
Tirar o desestimulado Vagner Love, para não ser vaiado, avacalhado, achincalhado, e Diego Souza, para não ficar na frente de quem quer jogar. No mais, orar, para não ser vítima da Síndrome do Botafogo.
Sosígenes Bittencourt


Tirar o desestimulado Vagner Love, para não ser vaiado, avacalhado, achincalhado, e Diego Souza, para não ficar na frente de quem quer jogar. No mais, orar, para não ser vítima da Síndrome do Botafogo.
Sosígenes Bittencourt


Como efeito das mais recentes ações da gestão municipal, no tocante ao desmatamento urbano, advogados – membros de uma das comissões da OAB – Vitória de Santo Antão – ingressaram com uma ação popular na justiça.
Acolhida, os primeiros despachos do magistrado seguem no sentido dos esclarecimentos por parte dos gestores em questão. Já com prazos e multas estabelecidas, a prefeitura, doravante, deverá, entre outras informações, detalhar a lista de todas as árvores e espécies que foram cortadas no município, durante os últimos anos.
Abaixo, portanto, segue as informações completas:




Célio Meira – escritor
No bairro recifense de São José, onde há, ainda, ruas estreitas e tortuosas, que trazem, ao espirito dos estudiosos, a recordação histórica do Recife, ao tempo da colônia, nasceu, no dia 4 de janeiro de 1862, Claudino Rogoberto Ferreira dos Santos, uma das figuras que mais elevaram, e enobreceram, no sul do país, o nome de Pernambuco. Discípulo querido de Tobias Barreto, companheiro inseparável, no dizer do ilustrado historiador Sebastião Galvão, de Arthur Orlando, de Clóvis Bevilaqua, de Afonso Olindense, de Nilo Peçanha, conquistou, aos 24 anos de idade, a carta de bacharel em direito, na companhia de Epitácio Pessoa, de Alfredo Pinto, o futuro ministro de Epitácio, do vitoriense José Rufino Bezerra Cavalcanti, de Graça Aranha, de Júlio de Melo, de Castro Pinto e de Metódio Maranhão.
Cursava o segundo ano de, na Faculdade de Direito do Recife, quando publicou o “Estatuarias”, livro dos primeiros versos, com um prefácio de Faelante da Câmara, entregando, mais tarde, às livrarias, o “Ebulições” e o “Sons e Brados”. Poeta de delicada sensibilidade, jornalista vigoroso, teve Claudino dos Santos, brilhante atuação, na imprensa pernambucana, fundando, em 89, no Recife, narra aquele historiador, o “Diário de Notícias”.
Diplomado, iniciou-se na advocacia, deixando-a, em breve, para seguir a magistratura, no Estado do Paraná, cenário grandioso de sua vida breve. E luminosa. Doutrinando a “A Federação” , aderiu, em 93, ao movimento revolucionário de Custódio, de Saldanha e de Gumercindo Saraiva, e, derrotado, conheceu o amargou do exílio, na Argentina. Anistiado, regressou à carinhosa terra adotiva, onde fundou o “Colégio Paranaense”, escrevendo, a esse tempo, os “Primeiro e Segundo Livros de Leitura”.
Restabelecida a ordem pública, e realizado o congraçamento dos partidos, surgiu Claudino, na arena política, e nos altos postos da administração. Foi secretário da Aviação, diretor da Instrução Pública e secretário da Justiça. Revelando, nesses cargos, elevação moral, e cultura rutilante, confiou-lhe o governo, com os aplausos do povo, a prefeitura da formosa Curitiba. E não perdeu, esse pernambucano ilustrado, nunca, a admiração dos seus governados. Administrou com justiça e honestidade.
Dirigia, Claudino, o barco do município curitibano quando se sentiu doente, submetendo-se a uma operação difícil. Os médicos entenderam, porém, que ele devia operar-se, de novo, no Rio de Janeiro. E ele partiu.
Não voltou a rever a terra de suas afeições. Morreu. E sete dias depois, em fevereiro de 1917, Curitiba recebeu o cadáver embalsamado do grande recifense, nascido no bairro de São José. E sepultou-o, chorando à sombra dos pinheiros. (1)
Célio Meira – escritor
(1) Transcrita no Jornal “O Dia”, de Curitiba, edição de 10 de janeiro.
LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reuno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica. Setembro de 1939 – Célio Meira.





