Momento Cultural: VATICÍNIO (poesia) – Por Valdinete Moura.

Se teu olhar brilhar como as estrelas,
E o coração pulsar desesperado,
Divinamente estás enamorado
E teu olhar terá mais que beleza.

Encontrarás refúgio encantado
Em um mundo de luz e profundeza
Plenificado em paz e sutileza
No aconchegado abraço da amada.

Terás, então, teu canto mais sublime
Mais harmonia e cor em teu sentir,
Alento que te guie e ilumine.

Se falta forças em hora desgarrada
E mesmo se a dor te consumir
Seja porto seguro tua amada.

Valdinete Moura é escritora,
membro da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência

Inveja e Sucesso – por Sosígenes Bittencourt.

Não há sentimento bom nem ruim, mas o resultado daquilo que você faz com o sentimento. Por exemplo, INVEJA é um sentimento positivo quando invejamos o BELO e buscamos reproduzir. Muita gente fez sucesso na vida imitando. O ser humano é um animal que imita desde o nascimento até a morte. Agora, SUCESSO é um detalhe. Tem traficante que é um SUCESSO. Dribla a Justiça, faz fortuna, costurando boas amizades, sem dar um tiro. Quem quer imitar?

A AGRESSIVIDADE, por exemplo, é o combustível da AÇÃO. Se você tem gasolina nas mãos e incendeia seu semelhante, poderá matá-lo. Mas, se você põe numa ambulância e socorre um acidentado, poderá salvá-lo. Quer dizer, nós não estamos preocupados com a AGRESSIVIDADE, mas com o que os meliantes estão fazendo com a AGRESSIVIDADE nas grandes cidades. Agora, SUCESSO é um detalhe. Quem quer ser um SUCESSO, trocando soco em campeonato de luta de box?

Sosígenes Bittencourt

O Tempo Voa Documento Especial: Reminiscências natalinas – Por Prof. José Aragão (1999)

Dos natais de minha infância, recordo, enternecido, dispostos em ordem, através do velho Pátio da Matriz, nesse tempo coberto de capim e outros arbustos silvestres: o carrossel, cheio de cadeiras e cavalinhos, movido à mão, ao som de melodias tocadas por uma caixa de música; as barracas de prendas de José Menezes e do José Viana, com cadeiras em torno dos armarinhos onde ficavam os objetos a ser sorteados entre os compradores de bilhetinhos feitos à mão; os bares improvisados, com mesas e cadeiras espalhadas em torno da praça; os botecos onde se vendiam quinquilharias, miudezas e brinquedos infantis; os tabuleiros dispostos em fila com bolos, alfenins e confeitos, tendo ao lado um pote com água fria para os fregueses; os presépios e os pastoris.

A iluminação era feita por bicos de latas de carbureto, pendurados em postes de madeira. Nas barracas e na frente de Matriz, lâmpadas a álcool.

De caibros fincados no chão, sustentando folhas de coqueiro, partiam os cordões de bandeirinhas multicores, feitas de papel de seda, circundando e cruzando toda a área da festa.

Por todos os becos, ruas e travessas convergiam ao pátio levas de matutos que acorriam à cidade para ouvir a Missa do Galo.

Rapazes e moças, em grupos, contornavam a praça, discreteando amável e respeitosamente sobre trivialidades próprias de sua idade, usufruindo o prazer natura de mentes jovens e sonhadoras em melífluos encontros.

As crianças, levadas pelas mãos dos pais, visitavam as várias estâncias de pura e inocente alegria, dispostas no vasto pátio, mais interessadas em ver os presépios e montar num dos cavalinhos do carrossel.

No centro, em coreto improvisado, a Banda Musical executava peças do seu repertório: dobrados, valsas, chorinhos, marchas etc.

Dos presépios, lembro-me do armado pelo sacristão da freguesia, Benjamim Bezerra, numa casinhola situada na esquina da rua Silva Jardim com a chamada “Vila Maria”, residência do vigário.

Pastoril famoso foi o organizado pela professora Amélia Coelho com as suas alunas, meninas-moças das mais destacadas famílias vitorienses, o qual se exibia num palanque armado ao lado direito da Matriz, arrancando aplausos delirantes das torcidas dos cordões azul e encarnado.

E assim, entre os devaneios da juventude, a euforia natural da matutada que vinha à cidade ostentando as vestimentas da festa, e a cordialidade reinante entre as famílias, vivia-se o espírito do Natal em sua essência.

À meia-noite, o sino grande da Matriz tocava badaladas, a princípio, pausadas e, logo, apressadas, anunciando o início da Missa.

No altar em frente à porta central do templo, sobre a calçada, celebrava o sacerdote a Missa do Galo, ouvida com unção religiosa, tendo como ponto alto o canto do Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade.

Repetia-se unissonamente a mensagem angélica, anunciando aos pastores o nascimento do Menino-Deus.

Quantas suaves reminiscências desses Natais que vivi, embevecido pela grandeza e sublimidade do sagrado mistério da Encarnação do Filho de Deus, nascendo numa pobre manjedoura para redimir a humanidade, e fascinado pela singela beleza das comemorações ternas e pias desse grande evento! 

