Vida Passada… – Martins Pereira – por Célio Meira

Em 1854, aos 26 anos de idade, fazendo parte da turma, de Agrário de Menêses, dramaturgo, que morreu, dramaticamente, “durante um espetáculo no Teatro São João, da Baia”, na informação de Clovis Bevilaqua, de Trajano de Carvalho, poeta lírico do Maranhão, recebeu, Luiz de Albuquerque Martins Pereira, na Faculdade de Direito do Recife, a carta de bacharel. Iniciou-se, o jovem recifense, nascido a 6 de fevereiro,  de 1828, na magistratura, exercendo, a partir de 1856, os cargos de promotor público e de juiz de direito nas comarcas do Bonito, Caruaru, Bôa-Vista, Igarassú  e Ouricuri, na sua província natal.

Pertenceu à magistratura do Crato, ao sul da terra cearense, praticando, também, a judicatura, na comarca do Parnaíba, ao norte do Piauí, e na de Alcantara, no Maranhão.

Elegeu-se deputado à Assembleia Provincial de Pernambuco, em 1858, e em 1860, escreve o historiador do  “Galeria Nacional”, prestou serviços, Martins Pereira, à província da Paraíba, ocupando a secretaria de governo. Regressando ao Recife, foi delegado de polícia. Representou, em 1867, a terra onde nasceu, na Câmara Geral. Dirigiu, em 83, a chefia de polícia de Sergipe, e a de Pernambuco, em 1885.

Sentou-se, Martins Pereira, aos 59 anos de idade, na cadeira de desembargador da Relação da província do Mato Grosso. Proclamada a República, veiu  exercer a desembargatória, no torrão nativo. E por ter funcionado num processo político, em que se envolvera José Maria de Albuquerque e Melo, um dos bravos da democracia, sofreu, Martins Pereira, ao tempo da “Ilegalidade” florianista, tremendo golpe, na sua brilhante carreira de magistrado. Foi violentamente aposentado, em 1892, conta Sebastião Galvão, pela Junta Governativa. Deve-se-lhe a organização do Conselho Municipal do Recife. E eleito primeiro presidente deste órgão do poder legislativo, assinalados prestou à causa pública.

Jornalista, desde a mocidade, abolicionista e republicano, colaborou, esse ilustrado recifense, nos jornais de Fortaleza, da Paraíba e do Recife.

Magistrado íntegro e honesto, honrou a justiça do país. Encerrando sua vida pública, em 1895, continuou a merecer, o desembargador Martins Pereira, o respeito, a admiração, e a estima de seus concidadãos. Morreu em idade proveta, aos 85 anos, na cidade natal. E o Recife não o esqueceu. Deu o nome desse preclaro cidadão a antiga rua do Lima, na zona de Santo Amaro das Salinas.

Bem merecida é essa homenagem do poder público ao varão pernambucano.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica. Setembro de 1939 – Célio Meira.

120 anos do “Anjo da Vitória” – Corrida Com História!!!

Por volta das 9h, no trem vindo Recife, há exatos 120 anos, chegava à Vitória de Santo Antão a comitiva liderada pelo Bispo de Olinda Dom Luiz Raimundo de Brito. Após almoçar na residência do então juiz doutor Primitivo de Miranda, às 17h, as já mencionadas autoridades juntaram-se ao então prefeito doutor Henrique Lins e ao povo  antonenses para inaugurar o monumento do “Anjo”, alusivo de à vitória alcançada na épica Baralha das Tabocas, ocorrida em 3 de agosto de 1645.

Vistosa, bonita e imponente a imagem do “Anjo” sempre despertou admiração e  curiosidade da população e até um certo pavor por parte da criançada de várias décadas do século XX.

Naquela época, diziam os adultos, que no dia em que o “Anjo” tocasse sua trombeta  o mundo se acabaria. Pelo sim, pelo não, as crianças respeitavam essa história.

