Fique um momento comigo,
A vida inteira.
E quando me perceber triste,
Diga aquela palavra
Que só você sabe
Não fazer sentido
Em outra boca.
José Bezerra de Oliveira é poeta.
A dança do vento frenética não pára. E nessa
alucinação me envolve o corpo que treme e se
arrepia. Me desmancha os cabelos que entram
pelos olhos e penetram em minha boca, buscando
beijos úmidos de amor.
E o vento louco passa levando tudo para longe.
Tudo menos essa ânsia imensa, esse desejo
Insano de carícias e afeto.
O vento passa e leva tudo. Tudo mas deixa em
meu corpo a certeza da saudade e a imensidão
do desejo.
“Voz Interior”
Maria Valdinete de Moura Lima, filha de Manoel Severino de Lima e de Lindalva de Moura Lima, nasceu em Vitória de Santo Antão. Bacharela e Licenciada em Letras. Professora de Português da Faculdade de Formação de Professores da Vitória de Santo Antão. Poetisa e contista, tem um livro publicado VOZ INTERIOR – 1986. Tem vários prêmios, entre os quais: José Cândido de Carvalho, contos: Jeová Bittencourt, contos, menção honrosa (Araguari, MG). Concursos promovidos pelo “Timbaúba Jornal”, contos e poesia. É membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência.
Eu sofro porque sou balança
equilíbrio entre o cheio e o vazio.
Paredão onde acham confiança
homens de bem, mulheres de brio.
Ouço de lá e de cá os desabafos.
Fico no meio, entre a cruz e a espada.
Não quero destruir jamais, os laços
que se criaram em longas caminhadas.
Às vezes sou mal interpretada.
Que importa! Jesus também o foi
Quero ser útil em toda minha estrada
E quando eu me for, quero que digam
nela eu tive uma grande aliada
e se esquecer de mim jamais consigam.
Profª Severina Andrade de Moura, nasceu em Vitória de Santo Antão. Foram seus pais: José Elias dos Santos e Doralice Andrade dos Santos. Viúva de Severino Gonçalves de Moura, com quem se casou em 1962. Fez o curso Pedagógico no Colégio N. S. da Graça. Lecionou em Glória do Goitá e Carpina. Concluiu Licenciatura Plena em Letras em Caruaru (1976). Pós-graduação em Língua Portuguesa na Univ. Católica (1982). Ensinou em várias escolas estaduais e municipais na Vitória e ensina atualmente na Escola Agrotécnica e na Faculdade de Formação da Vitória de Santo Antão. Poetisa por vocação. Colabora na imprensa loca.
As presas de ferro
Patas de leão
Canta com berro
(Meu cajado na mão)
As cores da crina
Rastros de cocaína
Lá vem meu dragão
Trago do ovo
De onde veio Guriatã
Um bicho novo
Mais feio que Satã
Drago garboso
Do corpo escamoso
Patuá Muiraquitã
Êle estrala o pescoço
Não tem asas do lado
Mas voa com o corpo
Silencioso e calado
300 centímetros
Seu nome é Incitatus
Por mim é montado
Não há bicho do Cão
Que seja mais rápido
Veloz é o drago
No espaço comprido
Assobio pra invoca-lo
O canto do Galo
Bicho lindo e sabido
Montaria de Mago
Incitatus, meu garanhão
Mas vê que estrago
Cavalo contra dragão
Uma luta no céu
Luar, meu pincel
São Jorge de espada na mão
Calma são Jorge
Raciocine, use a mente
De você a gente não foge
Mas a luta é descontente
Qual o motivo pra atacar?