“Quando penso em você
Fecho os olhos de saudade”
Quem nunca cantou fundo esse clássico da mpb que ganhou o país na voz inconfundível de Raimundo Fagner?
O que pouca gente sabe, porém, é a polêmica por trás dele.
Fagner lançou Canteiros em 1973, como uma faixa do seu disco de estreia.
Todavia, cometeu um deslize: omitiu que a estrofe que abre o nosso retalho de hoje havia sido inspirada no poema Marcha, escrito por Cecília Meireles.
Em 1977, voltou atrás e registrou a poetisa como coautora da letra, o que, no entanto, não impediu uma ação judicial movida pelas filhas da escritora.
Dois anos depois, em 1979, Fagner admitiu, em juízo, que havia tentado fazer uma adaptação do poema Marcha.
Em 1983, as filhas de Cecília Meireles venceram a ação judicial, cabendo ao cantor, às Edições Saturno e às gravadoras Polygram, Polystar e Polifar o pagamento de uma indenização de 101 mil cruzeiros, por violação de direitos autorais.
O litígio só findou mesmo em 1999, quando a gravadora Sony Music fez um acordo com as herdeiras envolvendo a regravação da canção no primeiro álbum ao vivo de Raimundo Fagner.
Para que cada um tire as suas próprias conclusões, segue a primeira estrofe do poema Marcha:
“Quando penso no teu rosto, fecho os olhos de saudade
Tenho visto muita coisa, menos a felicidade
Soltam-se meus dedos tristes
Dos sonhos claros que invento
Nem aquilo que imagino
Já me dá contentamento”
Finalmente, foi plágio ou não?
Cada um tire as suas próprias conclusões!
Se viva estivesse, Cecília Meireles estaria completando, hoje, 7 de novembro, 122 anos. 🙏🏼
.
Siga: @historia_em_retalhos
https://www.instagram.com/p/CzWvVnYuPLZ/?igshid=MXhjYjFpMHR2ajUxNQ%3D%3D


Foto registrada durante o aniversário de 50 anos de “seu” Zito Mariano, realizado em junho de 1978, na Capela de São João Batista. Na foto, Padre Renato e, ao fundo, entre outros, “seu” Zé Mariano, pai do aniversariante.


Em comitiva do nosso Instituto Histórico e Geográfico, na noite de ontem (06), prestigiamos o lançamento do livro – “UMA VIAGEM DE VOLTA AO MUNDO DA MINHA ALDEIA” -, escrito pelo bem relacionado doutor Silvio Amorim. O evento ocorreu nos jardins as APL – Academia Pernambucana de Letras.
Em rápida leitura, já “descobri” que o “cupido protagonista” do romance dos pais do doutor Silvio – João e Diva – foi o pedido de uma copo d’água, numa tarde de calor, em um balcão de uma determinada farmácia da nossa Vitória de Santo Antão, lá, nas primeiras décadas do século próximo passado.
Em 50 crônicas das mais variadas, com títulos convidativos, o livro nos fornece uma leitura leve e agradável.

Recheadas de sentimentos, aventuras e muitas experiências vividas, tanto no campo pessoal quanto no familiar, como uma viagem de turismo à pequena cidade pernambucana de Manari, então considera a mais pobre do Brasil, as páginas da obra também confidenciam, por ocasião da viagem de 112 dias do autor, ao redor do Mundo, “que nenhum terrestre poderia morrer sem conhecer seu Planeta”.
Para concluir, imagino que o livro do doutor Silvio Amorim, em breve, por assim dizer, será a minha próxima viagem literária recreativa.


