
Ao tomar conhecimento do evento ocorrido ontem (10), no Recife, realçando o programa “Pé-de-meia”, que visa, entre outras coisas, um incentivo financeiro diretamente aos estudantes do ensino médio, com a presença do Ministro da Educação – Camilo Santana -, imediatamente lembrei de um fato histórico, ocorrido aqui, nas terras de Santo Antão.
Nas primeiras décadas do século XX, quando ainda ostentávamos o nome de “Cidade da Vitória”, apesar de naquele tempo já sermos um lugar próspero economicamente, não contávamos com o chamado “ensino secundário”. Ou seja: para seguir estudando, após a conclusão do curso primário, o aluno teria que matricular-se em Recife ou em outro lugar.

Com visão de futuro e amor às boas causas locais, os Mestres Padre Félix Barreto e José Aragão foram os primeiros empreendedores nesse sentido. Criaram, em 1937, o “Ginásio da Vitória”, justamente no prédio onde atualmente funciona o Colégio Municipal de 3 de Agosto.

Pois bem, diferentemente dos dias atuais, onde o governo “paga” para os alunos permanecerem na escola, outrora, as leis governamentais exerciam um papel de “cobradores” das escolas de ensino secundário. Moral da história: o sonho virou pesadelo e o tão sonhado “Ginásio da Vitória”, mesmo com todo esforço, fechou suas portas em função das altas taxas cobradas pelo governo de então.
O tempo passou e o entendimento da sociedade avançou. Hoje é consenso que não existe outro caminho para uma vida coletiva melhor que não seja trilhada a partir da educação.
Para concluir – me socorrendo do exemplo da educação e jogando luz num debate sobre gestão, com uma pitada de “visão de futuro” –, imagino que nas próximas décadas o governo também irá entender que deixar de cobrar tributos/impostos, flexibilizar regras e até incentivar os empreendimentos que promovam a chamada “Vida Saudável”, através das mais variadas organizações da sociedade, será algo tão óbvio quanto abrir um posto de saúde, até porque, quanto mais gente praticando atividade física (regularmente), menos despesas com remédios e intervenções médicas. Essa é uma verdade insofismável, que mais cedo ou mais tarde o governo, assim como ocorreu na seara da educação, tomará um chá de bússola, para se orientar melhor, na sua atuação…...


























Vik Muniz vem sendo visto pela imprensa cultural do Rio de Janeiro e São Paulo como “o maior artista plástico brasileiro”. O seu currículo é fantástico, está sendo apontado como um dos mais caros do mercado de artes em Nova York. No entanto, para opinar sobre quem seria o maior pintor brasileiro dos nossos dias, eu escolheria o paraibano João Câmara, radicado no Recife. E assim o faço pelo que ele formula de indagações complexas, pela sua dramaticidade expressionista, sem deixar de ser acessível e, ao mesmo tempo, de forte erudição, transitando por diferentes meandros da história política do País, da arte, da mitologia. Ao ponto de ser visto por Francisco Brennand como “um pintor genial”. Genialidade inesgotável, indiscutível, sóbrio nos seus insólitos jogos de metáforas e analogias, pela inventividade na busca constante por fundir a arte, o homem, a vida. O Artista como gênio criativo. É assim que o vejo. Quem também fez a escolha do melhor, num longo ensaio, foi Ferreira Gullar, um dos maiores críticos de arte brasileira do seu tempo. O nosso João Câmara, premiado nacional e internacionalmente, era sempre uma referência nos trabalhos críticos do igualmente poeta Ferreira Gullar na sua coluna da Folha de São Paulo. Não foi por acaso, nem apressado, esse julgamento. Ferreira Gullar, como crítico exigente, altamente respeitado, era conhecedor da trajetória de João Câmara. Além de grande pintor (trabalha com tinta a óleo ou com tinta acrílica, sobre tela ou madeira), Câmara é dos raros na sua geração a estudar e a escrever, em profundidade, sobre a teoria da arte. Produziu durante vários anos artigos de crítica de arte, semanais, para o suplemento “Panorama Literário” do Diário de Pernambuco.Muniz ficou conhecido por usar materiais inusitados em suas obras como lixo, açúcar, chocolate, geleia, calda de chocolate, arame, pó, terra, até dinheiro picotado (!), etc. Trabalha num só ímpeto, com fotografia, pintura e escultura. Poderia ser visto por outro gênero de crítica como excelente fotógrafo, sem deixar de reconhecer a sua contribuição para a pintura. Já foi comparado alegremente com Gisele Bündchen das artes plásticas (Jornal O Globo, 22 de agosto de 2010). É o mais caro da Bolsa de Artes de São Paulo. (Uma obra ultrapassou US$ 300 mil num leilão). Torna-se estranho quando ele nos diz que toda a sua arte só tem começo. “O resto fica por conta do espectador”.