COMEMORAÇÃO DA PASSAGEM DO CENTENÁRIO DO ANJO, OCORRIDO EM 2025

COMEMORAÇÃO DA PASSAGEM DO CENTENÁRIO DO ANJO, OCORRIDO EM 2025

Para concluir, vale lembrar que o dia 27 de janeiro é uma data muito importante para o contexto da chamada Restauração Pernambucana. Várias cidades no nosso estado,  tem ruas que recebem  o nome  de “27 de janeiro”.

Eis ai, portanto, alguns do simbolismo que envolve o nosso monumento, intitulado de “Anjo da Vitória, que realçamos, hoje (27), no nosso Projeto cultural/esportivo Corrida Com História.

Veja o vídeo aqui: https://youtube.com/shorts/EAiuNbppVkw?si=L7qfXWrZAowfVXpH

Engenhos de fogo morto – por Marcus Prado.

DURANTE QUASE UMA década fotografei os engenhos de fogo morto da Vitória de Santo Antão, esforço inédito que resultou numa doação ao acervo do Instituto Histórico local, quando era seu presidente o professor José Aragão.

Sentia-me no dever, depois de cerca de 40 anos como servidor dessa instituição, da qual, nesse período, me tornei integrante do seu quadro social.

As centenárias CUBAS dessa foto foram fotografadas no Engenho Pirapama, de João Cleofas de Oliveira.

Em artigo exclusivo para este Blog, direi como foi a trajetória e o método de prospecção iconográfica dessa pesquisa.

Marcus Prado – jornalista. 

A história de Manoel Bezerra de Mattos Neto – por @historia_em_retalhos.

A história de Manoel Bezerra de Mattos Neto: o advogado assassinado por defender direitos humanos.

Há exatos 16 anos, em 24 de janeiro de 2009, Manoel Mattos era morto a tiros de espingarda calibre 12, em uma casa de veraneio, em Pitimbu/PB.

O advogado, que também havia sido vereador em Itambé/PE e vice-presidente do Partido dos Trabalhadores, integrava a Comissão de Direitos Humanos da OAB-PE, ficando conhecido por denunciar grupos de extermínio com a participação de policiais militares e civis, na divisa entre Paraíba e Pernambuco, região que já fora chamada de “Fronteira do Medo”.

Mattos participou ativamente de duas CPI’s (estadual e nacional), sempre denunciando as violações de direitos humanos e anunciando publicamente que corria risco de vida, pedindo proteção.

Além disso, era especialista na defesa de trabalhadores rurais.

Diante das ameaças de morte que se repetiam, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA chegou a conceder, em 2002, medidas cautelares que determinavam que o Brasil deveria garantir a sua proteção.

Infelizmente, não foi suficiente.

Morto covardemente, o jovem advogado perdeu a vida, aos 40 anos, e a sociedade perdeu um militante combativo dos direitos humanos.

Denunciados, dois dos cinco réus acusados de envolvimento no seu assassinato foram condenados.

O sargento Flávio Pereira foi condenado a 26 anos de prisão e José da Silva Martins a 25 anos, em regime fechado.

Um detalhe relevante: este processo traz consigo uma importância histórica.

Foi o primeiro caso de federalização no Brasil.

Em 2010, o STJ autorizou a instauração do Incidente de Deslocamento de Competência, mecanismo previsto na CF, desde 2004, para crimes que envolvam violação de direitos humanos, ensejando o deslocamento da competência para a Justiça Federal.

Mais adiante, o processo também foi deslocado da Justiça Federal da Paraíba para a de Pernambuco.

Manoel Mattos foi assassinado por defender o uso da justiça em detrimento da violência, por estimular os mais fracos a buscarem os seus direitos e por denunciar grupos de extermínio.

À sua memória, a nossa homenagem no dia de hoje.

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Para o pódio centenário……

No mais recente evento de corrida de rua, ocorrido aqui em Vitória, um fotógrafo profissional registrou minha passagem pela frente do nosso cemitério. Sendo o campo santo o destino final de todos nós, continuo alimentando a ideia de que meu corpo não será enterrado. Após minha jornada por aqui, desejo ser cremado. Aliás, acho até que essa é uma mudança de comportamento crescente e racional.

Em vida,  sempre que possível,  é bom lembrarmos  dessa trinca de mistérios: porque nascemos, para que vivemos e por qual motivo morremos?