Há exatos 30 anos, Ronaldo Cunha Lima, então governador da Paraíba, entrava no Restaurante Gulliver, em João Pessoa, com uma intenção: matar a tiros o ex-governador do mesmo estado e seu desafeto político Tarcísio Burity.
Ao se dirigir ao restaurante no bairro de Tambaú, a intenção de Ronaldo era vingar-se publicamente do antecessor e, depois, supostamente, cometer suicídio.
O suicídio jamais aconteceu.
Os tiros foram disparados em reação às supostas críticas que Burity teria feito ao filho de Ronaldo, Cássio Cunha Lima, então superintendente da Sudene.
Isso teria acontecido em uma entrevista, concedida ao vivo, minutos antes, em uma emissora de TV.
Burity foi atingido na boca e no tórax, à queima-roupa, mas sobreviveu ao atentado, embora tenha ficado alguns dias em coma.
O episódio e o ferimento causaram-lhe outros problemas de saúde e, dez anos depois, no dia 8 de julho de 2003, morreu de falência múltipla de órgãos.
Antes de morrer, Burity perdoou Ronaldo.
Em sua defesa, Ronaldo alegou que Burity o ameaçava e que não premeditara o crime.
Segundo testemunhas, Cunha Lima entrou no restaurante, bateu nas costas de Burity e, antes de atirar três vezes, disse-lhe:
“É você mesmo que eu quero pegar”.
Ele chegou a ser preso na noite do crime, mas foi liberado em seguida.
Ronaldo Cunha Lima morreu sem nunca ter sido julgado, porque realizou inúmeras manobras protelatórias no processo, tendo, inclusive, renunciado ao mandato de deputado federal, para que o feito retornasse à justiça paraibana.
Em 2014, o Senado Federal decidiu homenageá-lo, batizando com o seu nome o edifício do Interlegis.
A homenagem provoca polêmica até hoje.
.
Siga: @historia_em_retalhos
https://www.instagram.com/p/CzRKFEPO-ya/?igshid=MTc4MmM1YmI2Ng%3D%3D

A ICE da Pitú é danada de boa, viu? Com ela é assim: provou, amou! Ô bichinha boa pra refrescar a garganta, minha gente.



O que será visto neste conjunto de obras de grandes mestres e pintores nascidos ou radicados em Pernambuco, mais do que pode parecer à primeira vista, são desejos, traçados, espaços e cores, por caminhos diversos, de apreender o visível que se encontra na essência da Natureza e o seu universo imaginário. Desafios e reflexões estéticas, multiplicidade de leituras sobre um grande tema que esteve no centro das discussões das artes desde a antiguidade até os nossos dias.
No conjunto, esta amostra coletiva A NATUREZA VIVA, numa época em que o patrimônio natural da humanidade acha-se ameaçado, tanto terrestre quanto aquático, nos dá a impressão de que cada autor esteve em harmonia com o Universo e suas esferas gravitacionais.
Marcus Prado – Jornalista