Prof. José Aragão
Texto publicado na Gazeta do Agreste,
 Dezembro / 1999.

Uma sexta cheia de bons motivos para ser feliz……

A sexta-feira, por si só, já é um dia muito aguardado. Dia de se despedir da semana e relaxar. Essa – 21 de dezembro – é mais ainda. Hoje, para muitos, já começa as festividades de final de ano. Além do mais é, oficialmente, a abertura do verão,  estação mais aguardada, principalmente  para os que começam gozar as esperadas férias de janeiro.

Assim sendo, relaxe!! Não exagere na ceia de Natal, puxe o feio de mão da bebida, oremos e esperemos os presentes desejados,  que se encontram nas mãos do bom e sempre simpático velhinho, PAPAI NOEL!!!

Câmara de Vereadores tem sessão movimentada!!

Na tarde/noite de ontem (20) a sessão da Câmara de Vereadores foi bastante movimentada, dentro e fora do prédio. Projeto enviado pelo Poder Executivo,  propondo mudanças,   provocou reação por parte dos sindicatos que representam o funcionalismo público municipal.

Antecipadamente, aviso não conhecer o conteúdo da matéria aludida.  Mas, não é de hoje que realço que qualquer mudança que vise o melhoramento na área educacional do município obrigatoriamente, de partida, deveria passar pelo ponto eletrônico  (presença) dos funcionários  nas escolas.

Ao contrário do que muita gente imagina equipar todas as unidades escolares municipais reflete em custo irrisório no contexto administrativo. Não tendo a transparência necessária dificilmente teremos um sistema ajustado, mesmo que  minimante. Sem mudanças estruturais  o governo municipal continuará dizendo que não pode pagar, os professores continuarão reproduzindo a mesma mensagem negativa da situação e os alunos, os mais prejudicados, estarão perdendo a oportunidade de aprender como deveriam……..

É uma brasa… mora?

Este artigo é um pequeno tributo que presto á dois amigos. “… vocês meus amigos de fé meus irmãos camaradas…” Moisés e Tadeu.

Decorria a década de 1960, e o Brasil vivia a efervescência da Jovem Guarda. “…belas tardes de domingo…” aquela juventude vitoriense, não poderia ficar de fora da “doce loucura” que nos contagiava.

Botas de salto alto; calça boca de sino; pulseira e anel de alumínio com a figura do calhambeque impresso; cabelos longos e repartidos ao meio; chicle bola; torrone; caramelo de gasosa; drops ducora; mini saia; decotes ousados; perfume de cashemere bouquet no ar; corpete justo ao busto; crush; fratelli vita; grapete; coca cola; cuba libre… matinês; cine iracema… Sr. Luiz Boaventura (proprietário do cinema) – um verdadeiro gentleman -; durang kid; zorro; tarzan; jim das selvas; garrincha: a alegria do povo… eu era um garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones e, ainda não entendia porque os mocinhos nos filmes de faroeste tinham que matar os índios?

Foi nessa época da televisão em preto e branco – telefunken – (coisa rara em Vitória de Santo Antão) que conheci Moisés e Tadeu – dois verdadeiros dinossauros da Praça da Matriz. Jogos de dois toques no coreto da praça; alegres conversas sobre as matinês; sobre os monkey; futebol (praça futebol clube); carnaval… sinto-me um cara privilegiado. Eis aí o verdadeiro sentido da vida: ter amigos verdadeiramente amigos.

Estamos sempre nos encontrando na Praça da Matriz, vez por outra. Moisés, perdeu boa parcela dos cabelos jovemguardianos. Mas, continua o mesmo romântico de sempre. “…quando eu estou aqui, eu sinto esse momento lindo…” Tadeu, sempre inteligente com as palavras, permanece o mesmo. Ou seja, em seu amor filial “…lady laura, me leve prá casa, lady laura. Me conte uma história, lady laura…”.

Bem… agora que fiz revivescer nossas saudades, lembro que em nossos encontros, vocês sempre me perguntam: como vai a vida? Agora, posso lhes responder: a vida… a vida é uma brasa, mora?

Abraços fraternais,

Do seu amigo de fé seu irmão camarada.

Aliomar de Vasconcelos – Professor e Escritor vitoriense.

Momento Cultural: Renda do Ceará por Henrique de Holanda.

Dizem que, no Ceará, uma almofada
é quase um evangelho de oferenda.
– Sobre o “picado”, a linha bem trocada
compõe, sobre o futuro, tal legenda…

Os bilros, numa doce gargalhada,
contam, dos sonhos, venturosas lendas,
de palmo a palma, uma ilusão doirada,
constrói brancos castelos sobre rendas.

Mesminho assim é o coração da gente:
almofada, onde o amor, pacientemente,
tece o “picado” que o Destino dá.

Se estala o bilro, com o beijo estala,
que lá, dentro em nós, o amor se embala
numa rede de rendas no Ceará.

