4ª Festa da Saudade: contagem regressiva – faltam 02 (dois) sábados!!!

Faltando apenas dois sábados para o evento dançante mais esperado da cidade, único por conta do seu estilo e proposta, hoje,  podemos  dizer que os preparativos estão seguindo num ritmo satisfatório, antes planejado.  Já estamos em fase bastante adiantada, no que se refere à entrega das senhas aos participantes.

Em recente conversa com o amigo e líder da Orquestra Super Oara, Elaque Amaral, já ajustamos um novo  repertório para o evento. Mais uma vez, para a música de abertura do seu show, fiz uma escolha pessoal. Música forte e muito pouco executada no atual cenário, talvez pela complexidade do conjunto da obra, mas, indiscutivelmente,  bonita por natureza!!!

Estamos na estrada….A 4ª Festa da Saudade Tá Chegando!!!!!!

SERVIÇO:

Evento: 4ª FESTA DA SAUDADE – Local: O LEÃO – Dia: 24 DE AGOSTO -Horário: 22 HORAS – Atrações Musicais: BANDA MADE IN RECIFE E ORQUESTRA SUPER OARA – Mesa para 4 pessoas R$ 280,00 –  Camarotes para 8 pessoas R$ 450,00.

SAUDOSAS VENDAS E LOJAS VITORIENSES (1) – por Marcus Prado.

A VENDA DE SEU QUINCAS localizava-se no bairro do Livramento, a poucos metros da igreja padroeira do bairro. Foi uma venda germinadora de outras vendas da mesma família vitoriense. Eu era menino, levado por meu pai, Júlio Gomes do Prado, a essa venda, acompanhando-o nas compras semanais de alimentos. Meu pai comprava na “caderneta”, quando não à vista. O que era a “caderneta”: era um hábito nesse tempo comprar na “caderneta”, um crédito especial de confiança entre os fregueses habituais, para o pagamento no final do mês. A confiança naquele tempo era tamanha que a “caderneta” ficava sob os cuidados do comprador. Morávamos na Praça do Livramento, numa casa vizinha à de dona Lina e sua irmã Massú, perto da venda de seu Quincas, no antigo Pátio dos Currais, hoje Praça Padre Felix Barreto. Dona Lina foi a primeira mulher vitoriense nomeada para a Prefeitura. O ato saiu na gestão do interventor Municipal, professor José Aragão. Ela teve como padrinho, nessa nomeação, outro funcionário muito dedicado, da secretaria de Finança, o Sr. Anísio Costa, também nosso vizinho no Pátio dos Currais, como eram vizinhos nossos : Pedro Ramalho e Brasiliano de Queiroz Monteiro.

Marcus Prado – jornalista 

Recordar é Viver – por Pedro Ferrer.

No intuito de pesquisar sobre a história do nosso aeroclube lancei-me numa busca no jornal “Diário da Manhã”, matutino circulante na capital, durante boa parte do século XX. Deparei-me com esta pérola que merece, no meu entender, ser publicada, pelo tom jocoso e pela abordagem do método de fazer política de José Joaquim da Silva, que de acordo com Pilako permanece até hoje.

Para os menos avisados ou pouco versados em nossa história, especialmente os políticos que adoram trocar nomes de logradouros, RONCADOR é o riacho que passa por baixo da avenida Mariana Amália e Aquino foi um vereador que chegou a ser presidente da nossa Câmara de vereadores e fazia ferrenha oposição ao prefeito de então.

“Com maioria na Câmara, o sr. Agamenon (Governador) não terá necessidade de convidar os demais partidos para colaborarem com o seu governo, porque lá na Assembleia estará um deputado como JOSÉ JOAQUIM FILHO para, com ardor do seu verbo, com a pujança da sua inteligência, defender as críticas que forem feitas.

Convém não esquecer o sr. Agamenon que o seu deputado da Vitória de Santo Antão, quando vereador ali, proferiu tais e tantos discursos que dominou a Câmara local. Foram tantos os seus projetos que o prefeito, por sinal pai do grande tribuno, se atrapalhou de tal forma que só conseguiu fazer três coisas que o município jamais se esquecerá: a Bomba do Roncador, uma banca de jogo que se estendeu por todo o município e uma surra no vereador Aquino”. (Diário da Manhã, Recife, 8 de novembro de 1950).

Pedro Ferrer – presidente do Instituto Histórico da Vitória. 

O coração que ri – por Sosígenes Bittencourt.

O sofrimento é um prolongamento da dor, ele sobrevive à dor. Sofrimento é deixar de agradecer pelo amor recebido e resmungar pelo amor que deixou de receber.

Pessoas que amam a vida são pessoas que agradecem e, por isso, são pessoas calmas. A calma promove harmonia, porque a calma organiza a vida. E um dos benefícios dessa postura diante da vida é fundar no convívio a esperança.

O coração que ri não dá asas ao sofrimento porque palpita deesperança.

Sosígenes Bittencourt

Lions Clube da Vitória: PRESTANDO CONTA!!

Em duas etapas o Lions Clube da Vitória investiu cerca de R$ 8.000,00 (oito mil reais) em obras de infraestruturas   no Lar Espírita São Francisco de Assis, localizado no Alto do Reservatório, aqui em Vitória – três mil e quinhentos na primeira e  quatro mil e quinhentos na segunda.

Os recursos, proveniente de promoções do aludido clube de serviço, foram bem aplicados num novo piso para o melhoramento daquele grupo de pessoas idosas. Assim sendo, parabéns aos integrantes por efetivar, na prática, os objetivos pelos quais o Lions Clube foi criado, assim como para todos àqueles que contribuíam nas respectivas promoções. 

Momento Cultural: Amar – por João do Livramento.

Não afirme o que é o amor

Nada diga e nada fale

Se você ainda vive

É melhor então que cale

Se está vivo não sentiu

O perfume da ilusão

Embebido no amor

Exalado na paixão

A quem indaga o que é o amor

Não preciso responder

Mostro apenas uma flor

Todas nascem pra morrer

Ah, essa morte é enganadora

E de amor tem apelido

Cabelos longos, corpo belo

Escondido num vestido

Me enganou o coração

Me enganou o pensamento

Quando achei que estava vivo

Já morrera há muito tempo

Mas se nascesse novamente

Ao início eu voltaria

Sem amor não sei viver

E assim amando morreria.

João do Livramento.

O POETA DRUMMOND, PROFETA DRUMMOND – por Sosígenes Bittencourt

O poeta é um filósofo apressado, um cientista antecipado, um visionário, um profeta. Tudo através da intuição.

O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, falecido em 1987, andou prevendo tragédia na sua terra natal. Observem como fez a leitura do leito do Rio Doce e seu amargo destino às margens das barragens da Vale-Samarco em LIRA ITABIRANA.

O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.

Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!

A dívida interna.
A dívida externa
A dívida eterna.

Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?

Catastrófico abraço!

Sosígenes Bittencourt

NADA DE FILHO: quem vai ser o vice de Aglailson Junior é o cacique Henrique Queiroz.

Recentemente, por ocasião da solenidade alusiva à passagem dos 374 anos da Batalha das Tabocas, ocorrida na noite da sexta (02), no nosso Instituto Histórico, encontrei com o ex-deputado e líder do grupo verde local, Henrique Queiroz. Bom de papo, o velho Queiroz não perde a oportunidade de receber “consultoria” gratuita.

Aqui e acolá, fico sabendo que ele está convidando “gregos e troianos” para filiar-se aos seus partidos. Até brinquei, dizendo: dobre o salário do Cabeleira (assessor). Estou vendo ele todos os dias, pra cima e pra baixo, com uma pasta de fichas debaixo do braço.

No bom sentido da palavra, provoquei o cacique, perguntando: diga-me uma coisa diferente – para eu colocar no blog – sobre o processo 2020? Sua resposta foi algo que não vou publicar. Diz repeito aos atos de filiações. Na hora alertei-o, dizendo: Henrique, isso é ilegal. Se botar isso no blog, mais adiante, posso ser obrigado a me explicar e você se prejudicar.

Noutro momento, sobre as possíveis candidaturas à prefeito na Vitória,  ele foi taxativo: “ O Paulo Roberto tem uma estrutura própria para ser candidato, sem precisar do apoio do Elias”. Se referindo ao grupo que caminha em faixa própria (VitóriaSim) ele disse em tom de ironia: “ o Saulo quer ser candidato a prefeito de todo jeito, não abre pra ninguém”.

Perguntado se o que as pessoas comentam na rua é verdade – o filho dele (Carlos Henrique) seria o vice do prefeito – ele me respondeu perguntando: “ o que você acha?”. Pois bem, o matreiro e experiente político  – Henrique Queiroz – não nega suas origens, ou seja: pergunta mais do que responde.

Bom! Daqui para frente não usarei mais nenhuma expressão ou fala – oriunda desse encontro – do Henrique Queiroz. Doravante, nessas linhas, estarão as minhas impressões sobre nossa amistosa conversa.

Primeiro: acho que o candidato ao cargo de vice do Aglailson Junior será o próprio Henrique Queiroz. Sem mandato, Henrique estaria 24 horas focado no processo. Vencendo o pleito – o que não é nada impossível – seria ele a “bola da vez” para suceder o prefeito em 2024. Até porque, reeleito, Aglailson Junior não poderia indicar nenhum parente de primeiro grau.

Segundo: hoje afinados,  eles já superaram as desavenças do passado, onde, na campanha de 2008, em plena via pública,  promoveram uma cena de MMA. Mas maduros e com vistas no futuro dos filhos,  entenderam que há espaço “para todos os seus” , sobretudo em tempo de ebulição na política. Deu-me a impressão, na nossa conversa,  que os dois – Aglailson Junior e Henrique –, além de investir na velha fórmula – carga no final da gestão –  os mesmos deverão apostar e incentivar à divisão dos grupos  opositores.