Este é Carlos Roberto Cavalcanti de Albuquerque, o “Robertinho do Recife”.
Se você não o conhece, Robertinho do Recife é considerado um dos melhores guitarristas do Brasil, marcando o cenário da música nacional, desde a MPB até o heavy metal, além de ser compositor, produtor e arranjador musical.
Profissional de múltiplos talentos, a veia musical do artista, que carrega a sua cidade natal no nome, começou ainda na infância.
Aos 10 anos, a caminho de uma quadrilha junina, foi atropelado por um carro.
Passou dois dias em coma, colocou platina na perna e manteve-se quase um ano deitado, sem poder andar.
Neste período, começou a tocar, sendo logo apontado como um guitarrista prodígio.
Aos 12 anos, tocava até com os pés!
Daí em diante, a sua carreira não parou: acompanhou a Jovem Guarda, fez sucesso nos EUA e interpretou música clássica e heavy metal.
O auge da sua carreira aconteceu entre os anos 70 e 80, nos quais compôs inúmeros sucessos.
Com seu nome nos créditos de mais de 300 discos, como músico, compositor, arranjador ou produtor, Robertinho cravou o seu talento em canções que tiveram a sua assinatura sonora, como os sucessos de Fagner (“Revelação”) e Marisa Monte (“Ainda lembro”).
Após esse período, dedicou-se à produção de vários artistas, entre eles, Xuxa, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho e o próprio Fagner.
Certa feita, quando indagado sobre a origem de tanta versatilidade, respondeu:
“Eu sou um liquidificador, pego tudo e misturo com minhas frutinhas lá do Nordeste”.
Este virtuose da música completa, hoje, 70 anos!
Parabéns e saúde, @robertinhoderecife!
A quem interessar, recomendo a série “Robertinho de Recife? Robertinho do Mundo!”, de Claudia André, disponível no Music Box Brasil.
Siga: @historia_em_retalhos
https://www.instagram.com/p/CzQp_9_OCcy/?igshid=MTc4MmM1YmI2Ng%3D%3D

Em ação articulada pelo Rotary Clube da Vitória a 42º Missão Humanitária, comandada pelo renomado Doutor Rui Ferreira, efetivamente, está promovendo 25 cirurgias em crianças que nasceram com algum tipo de deformidade ou incapacidade física. Essas intervenções estão ocorrendo no Hospital SOS MÃOS RECIFE – ontem (02), hoje (03) e amanhã (04).
Lembrando que o inicio dessa ação teve seu start, prático, no processo da triagem, iniciada, há meses atrás, na sede da própria instituição (Rotary), localizada no bairro do Livramento – aqui em Vitoria.

Entre tantos outros objetivos dessa verdadeira ação pela dignidade humana, que se propõe a transformar a trajetória de famílias inteiras, podemos dizer que a troca e o compartilhamento de experiências de todos os envolvidos – equipe médica, rotarianos e familiares dos beneficiados – se configura num a espécie de “lição única”, como bem relator uma rotariana que, ao levar seu filho de 8 anos para conhecer de perto o trabalho e, ao retornar ao lar, pediu-lhe para registrar suas impressões no papel, o mesmo escreveu uma verdadeira pérola, que bem representa o sentimento da ação, grafado pela voz do coração e pelas lentes puras de uma criança.

Aos rotarianos, à equipe médica e a todos os envolvidos na referida 42ª Missão Humanitária, nossos parabéns por mais esse empreendimento social, no sentido da chamada responsabilidade social.


Em recente Pesquisa da Pecuária Municipal, realizada pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – e publicado no G1, o Brasil tem uma população, basicamente formada por bois, vacas, galinhas e frangos estimada em 1,8 bilhões de cabeças. É aproximadamente 9 vezes maior do que a sua população de habitantes humanos.
Ainda segundo a mesma fonte, a população de humanos da nossa Vitória de Santo Antão é de 134.110 pessoas. Não obstante nossa população, nas últimas décadas, paulatinamente, haver migrado do campo à cidade, atualmente, segundo os números oferecidos pelo IBGE 2022, podemos afirmar que a população de animais do nosso município – morando no campo – ainda é mais de 11 vezes maior do que a de seres humanos, ou seja: é de 1.489.552 (um milhão, quatrocentos e oitenta e nove mil, quinhentos e cinquenta dois).
Para concluir, vejamos alguns números em detalhes:
Gado – 9.666
Galinha – 1.440.000
Porco – 4.997
Cabra – 2.359
ovelha – 3.317
Búfalo – 625
Cavalo – 961
Codorna – 27.607


Grupo Escolar Rosa Amélia de Queiroz – década de 1960 – entre outros, Nô Joaquim de Ivo Queiroz.

