobre de educação.
Velhos, crianças, mulheres,
Sem a devida atenção
Sinal que devemos todos
Ter melhor educação.
Nossos líderes e governantes
Envolvem-se em corrupção
Quando nos falta a moral
Ta faltando educação
O que faz o meu Brasil tão rico
Não ser a grande nação?
Só há uma explicação:
Riqueza só não basta

Tem que haver educação.

Egidio T. Correia é poeta.

Momento Cultural: Os Sinos – por Stephem Beltrão

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Ouvi um sino na terra
Ouvi um sino no mar
Era um sino no vento
Era um sino no ar

Ouvi um sino na torre
Ouvi um sino no trem
Era um sino do mundo
Era um sino do além

Ouvi um sino no porto
Ouvi um sino no cais
Era um sino de guerra
Era um sino de paz

Ouvi um sino na porta
Ouvi um sino na praça
Era um sino de choro
Era um sino de graça

Ouvi um sino de manhã
Ouvi um sino de tarde
Era um sino de frei
Era um sino de frade

Ontem, um sino ruiu
Só sobrou cinza e pranto
Hoje, um sino soou
Soou, mas não soou tanto

* Premiada no I Concurso Literário A Gazeta dos Sinos, Campo Bom, RS, 2004.

 Stephem Beltrão  

Momento Cultural: TRIBUTO A OSMAN LINS – por Egídio Timóteo Correia

Por que, cidadão vitoriense,

Você não valoriza o que é seu?

Por que, se para alguém acontecer,

É preciso dizer “Adeus”

E ser reconhecido lá fora.

Descubra sua cultura agora,

Valorize sua cultura, primeiro.

Não deixe que estado ou país estrangeiro

Faça isso por você.

Sábio não é exportar talentos.

Só um povo sem sentimentos

Não consegue ficar atento

E preservar o que é seu.


Egidio T. Correia
 é poeta.

Momento Cultural: OS TEUS SINAIS, MEU DEUS! – por Ir. Leonor Paes Barreto

LEONOR PAES BARRETO

Eu vejo os Teus sinais na concha azul dos céus,
quando minh’alma estática, suspensa,
contempla os turbilhões de estrelas que relumbram
na esfera imensa

eu vejo os Teus sinais no perpassar do vento,
ora manso favônio, ora tufão;
no sol – alampadário a iluminar do mundo
a escuridão.

Eu vejo os Teus sinais, meu Deus, na placidez
das noites polvilhadas de luar;
nos arrancos do mar, espumando sanhudo.
a regougar.

Eu vejo os Teus sinais na fecundez da terra
nas campinas, nos prados, nas florestas
onde pia, chalrea o passaredo alado,
cantando em festa.

Eu vejo os Teus sinais nos picos altaneiros
que sobem, sobem, as nuvens tocar,
parecendo que vão assim rasgando o espaço,
o céu a voar.

Eu vejo os Teus sinais, meu Deus, no sofrimento.
que para a alma é graça, é redenção;
na dor que purifica e transcendentaliza
o coração.

Leonor Paes Barreto, irmã beneditina, nasceu na Vitória de Santo Antão. Exímia musicista, poetisa e religiosa exemplar.

Momento Cultural: APRENDIZ DE MIM – por Valdinete Moura

Não sei porque é
que às vezes
fico assim tão diferente
desconhecida de mim.
O mundo parece grande
igual a imensa bola
e eu pequenino grão.
Mas tem também outro dia
em que a enorme sou eu.
Por quê?
Por que será que é assim
tamanha a variação?
Hoje alegre, amanhã triste,
bela a tarde, monstro ao dormir?
E tem ainda o instante
em que a velhice ataca.
Que aconteceu à infância,
juventude, adolescência?
Por que tanto tempo agora
se era tão pouco atrás?
Por quê?
Por que será que é assim?
Então eu fico cismado
buscando pra indagação
a resposta verdadeira.
E descubro.
Descubro com emoção
que o motivo tamanho
de tanta variação
é que sou gente, minha gente.
Sabem vocês certamente
o que a gente ser gente
neste mundo encantado?
É fazer parte da vida,
é ser dia, é ser noite,
ser água, vento, luar,
ser sol de verão ardente,
e flores da primavera.
Ser mesmo as quatro estações
quem sabe no mesmo dia?
Ser o bebê que adormece
no colo quente da mãe
ou o velhinho que recorda
o tempo que já passou
com os olhos cheios de luz
buscando o que ainda vem.

Tudo isto e muito mais.

Ser gente é ter o Universo
Todinho dentro da gente.
É trazer dentro do peito
A festa da criação.

do livro “Voz Interior”.

Maria Valdinete de Moura Lima, filha de Manoel Severino de Lima e de Lindalva de Moura Lima, nasceu em Vitória de Santo Antão. Bacharela e Licenciada em Letras. Professora de Português da Faculdade de Formação de Professores da Vitória de Santo Antão. Poetisa e contista, tem um livro publicado VOZ INTERIOR – 1986. Tem vários prêmios, entre os quais: José Cândido de Carvalho, contos: Jeová Bittencourt, contos, menção honrosa (Araguari, MG). Concursos promovidos pelo “Timbaúba Jornal”, contos e poesia. É membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência.

Momento Cultural: NOTURNO DA PRAIA DOS MILAGRES – por José Tavares de Miranda

José Tavares de Miranda

Esses navios, que passam na noite,
são navios perdidos no além
são navios de piratas, marinheiro,
doudas fragatas que vão e que vêm.

São navios a vela
Bergantins, Brigues, Caravelas,
velozes, breves, fugazes,
perdidos para sempre sem roteiro.

Todos passam na amplidão do mar,
nessa noite escura de pressentimentos,
francamente alumiada por velhos candeeiros.

Lá vão os piratas heróicos,
os que mancharam de sangue as águas com seus alfanjes,
os loucos comandantes abandonados, sem remissão,
alucinados no meio das águas,
nessa noite de incrível escuridão,
a procura de marujos naufragados
noutras noites de abandono, sem perdão,
pedindo à Mãe dos Navegantes
o encontro de saudosos irmãos.
Esses navios que passam, marinheiro,
são navios perdidos na além;
são navios de esquecidos guerreiros
que procuram, que buscam alguém.

(em TAMPA DE CANASTRA)

José Tavares de Miranda, vitoriense nascido a 16 de novembro de 1919, filho do Prof. André Tavares de Miranda. Fez os primeiros estudos na Vitória, sob os cuidados do seu genitor, e transferiu-se para o Recife, onde teve grande atuação na imprensa. Mudando-se para São Paulo, ali concluiu o seu curso de Direito (iniciado na Faculdade de Direito do Recife) na Faculdade de Direito do Largo S. Francisco, em 1939. Escritor, jornalista e poeta. Teve vários livros publicados inclusive de poesias, sendo estes últimos reunidos em um só volume: TAMPA DE CANASTRA. Faleceu em São Paulo (Capital) a 20 de agosto de 1992.

Momento Cultural: O PRIMEIRO POETA – por Adão Barnabé

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O sol nasceu, brilhou por todo o mundo,
(quarto dia feliz da Criação),
do pináculo da terra ao vale imundo,
iluminou a Santa Geração…

e Deus criou Adão no sexto dia
mas, desgraça tão grande, azar profundo…
era tarde, o sol já ia se escondia,
acordou, bocejando, o vagabundo…

e quedou aterrado, soluçando,
sabendo que o Senhor… e bem sabia
estivera sua incúria observando.

Nem por isso ficou desesperado…
tinha a Lua, a Mulher e bem podia
ser poeta… e o foi muito inspirado.

(do arquivo da família)

Adão Barnabé

ISSO É UM BARATO – por Egídio Timóteo Correia

Por aí estes momentos,
Que se encontram e se enrolam no tempo
Por si só, são julgamentos.

Pelas esquinas partidas
Pelas vidas vividas
Pelos grandes e pequenos momentos.

Pelos atos, pelos fatos, pelo destrato, pelos contratos.

Pelos passos, dos nossos passos.
Porque temos ou não, embaraços.

Pelo forte, pelo fraco, pelo pobre, pelo ricaço.
Pelo frigir dos ovos, pelos lavar dos pratos.

Pelo vaidoso, o orgulhoso, o humilde, o arrogante.
Pelo sábio ou o ignorante
Pela troca constante.
Por que todos nós somos guias ou cegos errantes.

Porque este universo não é obra minha
Nem é criação sua
Porque eu e você somos passageiros
Se somos ou não mensageiros
Estamos nós, no mesmo barco.
Por esse mistério todo
Por todo esse aparato,
É que essa vida toda
É um tremendo barato…

Egidio T. Correia é poeta,
membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência.

Momento Cultural: CONSELHO PATERNO – por Teixeira de Albuquerque

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Ó meu filho, sê bom. Essa virtude
é que na vida te fará ditoso.
Conserva, pelo amor, tua saúde,
sê cordato, sê manso e prestimoso.

Repara que o egoísmo nos faz rude
e que nos faz também ser orgulhoso.
É preciso vigor, se não te ilude
o desejo da carne que é teimoso.

Ora. E tu deves orar de coração.
Trabalha com fervor e com vontade.
Mas é preciso teres atenção:

o trabalho só dá felicidade
se o produto que sobra a esquerda mão
a dextra o mande para a caridade.

a “Minha Castália”

José Teixeira de Albuquerque, nasceu na fazenda Porteiras, Vitória de Santo Antão aos 23 de agosto de 1892. Seus pais: Luiz Antonio de Albuquerque e Dontila Teixeira de Albuquerque. Estudou medicina na Faculdade da Bahia, porém desistiu do estudo no 3º ano. Casou em segundas núpcias com a conterrânea Marta de Holanda, também poetisa e escritora. Publicou o livro de versos MINHA CASTÁLIA e colaborou em várias revistas e jornais; tanto da Vitória como do Recife. Foi funcionário do Arquivo da Diretoria das Obras Públicas do Estado,com competência e zelo. Faleceu no Recife, no dia 2 de outubro de 1948. Não deixou filhos. Sua morte foi muito sentida entre os intelectuais, que não se cansaram de elogiar sua prosa e seus versos.

Momento Cultural: LUZ – por Corina de Holanda

corina-de-holanda-cavalcante

Quando Deus quis formar o mundo, soberano,
começou por fazer das trevas o inverso:
“Fiat Lux” disse Ele, em tom sobrehumano.
E a luz tornou-se assim senhora do universo.

Eis que “só de luz vive o espírito humano”.
Nem podia viver na escuridão imerso
tendo sido de Deus o primitivo plano
sobre bases de luz assentar o universo.

Repercutindo forte a suprema ciência
novos mundos criou a humana inteligência
baseados na luz que o cérebro ilumina.

Fora dela, se esvai a mais urbita trama.
Quem marchar pretender sucumbirá na lama
porque a Luz tem em Deus sua fonte divina.

Corina de Holanda Cavalcanti, vitoriense, filha do casal Joaquim (Olindina) de Holanda Cavalcanti. Professora, soube incutir na alma de seus inúmeros alunos as lições culturais, religiosas e morais. Católica fervorosa, deixou um sem número de poesias e escritos religiosos em A VOZ PAROQUIAL e na imprensa local. Faleceu em 20 de janeiro de 1973.