Terceiro: como o dinheiro das campanhas municipais, a partir de 2020, serão frutos do chamado “fundão”, juntar os partidos do prefeito com os de Henrique, de certa forma,  configura-se numa estratégica bem-vinda e mais que necessária, para que não ocorram “novidades desagradáveis” – na cabeça deles – imagino.

Por fim, acho que o prefeito não teve a habilidade necessária para manter o seu vice – Doutor Saulo – no seu grupo. Assim sendo, o “ator” Henrique Queiroz, nesse contexto, saltou de patamar nessa aliança eleitoral. Com a saída de Saulo, se o “passe” do grupo verde valia “10”, passou para “20”. Pior para o prefeito, melhor para Henrique.  Certamente “aconselhou” o prefeito no  endurecimento da questão, ou seja: – Henrique  apagou o incêndio colocando mais gasolina na fogueira, algo que ele sabe fazer com maestria.

Portanto, eis aí, para o pleito que se avizinha (2020), algumas palavras do velho cacique Henrique Queiroz e algumas das minhas impressões nesse contexto. Quem viver verá….

Duas casas emblemáticas – por Marcus Prado.

AS MUITAS CASAS, dentro e fora do Brasil, que deixaram na minha memória generosas recordações, serão vistas no meu livro, em fase final de releitura crítica e revisão: “O Tigre Anfíbio”, iniciado há mais dez anos. A primeira forte lembrança que descrevo, entre outras para mim enriquecedoras, foi ao conhecer a cabana de Martin Heidegger, na Floresta Negra (Alemanha). Fica numa aldeia chamada Todtnauberg, no município de Todtnau, região de Baden-Württemberg. A poucos quilômetros, fica a cidade de Freiburg, onde Heidegger lecionava.  Foi nessa cabana, numa paisagem bucólica e fria, sem o conforto que o filósofo mundialmente conhecido havia deixado na sua Friburgo, que ele todas as noites acendia uma fogueira e, ao redor da chama  e do seu calor, se reunia longamente com os camponeses e lenhadores da Floresta. A lenha era colhida na mata, um trabalho um tanto cansativo para Heidegger. Era extraída das chamadas árvores perenes como nogueira, carvalho, bordo, cedro e amieiro. Escolhidas porque produziam muito calor e rendiam mais. O curioso é que, segundo seus biógrafos, não havia quase nada a conversar, ficavam em silêncio, esses vultos e suas aparências alegóricas. Uma provável comunhão coletiva da vida com o fogo, sua mística, sua magia, uma talvez reflexão sobre a existência, tão saliente no universo de Gaston Bachelard. A luz imaginária partindo de uma simples fogueira, essa luz nascida em nosso ser. A seus olhos, o pensamento mais claro tinha um camponês que nada sabia de filosofia. A cabana era uma constante companheira no diálogo do mestre alemão consigo mesmo. A permanente silhueta da cabana na neblina, em meio aos robustos pés de árvores centenárias.  Sabe-se que foi nessa cabana, numa simplicidade rude e campestre, ao seu lado, a mulher, Elfriede, que ele iria construir a essência de sua filosofia e o seu modo de ver o mundo, o ser e nossa dimensão de existencialidade. Nessa cabana, Heidegger pensou o espaço a partir de sua vinculação ontológica com a noção de lugar, o processo incessante de auto-compreensão da existência que predominaria no seu agir filosófico:  demonstrar o tempo como horizonte de compreensão do ser.

OUTRA CASA, para mim, emblemática, na cidade colonial de Paraty (Rio de Janeiro), cercada pela pujança da mata de um lado e por outro as terras do Engenho Boa Vista, do séc. XVIII serviu de berço a Julia Bruhns da Silva, mãe de Thomas Mann, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1929 e Prémio Goethe em 1949, considerado um dos maiores romancistas do século XX. Contam que era hábito nesse sobrado o acender de uma fogueira, feita pela menina Julia, e, em torno dela, à guisa da luz de que ninguém se dava conta, ela nominava as gotas de orvalho sobre as flores do jardim.  Júlia foi a musa inspiradora das obras de Heinrich e Thomas: a personagem Gerda Arnoldsen em Buddenbrocks, a Senadora Rodde em Doutor Fausto, a Mãe Consuelo, em Tônio Kröger e, finalmente, a mãe de Gustav Von Aschenbach, principal protagonista de Morte em Veneza. Anatol Rosenfeld faz uma bela análise disso, dizendo que a mãe estaria no centro da vocação literária dos filhos. Ouvi dizer, quando estive nesse sobrado, recentemente, que vão instalar uma residência para escritores do mundo todo – este é o sonho de Nikolaus Gelpke, amigo da família Mann, sob o fascínio desse ambiente. Uma maravilha, inédita, em qualquer país.

 SEPARAR essas casas (lugares indistintos uns dos outros) é desconhecer a força da imaginação e dos devaneios, o estado etéreo de que se revestem. Os elementos do Fogo e suas claridades nelas existentes.

Marcus Prado – Jornalista.