Sem a devida explicação, continuo vivendo e cuidando da saúde para tentar entrar no seleto grupo dos que ultrapassam um século de vida,  em plena atividade cognitiva e física.  Será que  vou conseguir? Por enquanto, estou fazendo a minha parte.

Próximo do fechamento das cinco dúzias de idade, acredito haver calibrado o “ritmo e o pace”, constante e sem pressa, respectivamente, no sentido da chegada ao pódio centenário. Aliás,  já consigo imagina-lo……..Corta para 26 de dezembro de 2067….

Primeira Corrida do EJC – Igreja do Amparo.

Organizada pela turma jovem da Igreja de Nossa Senhora do Amparo, no último domingo (19), aconteceu a 1ª Edição Corrida do EJC. Com concentração desde 5:30h,  após o aquecimento, os atletas percorreram os 5km planejados.  O encerramento ocorreu no Pátio de Evento Otoni Rodrigues.

Ao final, os três primeiros colocados, no masculino e feminino, foram agraciados com troféus. Para concluir: muita fruta, guloseimas e um banho para refrescar. Parabéns ao pessoal do EJC, pela iniciativa.

 

A atualidade das ideias de Gilberto Osório de Andrade – por Marcus Prado .

No universo em que se discutem grandes temas ligados à Geografia como ciência-síntese da relação homem-natureza, sobretudo quando se fala em crise climática, nomes pernambucanos são lembrados entre os da geração que passou e a mais recente, a começar pela trajetória intelectual de cientistas como Gilberto Osório de Andrade, Mário Lacerda de Mello, Manuel Correia de Andrade, Rachel Caldas Lins, Diva de Andrade Lima, Lucivânio Jatobá, Marlene Maria da Silva. Eles representam um conjunto de pesquisadores de alto nível, de particularidades históricas e epistemológicas que marcaram e ainda marcam época, parceiros de uma corrente do que se convencionou chamar de Geografia Moderna, uma ciência que tem como objeto de estudo o espaço geográfico, o lugar, onde se realizam as atividades humanas. Re-teorizar o espaço era uma referência do autor do “Introdução aos estudos dos brejos pernambucanos”, um clássico, quando o foco primordial é a Geografia Regional, ao fazer abordagens sobre a relação entre as influências dos meios naturais, particularmente o clima.

Foram Gilberto Osório de Andrade e Rachel Caldas Lins que correlacionaram o clima semiárido nordestino com o deserto na parte meridional da África. Afirmavam com propriedade que o semiárido brasileiro era uma projeção do ar seco kalahariano no continente sulamericano. Muitos geógrafos brasileiros desconhecem Gilberto Osório e as revolucionárias teses que defendeu.

Quando leio “Geografias pós-modernas: A reafirmação do espaço na teoria social crítica”, de Edward Soja, o Edward visto como um dos mais destacados geógrafos norte-americanos, vejo como a problemática do espaço foi tratada com severidade de pesquisa, também de forma abrangente, pelo nosso Gilberto Osório de Andrade.

Dedicou-se a escrever pioneiros estudos de Climatologia e Geomorfologia, hoje confirmados pelas modernas ferramentas do Geoprocessamento. Há um livro biográfico, de autoria da jornalista Leda Rivas, que retrata a vida e as ideias do nosso geógrafo maior e seus grandes debates que se estendem até os dias atuais, sobre o semiárido nordestino.

Com a sua sede inerentemente insaciável por conhecimento, foi dele a preocupação dialética do espaço, do tempo e do ser social. As teses por ele defendidas implicaram num avanço incrível da Geografia Física brasileira nas décadas de 1960 e 1970. São estudados tudo o que envolve os seres vivos e o meio onde eles vivem — desde os aspectos biológicos, passando pelos químicos e, finalmente, seus aspectos físicos.

Talvez não seja demais lembrar que Gilberto, nos seus estudos, livros e palestras (a destacar a sua presença na SUDENE e no Seminário de Tropicologia/Fundaj, oferece-nos uma perspectiva inovadora do espaço geográfico como, antes dele, foi argumentado por Maurice Merleau-Ponty: o espaço em que existimos e somos nele. O lugar da memória, do esquecer, da cristalização de lembranças.

