Cólera na África: em Vitória a peste devastou com a cidade em 1856.

As últimas notícias dos efeitos do “ciclone Idai” que, há duas semanas,  devastou o Sudeste do Continente Africano não são animadoras. Fala-se, entre tantos problemas,  no surgimento de casos de cólera. As autoridades sanitárias temem uma epidemia da peste. Às más condições sanitárias da região atingida, infelizmente, é fato agravante. Assistir tudo isso, em pleno século XXI, é algo lamentável.

Foi ainda na metade do século XIX que ocorreram os primeiros casos no Brasil. À contaminação teve inicio Estado do Pará e se alastrou pelas cidades portuárias, em função do forte deslocamento de navios. Pernambuco também teve seus dias de horror.

Consta nos livros que contam a história dos nossos antepassados que Vitória de Santo Antão foi a porção territorial cujos efeitos da aludida praga se deu em maior vulto. Por aqui morreu muita gente. Pobre, rico, branco, preto, macumbeiro ou católico foram castigados sem distinção. Ao final, em dois meses de holocausto, calculou-se que um terço da população antonense sucumbiu. Valendo salientar que no tempo pretérito pouco se sabia sobre a doença.

Pessoas enterrava um parente hoje, amanha, não sabia se era sua vez. Com medo de perecer nas estradas, alguns católicos passavam o dia rezando ao lado das covas para não correr o risco de não ser enterrados condignamente.

Construída em 1862 a Capela que  hoje existe no Engenho Bento Velho foi fruto de uma promessa, realizada no ápice da contaminação que, caso ninguém da propriedade fosse contaminado pela dita peste mortal um santuário seria erguido. Assim também é feita a história, com fatos cíclicos em lugares e em recortes de temporal diferentes.

Momento Cultural: A Alvorada – POR GUSTAVO FERRER CARNEIRO

O sol se descortinava na praia
Brilhando em meus olhos
Caminho só
Ar imóvel, quente
Vento assobiando ardente
Com o som da minha respiração
Um monte de pensamentos
Um toque agudo sibilante
Suspirando com prazer
O nascer de um novo dia
Uma alvorada arredia
De momentos de introspecção

Um aroma gostoso de terra molhada
Ou maresia,
Um delicada lua ornamentando o amanhecer
Em uma fantasmagórica poesia,
Plenitude
O vento zunindo
Um sentimento de dignidade
Uma visão do encanto
Insondável graça no rosto
No perplexo momento
Da percepção da vida.

O que ele diz
estará dentro do seu peito
Todo tempo
Para sempre…

Seja longe, seja perto
Não sabemos o exato, o correto
Para tudo tem um tempo

Mas quando será esse tempo certo?

(MOSAICO DE REFLEXÕES – GUSTAVO FERRER CARNEIRO – pág. 14).

Nestor de Holanda Cavalcanti Neto – por Pedro Ferrer

Nasceu na Vitória de Santo Antão, no ano de 1921. Desde cedo mostrou pendores para as letras. Era neto do Nestor de Holanda Cavalcanti, farmacêutico, estabelecido na atual João Cleofas. Ficou órfão ainda criança. Sua genitora ficou residindo algum tempo na casa dos sogros. Logo partiu para o Recife, levando em sua companhia o casal de filhos. Foram residir na rua do Sossego, bairro da Boa Vista. Mais tarde ele escreveria um romance cognominado: “Sossego, rua da revolução”.

Na capital trabalhou na imprensa, escreveu peças, poesias e compôs inúmeras músicas em parceria com Nelson Ferreira, Levino Ferreira, Luís Gonzaga. Aos 19 anos partiu para o Rio de Janeiro. Sua veia de escritor abriu-lhe as portas de revistas, jornais, rádios, teatros e finalmente TV.

Trabalhou em inúmeros jornais. Foi redator de rádios e TV. Escreveu muitas peças para teatro de revistas e compôs centenas de músicas. Entre seus parceiros citaria: Ary Barroso, Dolores Duran, Lamartine Babo, Ismael Neto, Haroldo Lobo. Suas crônicas prendiam-se muito a fatos ocorridos no Rio de Janeiro e na sua terra natal. Merecidamente ganhou o título de Cidadão do Estado da Guanabara. Nessa época seu livro, “A ignorância ao alcance de todos”, vendeu 120 mil exemplares, valendo-lhe o título de  escritor de maior venda no Brasil, na década de 1960. Nestor morreu jovem, no dia 30 de novembro de 1970, com apenas 49 anos. Jorge Amado, o famoso escritor baiano, resumiu em três linhas a importância, o valor e a originalidade de Nestor de Holanda: “Com Nestor de Holanda estamos longe de todo formalismo sem sentido com que certos escritores buscam esconder a inutilidade de sua voz. Nestor é um homem do seu tempo e do seu povo”.

Recomendo ao leitor seu livro “O decúbito da mulher morta”. História ocorrida na nossa cidade.

Finalizo transcrevendo algumas palavras escritas por Rachel de Queiroz, escritora cearense, primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, por ocasião da sua morte: ““Contista e, acima de tudo, cronista, esse pernambucano de Vitória de Santo Antão assimilou melhor do que ninguém a alma e a graça do carioca, sua irreverência, seu humor desabusado, sua mordente sátira, entremeada de momentos de enternecimento e romantismo. Curioso é que conseguiu figurar assim entre os mais “cariocas” dos cronistas desta cidade do Rio, sem por um instante imolar sua condição de homem vindo do Norte, parte daquela frente migratória anunciada por Manuel Bandeira em “São os do Norte que vêm”. O carioquíssimo “Sargento Iolando” jamais esqueceu ou sonegou o menino de Vitória, suas lembranças, saudades, e pontos de vista. A simbiose de ambos foi o milagre do talento – talento era coisa que não faltava a esse que nós choramos tão cedo, partido muito antes do seu tempo natural, quando ainda teria tanto para dar ao jornalismo, nas letras, na vida.”