E essa cena marcar
Pra estragar a semente
Calma, são Jorge
O mal já passou
Ilustro sua armadura
Veja quem sou
Não venha à luta
Não, JORGE! Escuta
E o Catimbó retesou
“São Jorge voou
São Jorge voou no céu”
Esse rocim é mearas
E tá pra pangaré
Roubaste-o do Haras
Do Rei Tucunaré
Tu és são Jorge
A gente não foge
Vamos lutar em pé
Deixe o seu Cavalo
Êle contra meu Dragão
Assim a luta fica equilibrada
Versos Eu, não há comparação
Vê, você tá de armadura
Eu tenho pouca estatura
Mas me defendo com artes do Cão
Já me atraquei contra anjo
E dei na cara de besta-fera
Não possuo mulher
Medo de bicho que gera
Me decepcionei com você
Pois não tem pra quê
Atacar minha fera
Seu arsenal assassinou
Gárgulas do Castelo
Sátiros, Carrancas
E a Cuca de chinelo
Tente pegar Mato-Flor
Ou desposar Flor-do-Amor
Pra Tupã estrondar Amarelo
Procure os encantados
De tanto brilho quanto você
Deixe Os Seres Imaginados
Ou terei de lhe bater
Não quero inimizade
Não enfraqueça a amizade
Volte pra Lua, dê ré
São Jorge resignado
E cego na fé
Não desceu do cavalo
Que relinchou de pé
São Jorge se armou
A lança perfumou.
(Ele vai ver Incitatus quem é…)
Meu dragão de 3metros
Na constelação de Escorpião
Entrelaçou-se
Rodou feito pião
Saiu como um tiro
Assim me refiro
Preste muita atenção
Certeiros feitos cometa
Cadente estrêla vermelha
São Jorge dizia: – SOPRE FOGO
Meu drago soltou centelha
O cavaleiro canalha
Defendeu-se da fornalha
Com seu escudo de telha
Acariciei suas orelhas
Incitatus mudou de caminho
Na frente do santo
Deu-lhe sem carinho
Com o rabo na cara
Veja que cena rara
O cavalo do levou no focinho
E rápidos, uma luz
Nós fomos embora
Pra não fazer o pior
Pro santo chegou a hora
Ele voltou para a lua
Pra sua fama de rua
Não sair estrada afora
Eu, meu dragão
O drago de mim
Fomos para outra constelação
Aonde santo não vai de rocim
Essa estória é folclore
Avalie e explore
Erva de Fumo ou pirlimpimpim
Rildo de Deus é Escritor e Estudante de Filosofia da UFPE.
Não era assim que queria. Não assim: estômago embrulhado, boca amargando, cabeça rodando. Não assim. Bêbada. Difícil acreditar. Sempre tão certinha, comportada e agora, bêbada. Bêbada como uma qualquer. Qualquer Fulana dos becos e ruas da lama que existem por aí. Sou bêbada chique, conseqüência do uísque escocês do mais puro, moro em um apartamento luxuoso em Copacabana. Nem por isso menos bêbada, menos enjoada… Enjoada de mim, da vida, do mundo… Esse mundo é uma porra! Pronto, disse. Uma bêbada é o que você é e, além de bêbada, pornográfica. Não se envergonha? Jamais pensei que um dia, minha filha… Meu Deus, só falta me chamar de puta. Não, mamãe, não diga assim… Se soubesse, chamaria, talvez até não quisesse mais me ver. Não fale assim, mamãe, eu estou sofrendo. A verdade é que estou bêbada. Nunca fiquei assim antes… só uma pequena dose, socialmente. Pro diabo com o social, estou bêbada e sozinha, ninguém viu quando roubei a garrafa. Quando meu irmão descobrir… na sua festa. Ora, que se fodam todos: meu irmão, minha mãe, todo mundo, o mundo também. E eu de quebra. Que está acontecendo comigo? Nunca usei essas palavras. Mentirosa! Usar, usou, só não falou. Se peca por pensamentos, palavras e ações. Se pensou, pecou. Porra para vocês também. Todos os que enfiaram essas coisas na minha cabeça. Não quero chorar; não, meu Deus, que papel ridículo estou fazendo: bêbada e toda desalinhada. A roupa nova que custou os olhos da cara naquela butique nova, como é mesmo que se chama? A tal butique? Sei lá, qualquer uma chique da Zona Sul. Que se dana a tal butique junto com todo o bairro. O Rio de Janeiro todo. A maquiagem deve estar toda borrada. Não quero… não quero chorar, ficar horrível: bêbada… chorona… bobona… meu Deus, que coisa feia. Feia, coisa nenhuma, feio é o que fiz. Como fui fazer aquilo? Deve-se fugir da ocasião de pecado. Como, se o pecado é tão atraente. O diabo toma formas atraentes para tentar. Para o inferno com o demônio… não acredito em demônio, nem em inferno… inferno é agora… o meu. Merda, estou chorando, estou horrível, não quero, felizmente ninguém me vê. Como pode ver, se fugi, enganei todo mundo, queria ficar só, roubei o uísque. Mentira, não quero ficar só, quero colo, alguém para me consolar, quero meu irmão, ele pode. Quero esquecer, foi tão bom e durou pouco, tão pouco… parecia tanto, tão bom, divino. Por que digo assim? Não devia. É sacrilégio usar o nome de Deus em vão. Ainda mais se tratando de coisa assim. Foi divino, sim. Divino ser puta? Assim que me chamava, sua putinha. Que vergonha, meu Deus. Era tão bom, tão bonito, ficava tão feliz! Menos quando me chamava de putinha, mesmo assim, com carinho, fiquei não sei como, humilhada, ofendida, não sei. Não disse nada, sentia vergonha. Igual às mulheres da rua da Lama que passavam em frente à casa de vovó, lá no interior. Mamãe não falava com elas, nem vovó, nem as senhoras de respeito, se falavam, usavam um tom de superioridade para mostrar o lugar de cada uma. E agora eu me sinto tão mal, tonta. Tonta e chorando, não consigo parar de chorar. Deus, queria gritar, preciso. Queria morrer. Aí, acabava tudo. Mamãe não ia saber de nada e o povo ia dizer coitadinha! Morreu tão nova! Bebeu demais, não tinha costume. Ninguém, ia ficar sabendo de nada. Ninguém sabe; só eu e ele. Ela, será que sabe? Sabe nada! Ele não ia dizer a mulher que ele… que nós… ai, que vergonha! Vergonha, você nesse estado. Não conhece seu lugar? Uma moça de família, mamãe, não mudou nada… quer dizer, quase nada. Ai, meu Deus, não quero pensar, não quero lembrar; ele com ela como se não me conhecesse, tão seguro, como se nós não… Não posso esquecer os dois daquele jeito. Tão apaixonados e eu… pensei que ia morrer, cair ali mesmo e ele tão seguro. Não quero lembrar, não quero. Se ao menos eu dormisse antes que alguém chegasse aqui, era como se morresse. Mamãe ia ficar assustada. Que me importa, só me importa eu agora, o resto que se dane, se foda, se qualquer-coisa-de-horroroso, qualquer coisa. Eu quero dormir, esquecer, passar a ressaca. Não quero morrer, ninguém morre disso, tão bom… apesar… sua putinha. Ninguém ficou sabendo, isso passa. E se souber? Merda pra todo mundo, merda pra elite carioca. Bom falar assim. Pensar. Livre. Vou dormir… respiro fundo, isso passa, amanhã é outro dia, respiro fundo, durmo, não estou mais chorando, só com a cabeça doendo… respiro fundo, passa, durmo, respiro… durmo… passa… merda pra… ZZZZZZZZzzzzzzzzzz…………….
Valdinete Moura é escritora e poetisa,
membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência.
Eu bem sei que no gozo da ventura,
é difícil lembrar
esse calix tão cheio de amargura,
que uma mãe quando baixa à sepultura
faz o filho esgotar.
Eu também, como tu, fui descuidada,
e junto à minha mãe,
vivi sempre feliz, sem pensar nada
do filho que a não tem.
Hoje eu não possuo e tenho a mágoa
morando dentro em mim
tenho sempre os olhos rasos d’água
diante d’um quadro assim…
E peço: ó, tu que tens para aquecer-te,
os carinhos de mãe!…
Com ela te oculta onde não chegue a ver-te
o olhar de quem não tem!
Arquivo da Família
Corina de Holanda
Plim Plim! Parece conto de fadas
ou mesmo boato infundado
mas, o que é fato é verdade
e não pode ser contestado:
Diva vai ser vovó
ela que parecia querer
ver em Mano um menino
de repente o viu crescer.