Marcus Prado – jornalista

Lançamento da Antologia Literária Internacional Além-mares III

Em uma linda tarde poética à beira-mar, o Restaurante Picuí Praia,  em João Pessoa (PB),  se encheu de alegria e emoção para celebrar o lançamento da antologia. Com boa música ao fundo, os participantes vivenciaram  momentos inesquecíveis, repletos de arte e conexão!

Parabéns aos coautores: Djar Aquino e Raul Vitorino, que com sua receptividade iluminaram o evento e acolheram com carinho o Projeto Chá da Vida Brasil, comandado por Jones Pinheiro.  Que as palavras continuem a  unir e inspirar pessoas…

Mais uma Missão Cumprida!!

Assessoria

Mãe Gilda – por @historia_em_retalhos.

Mãe Gilda: vida e morte de luta contra a intolerância religiosa.

Esta é a ialorixá Gildásia dos Santos, a Mãe Gilda.

Símbolo da luta contra a intolerância religiosa, a ialorixá é fundadora do Ilê Axé Abassá de Ogum, Terreiro de Candomblé localizado nas imediações da Lagoa do Abaeté, em Salvador/BA.

Como todos aqueles que lutam pelo respeito à sua ancestralidade africana neste país, Mãe Gilda sofreu com ataques de preconceito, ódio, intolerância e violência.

No caso dela, custou a própria vida.

Em 1999, teve a sua imagem utilizada no jornal Folha Universal, vinculado à Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), com a manchete “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”.

Na época, a reportagem dizia que estava crescendo um “mercado de enganação” no país.

E o pior, com um detalhe sórdido: a imagem de Mãe Gilda aparecia com uma tarja preta nos olhos.

A publicação dessa foto marcou o início de um doloroso, porém importante processo de luta por justiça da família e de todos os religiosos do Candomblé.

Lamentavelmente, dada a fragilidade do momento, adeptos de outras religiões hegemônicas sentiram-se no direito de atacar diretamente a casa de Mãe Gilda, agredindo-a, verbal e fisicamente, dentro das dependências do terreiro, até quebrando objetos sagrados lá presentes.

Diante desses fatos, com a saúde fragilizada, Mãe Gilda não suportou: o seu estado piorou, sofreu um infarto e ela faleceu no dia 21 de janeiro de 2000.

Custa-nos a acreditar, mas, periodicamente, o busto que foi erguido em sua homenagem dentro do Parque do Abaeté (foto), em Salvador, é alvo de atos de racismo religioso.

O autores desses atos costumam justificar a conduta dizendo que apedrejam “a mando de Deus”.

Racismo religioso é crime.

Para quem não sabe, o Brasil registra uma denúncia de intolerância religiosa a cada 15 horas e os adeptos das religiões de matriz africana, principalmente Umbanda e Candomblé, são os mais perseguidos no país.

Desde 2007, celebra-se em 21 de janeiro o “Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa”, em memória de Mãe Gilda.
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As festividades do Padroeiro Santo Antão 2025

Com 13 dias de programação,  os festejos, religiosos e profanos,  alusivos a passagem dos 400 anos do nosso Padroeiro  Santo Antão movimentou a comunidade católica em nossa cidade.

Seguindo o modelo de anos anteriores, em que os festejos foram incrementados com a chegada,  em solo antonense,  do Monsenhor Maurício, em 2025, além da densa programação religiosa, a noite do dia 17, sexta-feira, após a procissão, o Pátio da Matriz ficou lotado para acompanhar o show da renomada artista de Joana.

Dentro das festividades da cidade, logo pela manhã, ocorreu a “Corrida de Santo Antão”, atividade física que reuniu mais de mil atletas, com concentração, partida e chegada para percurso de 5km, no Pátio da Matriz.

O ponto alto das festividades, foi a Procissão de Santo Antão. Na ocasião, registramos a passagem dos fiéis pela Praça Diogo de Braga; Veja os vídeos:

 

Também registramos uma bonita imagem da procissão, no seu retorno, pela Praça Duque de Caxias. Veja o vídeo: