A vida e o artista – por Sosígenes Bittencourt.

A vida é um espetáculo sem revisão, é acontecendo. É o gerúndio que nos oferece a sensação da vida presente, a sensação de duração: nascendo, vivendo, morrendo. Estar vivo é como não ter mais jeito, o jeito que tem é viver.

O artista é um sonhador que tem a coragem de fuxicar os seus sonhos. Sobretudo, uma técnica de revelar os seus sonhos. Às vezes, com uma caneta, com um pincel, uma requinta, um cinzel.

Quando a beleza passa na frente do poeta, o resultado é poesia.

Sosígenes Bittencourt

De Floripa, o professor Pedro Ferrer manda notícias….

Circulando pela Ilha de Florianópolis, o professor Pedro Ferrer não esquece seu torrão. Me enviou mensagem fazendo comparações e especulando situações:

“Na Quinta Feira fui à catedral de Florianópolis participar da cerimônia do Lava Pés.  Cheguei mais cedo e tive um dedo de prosa com o arcebispo local, dom Wilson Tadeu Jonck. Falamos inclusive sobre dom Fernando Saburido. Deu-me o direito de uma foto ao seu lado. Os antonenses têm motivo de orgulho. Nossa IGREJA MATRIZ é esplendorosa em área, beleza e etc. Pelas fotos internas tu poderás comprovar.

A Matriz de  Santo Antão tem três naves. Nossas naves laterais, vários altares o que a torna mais bela. A linha de construção do nosso templo – Santo  Antão –  assemelha-se às grandes catedrais europeias. Falta nos ser transformado em Bispado. Padre Mauricio está na lista. Quem sabe?”

Pedro Ferrer

 

Fernando Nascimento – o Marinheiro talentoso…….

Na última quinta (18), na nossa Coluna “O Tempo Voa”, postei uma fotografia que realça o recorte temporal de 1946. No registro, “Seu” Zito Mariano, então com 18 anos, “socado” num paletó – magro de fazer pena – montado num cavalo,  fazendo pose no Pátio da Matriz. Mal conservada,  a foto, hoje com 73 anos, falta um pedaço  – absolutamente em nada compromete o seu valor……..

Pois bem, eis que por generosidade e talento descomunal do amigo Fernando Nascimento, no sábado (20), ele me enviou-me a foto totalmente restaurada. Ele, artista plástico experiente e sensível ao mundo das artes é mais um antonense que retorna ao seu nascedouro. Depois de residir na cidade maravilhosa por décadas e circular o mundo abordo da frota da marinha brasileira volta às suas origens. Como diz a canção do Rei Roberto Carlos, “eu voltei. Agora pra ficar”.

QUANDO A MEMÓRIA FALA – Uma viagem no tempo. Escreveu: *Ronaldo Sotero

 

No dia 9.3.1500, Pedro Álvares Cabral, ao meio dia, deixava o porto de Restelo, Portugal. A frota era composta de 10 naus, 2 caravelas e uma embarcação de mantimentos. A viagem durou 44 dias. No dia 22 de abril daquele ano, Cabral ancorou em frente ao Monte Pascoal. A média da viagem era de 13 km por hora. Era descoberto o Brasil.

Ronaldo Sotero

HOUVE UM TEMPO, LEMBRO BEM DELE…. – por Lucivanio Jatobá.


Em que a Semana Santa era um período de extrema tristeza, pois trazia à tona o sofrimento e o assassinato de Jesus Cristo.
A partir da Quarta-feira Santa, e sobretudo entre a Quinta e a Sexta-feiras santas, as rádios de Pernambuco, sem exceção, só tocavam musica clássica até a meia noite do Sábado de Aleluia.


As igrejas católicas ficavam sombrias, com os santos e santas envolvidos por um tecido roxo. Havia ainda pelas ruas das cidades a Procissão do Senhor Morto, uma procissão muito triste, que era iniciada por um som ritmado de uma matraca. Os sinos das igrejas ficavam tocando incessantemente, emitindo um som fúnebre.

Agora, vive-se um tempo de absoluta indiferença ao sofrimento e ao absurdo assassinato de Jesus Cristo. Um feriado prolongado permanece. E é usado para se tomar cachaça, ouvir “bregas” imorais e etc e tal…
Sinceramente, deveria ser abolido o feriadão da Semana Santa. Os verdadeiros cristãos fariam as suas orações em igrejas ou praças públicas. Lembrariam da Paixão de Cristo. Feriado agora para quê, mesmo? Para alimentar o quê, mesmo? A fé? Que fé?

Lucivanio Jatobá

 

Professora Odorina Gonçalves de Moura: breve relato do doutor Fernando Moura…

Recentemente fui procurado pelo professor e amigo Leandro, no sentido de  colher informações sobre o histórico da pessoa que empresta o seu nome à escola em que ele leciona, uma vez, que,   segundo ele, por lá, as informações são elementares.

Não obstante ser conhecedor de algumas informações sobre a professora Odorina Gonçalves de Moura, até porque a sua família era próxima da família do meu pai, para contemplar a carência e à necessidade do amigo Leandro,  fui obrigado a recorrer ao doutor Fernando Moura –  sobrinho da referida professora.

 De pronto e com toda boa vontade do mundo o doutor enviou-me informações que certamente irá suprir as necessidades. Segue:

Tia Dorita, a mais nova das irmãs Moura, foi professora atuante em nosso município por quase 30 anos, contribuindo para a formação educacional de várias gerações  de vitorienses. Formou-se em pedagogia em uma das primeiras turmas do Colégio Nossa Senhora da Graça  (Damas) e logo em seguida passou a lecionar. Inicialmente, durante 08 anos, na zona rural, na Fazenda “Miringabas”, pertencente ao Sr. Figueiredo (sogro de Sr. Joel de Cândido e avô de Sr. Elmo). Posteriormente, ainda na mesma propriedade, mas na parte pertencente ao ex-vereador, Elias Gomes de Freitas (“Elias de Miringaba”).

E seguida, foi transferida para a área urbana, onde exerceu, por vários anos,  o seu mister em uma escola localizada no Borges. Finalmente, concluiu as suas atividades de magistério na escola mínima “São João Batista”, localizada na “Capelinha São João Batista”, por ela construída com recursos próprios  (seu pai (Zito Mariano) fez a doação de uma bela imagem de Nossa Senhora para a Capelinha, inaugurada em 1960), onde exercia também a função  de Diretora. Dentre alguns dos seus alunos,  na Capelinha, no momento, lembro de alguns:  Carlos Peres, Etiene, Alemão…….Faleceu em setembro de 1994, aos 65 anos de idade.

Em razão dos relevantes serviços por ela,  efetivamente prestados à educação do nosso município,  após o seu falecimento, o Prefeito do Município  (na época,  Sr. Elias Lira), por indicação da sua Secretária de Educação,  Profa. Lourdinha Álvares,  resolveu homenageá-la com a aposição do seu nome em um Grupo Rural, localizado no Lagoa Queimada, próximo ao  Distrito de Pirituba. Espero ter contribuído para os esclarecimentos do histórico pretendido. Abraços!”

Jose Fernando Moura – advogado e sobrinho da professora Odorina Gonçalves de Moura.

Mia Couto palestrou no Instituto Histórico da Vitória.

Na noite de ontem (17) o Instituto Histórico e Geográfico da Vitória abriu as portas do Teatro Silogeu José Aragão para a palestra do premiado e conceituado escritor internacional, Mia Couto. Natural da cidade de Beira – Moçambique – é o mais importante e mais traduzido escritor da sua terra.

Com a casa lotada, Mia Couto explanou por quase duas horas questões envolvendo temas étnico-raciais e de pertencimento. Na ocasião, também interagiu com a plateia respondendo, entre outras coisas, temas relacionados ao conteúdo dos seus livros. O artista e sócio do nosso Instituto Histórico, Fernando Nascimento, presenteou o palestrante com um quadro por ele produzido.

Momento Cultural: Beijo proibido – por GUSTAVO FERRER CARNEIRO,

 

A força do poder

Ou não poder

A dúvida do não querer

Querendo…

Um simples aperto de mão

Fascinação abstrata

Mera ilusão caricata

Provocando certo arrepio

Coração chegando na boca

O corpo sentindo frio

A pele de pulso branco,

Indefeso

Cútis macia, membro ileso

Magro e azulado

Latejando sob o polegar

Em outro lugar

Mais profundo

Mais secreto

Impossível de ser alcançado…

Frustração exacerbada

Perto bastante para ser tocada,

Sentida e enxergada

Com perfume exalante

Um olhar excitante

Que só desperta desejo

Traz a ânsia de um beijo

Beijo roubado

Beijo querido

Beijo de carinho e paixão

Beijo com fervor

Quase adoração

Beijo de amor

Com gosto de veludo

Beijo concebido

Acima de tudo

Beijo desejado

Beijo proibido

(MOSAICO DE REFLEXÕES – GUSTAVO FERRER CARNEIRO – pág. 29).