Cresceu deu nova vida
a quem não foi programada
mas que será com certeza
das filhas a mais amada.
Nascendo em tempo tão ruim
onde não se tem esperança,
estou apostando em você
minha doce e terna criança.
De você vou ser vovó
de fadas vou lhe falar
vou cantar mesmo sem voz
lindas canções de ninar.
E a vovó que daria
bolões de feijão e amor,
que hoje é da guarda
você vai levar uma flor.
E no seu mundo encantado
com baleias navegando,
sem guerra e sem fuzis
você vai crescendo pesando:
Que Drumond não morreu nunca
Que Deus é bom e perdoa,
Que a vida já é história
De um pensamento que voa.
Dra. Diva de Holanda Bastos, vitoriense, filha de Manoel de Holanda Cavalcanti e de Noêmia de Andrade de H. Cavalcanti. Professora universitária e odontóloga. Oradora do “Instituto Histórico e Geográfico da Vitória de Santo Antão”. Pertence a uma família de poetas, não poderia deixar de versejar, o que faz com muita graça e beleza.
Não te enfades com a dor que te crucia o peito,
Dize sempre bendita a angústia que te cobre,
pois não é de estranhar que exista igual proveito
entre um sol a nascer e um dia que se encobre.
Se alguém te faz sofrer, bendize o que foi feito.
Que nunca, ao desespero, o teu brio se dobre.
Perdoar… esquecer… e há nada mais perfeito?
Há ventura tão grande e vindita tão nobre?
Repara no caminho: entre cardos e flores,
sob névoas aqui, e ali sobre esplendores,
a estrada é a mesma… a trilha é uma só…
Lá no fim, não se vê do limite a distância
tudo se congregou numa só substância
a que chamamos TUDO e que se chama PÓ.
“O LIDADOR” 28.X.1933
Henrique de Holanda

Os sinos da matriz anunciam milagres
Os pequeninos de Belém
Miraculosos sinos pequeninos
Os sinos de Belém
Já nasceu Deus Menino para o nosso bem
Meus olhos acreditam
Nos milagres que os sinos anunciam
Os milagres prometidos
Os sinos
Despertam o menino
Que se fez poeta
Na esperança de ouvi-los
Proclamarem os milagres Os sinos da minha raiz
Os sinos da Matriz
Stephem Beltrão.
Os teus olhos na viola
tem tanta luz e harmonia
que parece uma vitrola
saudando o nascer do dia.
Teus lindos olhos ao ver
penso ver duas graúnas
cantando no alvorecer
numa gaiola de espumas
Teus olhos são dois faróis
mais belos que as cousas belas.
São mais ainda: dois sóis
de muitos milhões de veias.
Quando as cortinas descerras
teus negros olhos mostrando
parece de longes terras
o Espírito Santo chegando.
As minhas rimas queridas
descobriram tudo isto:
teus olhos – gotas caídas
dos olhos de Jesus Cristo.
Dos teus olhos, minha amada.
tanto fulgor se irradia
que eu já vi enciumada
a própria Santa Luzia.
Dizer deles mais não posso
ceguei de vê-los luzir!
teus olhos – meu Padre-Nosso
minhas pedras de ofir.
Os olhos fez Jesus Cristo
(eu creio que com razão)
para que fossem bem isto:
as pontas do coração.
“O LIDADOR” 17.VII.1926
José Teixeira de Albuquerque, nasceu na fazenda Porteiras, Vitória de Santo Antão aos 23 de agosto de 1892. Seus pais: Luiz Antonio de Albuquerque e Dontila Teixeira de Albuquerque. Estudou medicina na Faculdade da Bahia, porém desistiu do estudo no 3º ano. Casou em segundas núpcias com a conterrânea Marta de Holanda, também poetisa e escritora. Publicou o livro de versos MINHA CASTÁLIA e colaborou em várias revistas e jornais; tanto da Vitória como do Recife. Foi funcionário do Arquivo da Diretoria das Obras Públicas do Estado,com competência e zelo. Faleceu no Recife, no dia 2 de outubro de 1948. Não deixou filhos. Sua morte foi muito sentida entre os intelectuais, que não se cansaram de elogiar sua prosa e seus versos.