Todo pituzeiro entende de fruta. Seja caju, limão, carambola, manga ou jambo. Afinal, não tem tira-gosto melhor pra acompanhar uma dose da branquinha.


CÉLIO MEIRA
Nasceu, na pobreza, a 3 de janeiro de 1868, o menino Tito dos Passos, na cidade de Floresta, flor pernambucana do sertão requeimado, debruçada à margem esquerda do rio Pajeú. E um dia, aos dezoito anos, o moço sertanejo dirigiu seus passos para o Recife, trazendo, no coração, a saudade do torrão nativo, e no espirito, cheio de idealismo, o grande sonho de vencer, na jornada da vida. Desamparado dos ricos, desconhecido da sociedade recifense, e fazendo, da humildade christã, sua couraça, e dos sofrimentos, as armas abençoadas na refrega, começou Tito dos Passos de Almeida Rosas, conta o eminente Clovis Bevilaqua, sua batalha, dividindo o tempo entre os livros e os trabalhos penosos, que o iluminavam, e o elevavam, no conceito dos companheiros e dos mestres.
Concluiu os preparatórios no Ginásio Pernambucano, e matriculado na Faculdade de Direito, conquistou, em 1894, a carta de bacharel, e o prêmio de viagem à Europa. Pertenceu a turma de Bento Américo, o inimigo nº 1 dos verbos, e do Odilon Nestor, professor de renome, mais tarde, na mesma Escola, de Euzébio de Andrade, figura destacada na velha política de Alagoas, e de Turiano Campêlo, nobre figura de combatente, na imprensa do Recife.
Um ano depois de formado, alcançou, em concurso, uma cadeira naquela Faculdade, defendendo, ardorosamente, sua tese. E obteve, em 1904, a nomeação de professor catedrático e civil.
Advogado de cultura fulgurante, orador de linguagem polida, marchava, Tito Rosas, de vitória em vitória, quando o destino destruiu, malvadamente, numa tragédia, essa figura jovem de jurista e de filosofo.
Na manhã do domingo de carnaval, no ano de 1906, num minuto desgraçado de profunda agitação espiritual, Tito Rosas, aos trinta e oito anos de idade, cortou, com uma bala de revolver, o fio delicado da vida. Fugiu do mundo, o desventurado professor, e eminente causídico, pela porta tenebrosa do suicídio.
Floresta, a cidade sertaneja, não se deve esquecer do filho amado. Deve levantar, à sombra generosa dos tamarineiros, a herma do sertanejo eminente, ou dar, a uma rua, ou uma praça, o nome aureolado do mestre. Será essa a lição dos presentes às gerações do futuro.
Célio Meira – escritor
LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reuno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica. Setembro de 1939 – Célio Meira.


Aerofotografia do Pátio da Matriz – ano não registrado


Cenas registradas por câmera de monitoramento, dando conta do brutal crime ocorrido na noite do sábado em nossa cidade, mais precisamente em um restaurante, localizado no bairro da Bela Vista, circulou pelo Brasil inteiro. Ou seja: além das redes sociais, o referido fato também foi manchete nos mais diferentes noticiários televisivos, com programação nacional. Mídia gratuita da nossa cidade, mas com conteúdo macabro. Efeito imediato da nossa incômoda e vergonhosa colocação no mapa da violência urbana. No ranking nacional, somos a 27ª cidade. E no estado de Pernambuco subimos no pódio na 2ª colocação.
Cabe-nos uma pergunta: de quem é a culpa? Ou melhor: quem são os culpados?
Sabemos que não existe solução fácil para problema complexo. A violência urbana no Brasil tem raízes profundas, mas também passa pela ausência contínua de políticas públicas eficazes. Tudo isso personificado na falta de seriedade do nosso corpo político: nacional, estadual e municipal.
Jogando luz na história recente da minha cidade – Vitória de Santo Antão -,nas últimas 4 décadas, poderíamos dizer que o “bolo administrativo” local assim ficou dividido: 10% do tempo quem governou foi Ivo Queiroz. 30% o grupo vermelho e 60% o grupo amarelo.
No meu tempo de menino, adolescente, jovem e adulto, nas dinâmicas e agitadas campanhas políticas, era “moeda corrente”, em discursos inflamados pelos seus opositores, nas praças públicas, que “se um dia Aglailson fosse prefeito, Vitoria virava uma mar de sangue”.