Suely Santana: desenrolada e atuante!!

Em uma feliz coincidência, no último sábado, dia 23 de março, por ocasião da nossa passagem no Jardim Botânico do Recife, encontramos nossa conterrânea, Suely Santana, que atualmente preside o Conselho Estadual de Educação Física, em uma comitiva que objetivava grafar, no chamado “Bosque da Fama” o nome de mais um ex atleta pernambucano que prestou relevantes serviços ao esporte regional e nacional. A mulher da agremiação carnavalesca,  “Marias e Lampiões”,  é desenrolada e atuante……

Rainha Elizabeth: escreveu: Ronaldo Sotero

Estou lendo um livro excepcional sobre a rainha Elizabeth 1. Filha de Henrique VIII com Ana Bolena, segunda esposa do monarca. Esse Henrique era uma” alma sebosa”. Enquanto a filha ainda tinha 2 anos e oito meses, o pai mandou trazer da Espanha um carrasco espanhol somente para decapitar a mãe de Elizabeth 1, acusada de adultério, em 19/5/1536. Elizaberh 1 foi a maior soberana que a Inglaterra conheceu. Ela nasceu em 7/9/1533 e faleceu em 24/3/1603. Sob seu reinado , a Inglaterra conquistou a supremacia dos mares, tinha colônias em todos os continentes , ao ponto de ser dizer que o “sol jamais se punha sob o Império Britânico “, ou seja, enquanto era noite numa colônia na Ásia, na África era dia e ali havia uma colônia inglesa. O poeta William Shakespeare (23.4.1564 – 23.4.1616) foi contemporâneo da rainha, chamada de Rainha Virgem , porque ela dizia ser casada com a Inglaterra.
LER É DESCOBRIR!

Momento Cultural: Ante o Tabernáculo – Por Corina de Holanda.

Contemplando a prisão arquibendita

Onde se oculta o Augusto Sacramento

Pleno de amor meu coração palpita,

Da terra afasto, inteiro, o pensamento.

Insondável mistério! A infinita

Majestade de um Deus, no isolamento,

Nas estreitezas dum sacrário habita…

Terno Jesus! Quão grande é o meu tormento,

Em pensar que não sou como devêra!

– eu quisera, meu Deus, que, como a cera

Que arde feliz tão perto do hostiário,

Meu coração em puro amor ardesse

E à chama desse amor, se derretesse,

Se consumisse à vista do sacrário.

1925.

(Entre o Céu e a Terra – Corina de Holanda – pág. 42).

Celeuma entre Ética e Moral – por Sosígenes Bittencourt

Lembra-me um dos discursos que estabelece a diferença entre ÉTICA e MORAL.

A Moral é aquilo que nos ensinam: não matarás. A Ética é aquilo que aprendemos: matarei para sobreviver.

A Moral tem a ver com o SUPEREGO, a Ética tem a ver com o EGO. A Moral tem a ver com CASTIGO. A Ética tem a ver com CULPA. Portanto, a Moral vem de fora para dentro, enquanto a Ética nasce dentro. Se alguém belisca você, e esta atitude fere a Moral (não beliscarás) o que te foi ensinado, você reage com a Ética (belisco, porque fui beliscado) o que aprendeste.
A mim me parece que, nesta visão, a Moral tem a ver com o amor, um amor imposto, o homem tem o dever de amar, e a Ética tem a ver com justiça, ou seja, o homem tem o direito de ser amado, podendo reagir ao desamor. É complexo, mas não exclui a necessidade de refletir a respeito.

Quando Pedro arrancou a orelha de um soldado, com o gume da espada, atrapalhando a crucificação, o que disse o Senhor: “Quem viver pela espada, pela espada também morrerá.” (Moral e Condenação) Noutra oportunidade, disse o Senhor ao mesmo Pedro: “Quem não tem uma espada, que venda seu manto e compre uma.” Ou seja, a vida é luta permanente, e lutar contra o mundo e o demônio requer usar a espada contra o inimigo. (Ética e Absolvição)

Sosígenes Bittencourt

S.O.S: Instituto Histórico da Vitória arrecada donativos para atingidos pelo ciclone em Moçambique

O Instituto Histórico e Geográfico da Vitória de Santo Antão (IHGVSA) iniciou, nesta segunda-feira (25), campanha de arrecadação de donativos para os atingidos pelo ciclone em Moçambique, na África.

Roupas, calçados, produtos de higiene pessoal e álcool em gel estão entre os itens que estão sendo recebidos. As doações devem ser feitas até o próximo domingo, 31 de março. As arrecadações serão encaminhadas para Universidade Federal de Pernambuco, de onde seguirá para Moçambique através de uma pesquisadora daquele país.

O Instituto Histórico fica na Rua Imperial, 187, bairro da Matriz, área urbana de Vitória de Santo Antão. O funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. “Doar é um ato humanista. Devemos estar sempre dispostos a ajudar quem necessita, no caso em questão, tendo em vista as proporções da tragédia que o povo moçambicano foi acometido. Precisamos unir nossos esforços para ajudar aqueles que encontram-se hoje cerceados do que há de mais básico para sobreviver”, enfatizou Claudia Vicente, primeira secretária do IHGVSA.

SOBRE A TRAGÉDIA – Segundo dados das autoridades de Moçambique, o número de mortos no país, em função do Ciclone Idai, chegou em 446. A passagem do ciclone provocou fortes ventos, chuvas e inundações no país, além de atingir também países vizinhos. Os dados estão sendo atualizados à medida que o nível da água vai baixando e permitindo o acesso a novos locais.

Claudia Vicente