Eu te amei tanto…
foste meu tudo:
– um lírio da Judéia
que teceu de perfume um manto
e, bem de leve, de mansinho, mudo,
vendou-me os olhos e envolveu-me a idéia…
E como um passarinho esvoaçante
sobre a minha existência outrora calma,
a mais linda canção tu me ensinaste
porque entraste, cantando, na minh’alma.
Resolveste fugir do meu destino.
Desviaste do meu, o teu caminho
e deixaste, num louco desatino,
meu triste coração sofrer sozinho…
Hoje és somente uma ave sem guarida;
o amargurado sonho que sonhei;
uma folha seca na haste da minha vida,
a cantiga mais triste que cantei…
Henrique de Holanda Cavalcanti, último filho do casal Joaquim-Olindina de Holanda Cavalcanti, nasceu na Vitória (de Santo Antão) aos 7 de março de 1909. Muitíssimo inteligente, desde criança demonstrava seus pendores intelectuais e escrevia pequenas crônicas e poesias para jornais locais. Poeta nato, escreveu muitos poemas, tendo publicado, em 1946 o livro NO BRASIL QUANDO ANOITECE. Faleceu aos 25 de novembro de 1947. Foi publicado, posteriormente, MUITAS ROSAS SOBRE O CHÃO dado o interesse do Prof. José Aragão.
Ei-la aqui derrubada! Esta árvore que outrora
era o ponto melhor dos ninhos da floresta,
vivendo a proclamar a beleza da flora
altaneira, copuda e ramalhuda e erecta.
Farfalhando – acordava os pássaros na aurora
protetora – abrigava os pássaros na sesta…
Então eles cantavam uma canção sonora
uma canção de amor, de gratidão, de festa!
Mas um verme a roer-lhe as fibrosas entranhas
deu-lhe dores cruéis, estúpidas, tamanhas
fazendo-a vacilar… esmorecer e cair…
de pássaros deixando a procissão chorosa!
– José de Barros foi como esta árvore frondosa
deixou Vitória toda enlutada a carpir.
“O LIDADOR” 24.VI.1926
José Teixeira de Albuquerque, nasceu na fazenda Porteiras, Vitória de Santo Antão aos 23 de agosto de 1892. Seus pais: Luiz Antonio de Albuquerque e Dontila Teixeira de Albuquerque. Estudou medicina na Faculdade da Bahia, porém desistiu do estudo no 3º ano. Casou em segundas núpcias com a conterrânea Marta de Holanda, também poetisa e escritora. Publicou o livro de versos MINHA CASTÁLIA e colaborou em várias revistas e jornais; tanto da Vitória como do Recife. Foi funcionário do Arquivo da Diretoria das Obras Públicas do Estado,com competência e zelo. Faleceu no Recife, no dia 2 de outubro de 1948. Não deixou filhos. Sua morte foi muito sentida entre os intelectuais, que não se cansaram de elogiar sua prosa e seus versos.
Se for preciso
Eu serei neném
Adormecerei no teu colo,
Acordarei nos teus braços,
E verei novo amanhecer?
Quem sabe um dia,
Quando precisar
Eu serei criança
E cheio de esperança
E aprenderei contigo
O que mais preciso aprender?
Quem sabe um dia,
Quando precisar
Eu serei mais jovem, e então,
Eu brincarei, rirei, cantarei e chorarei contigo
Crerei em tudo, que podereis crê?
Quem sabe um dia,
Quando precisar
Serei mais maduro
Serei tua esperança e o teu futuro,
Ensinarei tudo
O que quiseres me aprender?
Quem sabe um dia,
Quando precisar,
Serei teu homem
Matarei a fome
Dos seus desejos,
E encontrarei entre teus beijos
Tudo que eu preciso ter?
Que sabe um dia,
Por um tempo, serei teu rei,
Mas também serei teu súdito,
Romântico, sábio e muito arguto,
Envelhecerei?
E, quem sabe um dia, dentro de ti,
Mesmo estando aqui
Eu morrerei?
Ou, quem sabe um dia,
Quando eu partir,
Eternamente dentro de ti,
Eu ficarei e viverei?
Egidio T. Correia é poeta.

Bom dia
Sorria
Hoje é dia de
Paz e harmonia
Bom dia
Alegria
Todo dia é dia de
Alegria
Bom dia
Poesia
Não adie o seu dia de
Alegria e poesia
Do livro “Retratos do Tempo”.
Stephem Beltrão .
Eu bem sei que no gozo da ventura,
é difícil lembrar
esse calix tão cheio de amargura,
que uma mãe quando baixa à sepultura
faz o filho esgotar.
Eu também, como tu, fui descuidada,
e junto à minha mãe,
vivi sempre feliz, sem pensar nada
do filho que a não tem.
Hoje eu não possuo e tenho a mágoa
morando dentro em mim
tenho sempre os olhos rasos d’água
diante d’um quadro assim…
E peço: ó, tu que tens para aquecer-te,
os carinhos de mãe!…
Com ela te oculta onde não chegue a ver-te
o olhar de quem não tem!
Arquivo da Família

A aroeira é o remédio
De Rita.
Sua casca é rara,
Sua raiz é rica.
Rita rega a aroeira,
Lava a raiz e ri,
Pega a casca e rala.
A aroeira é pura.
A aroeira é dura.
A aroeira vive toda vida,
E mais cem anos.
Plante uma aroeira!
Viva a aroeira!
Salve a aroeira!
Morta ela dura
Viva, ela cura.
Stephem Beltrão
A dança do vento frenética não pára. E nessa
alucinação me envolve o corpo que treme e se
arrepia. Me desmancha os cabelos que entram
pelos olhos e penetram em minha boca, buscando
beijos úmidos de amor.
E o vento louco passa levando tudo para longe.
Tudo menos essa ânsia imensa, esse desejo
Insano de carícias e afeto.
O vento passa e leva tudo. Tudo mas deixa em
meu corpo a certeza da saudade e a imensidão
do desejo.
“Voz Interior”
Maria Valdinete de Moura Lima, filha de Manoel Severino de Lima e de Lindalva de Moura Lima, nasceu em Vitória de Santo Antão. Bacharela e Licenciada em Letras. Professora de Português da Faculdade de Formação de Professores da Vitória de Santo Antão. Poetisa e contista, tem um livro publicado VOZ INTERIOR – 1986. Tem vários prêmios, entre os quais: José Cândido de Carvalho, contos: Jeová Bittencourt, contos, menção honrosa (Araguari, MG). Concursos promovidos pelo “Timbaúba Jornal”, contos e poesia. É membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência.
Para vivermos nós contentes pela vida
sem essa mágoa que tortura tanto a gente
da culpa de Eva no Édem, um dia nascia.
O Senhor deu-nos a ilusão constantemente.
Quanto seria: a alma por tudo entristecida
e o coração ensimesmado e até doente
se a ilusão fosse deste pélago banida
se não houvesse, não o sonho doce e ingente!
De assalto sem se esperar conta do destino
a ilusão toma para nos dar prazer na dor
para nos fazer o espiamento pequenino.
Da nau de crença a vela enfuna com vigor
e fortifica quando sofre, o coração:
toda beleza está da vida na ilusão.
José Tiago de Miranda, vitoriense, nascido a 9 de junho de 1891 e faleceu a 29 de maio de 1960. Foi professor primário na Vitória, em Moreno e em Limoeiro, exercendo, em todas as cidades, o jornalismo. Foi proprietário e diretor de O LIDADOR a partir de 1932 até sua morte. Cronista, poeta e jornalista de alto valor. Seus filhos (Ceres, Péricles e Lígia) reúnem em volume muitas de suas crônicas e poesias, em livro “Antologia em Prosa e Verso”, comemorando o centenário de seu nascimento, aos 9 de junho de 1991. Do casamento, com D. Herundina Cavalcanti de Miranda, houve ainda um filho, Homero, falecido logo após a morte do Prof. Miranda.