Foto – Jornal A VOZ ESTUDANTIL – ANO 1- Nº 7
Por uma infeliz coincidência, apenas para adorna historicamente a narrativa reinante da época, uma jovem foi assassinada em um dos comícios realizados pelo então deputado e postulante ao cargo de prefeito, José Aglailson, na vibrante campanha de 2000. Mas o destino e os votos dos antonenses, mesmo assim, lhes fizeram prefeito pela primeira vez da sua terra.

É bom que se diga, na qualidade de deputado, que quase todos esses atores administrativos locais e seus respectivos familiares também desfilaram pelos corredores do Palácio do Campo das Princesas e esquentaram os assentos na Assembleia Legislativas do estado, para quem recai, constitucionalmente, a obrigação pela segurança pública.
Ironicamente, hoje (2023), a cidade que é comandada pelo prefeito Paulo Roberto, um dos elos da engrenagem do grupo político amarelo e que historicamente mais tempo ficou no poder nesses últimos 40 anos e que também calibrou o discurso eleitoral do “mar de sengue”, caso o opositor ascendesse ao poder, agora, é obrigado a conviver com esse indigesto título que Vitória ostenta, isto é: 27ª cidade mais violenta do País e a 2ª do estado de Pernambuco!!!


Era uma sexta-feira e o magistrado Antônio José Machado Dias tomara uma decisão: dispensar a escolta que sempre o acompanhava, porque, naquele dia, iria sair do fórum de Presidente Prudente/SP diretamente para a sua residência.
Não sabia ele, mas esta seria a pior decisão de sua vida.
A cerca de 300 metros do fórum, na Rua José Maria Armond, o seu carro foi surpreendido por outros dois veículos.
O primeiro disparo dos criminosos atingiu o juiz na cabeça, fazendo com que ele perdesse o controle do automóvel e batesse em uma árvore.
Outros três disparos certeiros atingiram o então corregedor dos presídios do oeste paulista, aos 47 anos de idade, na cabeça, no braço e no peito.
A motivação do crime foi clara: era uma ação da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) contra o trabalho do magistrado, que atuava para desarticulá-la.
Este crime é considerado o primeiro ataque direto do crime organizado contra uma autoridade do Poder Judiciário no Brasil.
Cinco pessoas, todas integrantes do PCC, foram condenadas, inclusive Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.
Acreditem se quiserem, mas o mais surpreendente é que familiares dos integrantes do PCC condenados pelo assassinato do juiz foram premiados, recebendo imóveis após o crime, e ganhando, até hoje, uma pensão vitalícia da facção.
Após a morte de Machado Dias, vieram as execuções do crime organizado contra os juízes Alexandre Martins de Castro Filho, em Vitória/ES, e Patrícia Acioli, em Niterói/RJ.
A pergunta que nunca cala: até quando?
Até quando autoridades que lidam com a segurança pública neste país continuarão pondo as suas vidas em jogo?
Atentar contra a vida de um magistrado no exercício regular de seu cargo é atentar contra o próprio Estado Democrático de Direito.
Agradeço ao amigo @osvaldoloboj @osvaldolobojr, por nos ter trazido a sugestão do tema.
.
Siga: @historia_em_retalhos
https://www.instagram.com/p/CzDwCsaueDV/?igshid=MTc4MmM1YmI2Ng%3D%3D