(Muitas rosas sobre o chão – Henrique de Holanda – pág. 5)

CELESTIAL E TERRENAL – por Sosígenes Bittencourt.

Os israelitas passaram 40 anos caminhando pelo deserto. O seu alimento vinha do céu, era o maná. No entanto, quando tentaram armazenar o maná, ele apodreceu. O alimento celestial era para ser consumido num dia. Isto significa dizer que quem guarda para o futuro, vê a vida apodrecer na palma da mão.

Todavia, referimo-nos a um alimento enviado por Deus. Ele nunca faltou. Nosso pão de cada dia anda produzido e vendido pelo homem. Portanto, há de se ter cautela.

O poeta romano Horácio, agoniado com a brevidade da vida, recitava:CARPE DIEM, QUAM MINIMUM CREDULA POSTERO. (Aproveite o dia, não acreditando minimamente no futuro). Contudo, o mesmo Horácio admoestava sobre o desperdício, aconselhando a moderação: EST MODUS IN REBUS (Há um limite nas coisas).

Sosígenes Bittencourt

Jurandir Soares: amigo dos amigos e também dos cachorros.

Nem sempre humanos e os cachorros tiveram uma boa convivência. Segundo informações de revistas especializadas no assunto a aproximação aconteceu há mais ou menos 20 mil anos. Descendentes dos famosos e violentos lobos selvagens, ao longo do tempo, os cães foram, aos poucos, se adaptando ao cotidiano das pessoas. Se antes, para sobreviver, eles tinham que caçar, logo  descobriram que ao viver no entorno dos povoamentos passariam  a se alimentar das sobras dos humanos. Por outro lado, os humanos passaram a contar com uma espécie de “proteção”,  em se tratando de outras espécies caçadoras de grande porte.

Com a convivência os cães passaram a trabalhar para os humanos. Um bom exemplo foram os que começaram a pastorear rebanhos de bovinos e caprinos. Muitas raças surgiram e desapareceram. A verdade que é os cães ganharam  status de o  “melhor amigo do homem”.

De um tempo pra cá os Pets – conceito nascido na Escócia, no século XIV e que significa basicamente animal domado –  passaram a ser considerado membros das famílias. Com o devido apego, sobretudo das crianças, os cãezinhos passaram a ser um “motor” para a economia. Aliás, em plena crise econômica nacional, o segmento continuou avançando.

Pois bem, dentro daquilo que os novos conceitos atribuem ao “politicamente correto”, inclusive protegido por lei, maltratar um animal é motivo de revolta e até comoção geral. Não obstante tudo isso, o comum é que as pessoas cuidem muito bem dos seus cães e gatos, ou seja: o amor provedor ainda é algo muito personalizado.

Digo tudo isso para fazer um testemunho. Não conheço ninguém que tenha mais respeito  e amor aos animais, sobretudo aos cachorros, que o meu amigo Jurandir Soares. Com condições financeiras de comprar um cachorro da raça mais cara que existe, ele acabou levando para casa uma cadela “vira-latas”,  que encontrou na rua. Já perdi a conta de quantas vezes o amigo Jurandir Soares se ausentou de uma farra com os amigos para comprar churrasquinho de carne para alimentar os esqueléticos cachorros que se aproxima. Vez por outra, é procurado  para socorrer animais doentes. Ele, além de socorrer, ainda paga a consulta e até cirurgia à clinica veterinária.

Em tempos de confraternização, de muita solidariedade midiática, eis aí um sujeito que carrega  o espírito natalino no coração o ano todo, com os cães e com todas as pessoas que gozam do seu convívio.

Assim não dá para ser feliz…….

Estamos muito distante mesmo de sermos um país sério. Mesmo aplicando os devidos descontos, por temos tido o nosso território invadidos pelos europeus que vieram nos salvar das trevas e nos promover ao “mundo civilizado”, nossa nação nasceu para ser servil. Inicialmente aos interesses comercial do velho continente, como bem cravou o historiador Caio Prado Junior, hoje, aos nobres e abastados “campeões nacionais” da corrupção.

Nesse contexto e também no mesmo recorte temporal surgiram os Estados Unidos. Por lá a ocupação deu-se numa formatação diferente. Ali, os colonos imaginaram uma “nova Inglaterra”. Hoje –  apesar dos pesares – a nação norte americana configura-se na maior referência do mundo ocidental.

Quinhentos anos se passaram e enquanto as massas brasileiras estiverem mais preocupadas e satisfeitas com o título de “País do Futebol”, mais teremos fatos patéticos, tal qual ocorreu, ontem, na Suprema Corte brasileira. Nós, brasileiros de boa fé, não temos noção do que se passa pelos “esgotos” das canetas de suas excelências.

Jáo congresso, outra coluna da nossa jovem democracia, e também recentemente, aprovou-se o “salvo-conduto” para os prefeitos gastarem muito além da conta. A flexibilização da Lei de Responsabilidade Fiscal é a prova inequívoca de que no Brasil , ainda,  o conceito do que é público e privado só existe, infelizmente, no papel. Papai Noel, tenha pena de nós…..