Vitória na pandemia: é vida que segue….

Próximo de completar cinco meses vivendo sob o fantasma  da pandemia do coronavírus, parece-nos que  a maioria da população da nossa aldeia – Vitória de Santo Antão – já se refez do impacto do susto. Outrora na vitrine do noticiário estadual pelo baixo índice de isolamento social e alto grau de contágio e óbitos, tais quais as cidades da Região Metropolitana, a chamada “curva epidêmica”,  por aqui, atualmente,  segue estabilizada com tendência de queda. Engano imaginar, por assim dizer, que já podemos fazer tudo que fazíamos antes.

Não fosse o uso obrigatório das máscaras para clientes e funcionários, assim como à limpeza das mãos com álcool na porta dos estabelecimentos comerciais,  o vai e vem intenso das pessoas pelas ruas centrais já nos provocaria um certo “ar” de normalidade. Nos bancos os protocolos estão mais rígidos. Todos esperam por atendimento fora das agências entrando, quando chamado, em grupos para os mais diversos serviços. Já os procedimentos naquilo que chamamos de “comércio de bairro”, infelizmente, na maioria dos casos,  as coisas seguem  bem diferente no que se refere aos cuidados exigidos pelas autoridades sanitárias.

Assim como em todo estado e praticamente no país inteiro seguimos também no compasso de espera à volta das aulas presenciais, convenhamos, um grande teste para sabermos se estamos preparados para convier com o vírus,  até que uma vacina eficaz possa ser amplamente aplicada.

Outra expectativa – essa  mais restrita ao políticos de maneira geral – diz respeito ao modelo de campanha eleitoral que será efetivada por aqui,  visando o pleito municipal que se avizinha. Já virou tradição na nossa cidade, há décadas,  campanhas políticas com grandes aglomerações e praticamente tudo que hoje não é permitido, em função da pandemia do coronavírus.

Portanto –  em compasso de espera e motivados pela esperança -,  assim como a população planetária, estamos todos – antonenses – nos moldando ao contexto atual. É vida que segue na busca – sempre –  por dia melhores.

Eleições Municipais 2020: PTC promoveu movimento político na noite de ontem

Submersa aos efeitos da grave crise sanitária que assola o mundo, sobretudo o Brasil, a agenda eleitoral, atinente às eleições municipais, aos poucos, começa ser destravada. Com efeito, os lideres locais da sigla PTC – Moacir da Mandioca  e Doutor Gil – promoveram na noite de ontem (16), em um espaço para eventos, sua primeira reunião pública  visando o planejamento 2020.

Além de apoiadores e pré-candidatos – prefeito e vereadores – o encontro contou com a presença do presidente e secretário estadual da agremiação política citada, Fábio Bernadino  e Lúcio Silva, respectivamente. Nesse contexto, vale lembrar, o dia das eleições municipais foi adiado para 15 de novembro.

Eleições Municipais 2020: gente safada na nossa terra não é verdadeiramente uma novidade…

Existe um provérbio português que diz: “não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe…”. Difícil seria encontrar uma espécie de marco na humanidade a partir do qual o ser humano introduziu a mentira como “instrumento de trabalho”. Na Grécia Antiga, através dos chamados sofistas,  encontramos “pensadores” que ganhavam a vida ensinando – aos  que podiam pagar –  retóricas não dogmáticas, ou seja: carregadas de “pontos fora da curva”.

Possivelmente é no ambiente político que a mentira produz mais “sucesso”. O campo é fértil. Transformada numa espécie de “manual da mentira política” – ou verdade escancarada –  a obra  “O Príncipe” do pensador italiano Nicolau Maquiavel (1469 – 1527) conseguiu talhar até os dias atuais o termo “maquiavélico”, sinônimo de ardiloso, oportunista vigarista e etc. Se antes as estruturas de poder se socorriam na incontestável fé religiosa das massas para manipular e enganar,  no mundo de hoje o “pecado”, por antecipação,  já não leva mais ninguém ao inferno.

Pois bem, no tocante as mais modernas ferramentas de difusão de mentiras da atualidade – redes sociais – poderíamos dizer que,  nas últimas semanas,  o mundo começou experimentar e seguir por uma nova agenda. No Brasil, mais especificamente na seara política, temos a impressão que a “casa” começou a cair – usando uma linguagem popular policialesca. Tanto pelo lado do Partido dos Trabalhadores quanto pelo lado Bolsonarista. Parece-nos  que os dois grupos que se opõe de maneira sistemática se valiam de práticas semelhantes.

Na nossa “aldeia” – Vitória de Santo Antão -, com vista ao pleito municipal que se aproxima, aqui e acolá, já começam “pipocar” vídeos sem assinatura do autor, com a clara intenção, evidentemente,  de denegrir a imagem dos adversários. Aliás, já recebi vários em grupos de WhatSapp. O curioso dessa prática no interior é que pela fácil identificação do emissário da peça,  o autor do “crime” fica a poucos clicks. Se a Justiça Eleitoral realmente  tiver interesse em desbaratar essas “quadrilhas interioranas”, imagino que será uma tarefa mais fácil do que beber um copo com água. Basta querer….

Para concluir essas despretensiosas linhas sobre mentira, redes sociais e política gostaria de lembrar que a primeira candidatura a prefeito  do industrial José Augusto Ferrer, na nossa terra (1959), surgiu numa contenda envolvendo os chamados panfletos apócrifos, em que adversários políticos do seu pai, Nô Ferrer, soltaram na cidade para tentar macular sua honra. Portanto, mentira, pilantragem e gente safada na nossa terra não é verdadeiramente uma novidade.  Aguardemos os próximos capítulos eleitorais….

Eleições Municipais Vitorienses 2020: até agora, mais dúvidas do que certezas…

Em função dos efeitos e desdobramentos da pandemia do novo conavírus, como previsto, as eleições municipais 2020 sofrerão adiamento – 04 de outubro para 15 de novembro. Aliás, vale salientar, também, que não só as datas de votação do primeiro e segundo turno foram alteradas como parte do calendário eleitoral a ser cumprido daqui para frente.  As convenções partidárias, por exemplo, antes previstas para o período de 20 de julho a 05 de agosto, ocorrerão entre os dias 31 de agosto a 16 de setembro.

Não há disputa eleitoral sem uma boa dose imprevisibilidade. As que se avizinham, muito antes da pandemia, já eram vista como uma espécie de “laboratório” em virtude da impossibilidade das chamadas “coligações proporcionais” e da perspectiva do partido político conseguir vaga no parlamento sem que o mesmo tenha atingido o coeficiente eleitoral.

Pois bem, com o Brasil mergulhado nesse mar de incertezas pandêmicas, convenhamos,  pairam no ar uma série variáveis que tornam os pleitos  municipais ainda mais  imprevisíveis. Como estará o humor do eleitor no dia da eleição?  Em função das mortes e do desemprego o eleitor se interessará por campanha política? Com medo de se contaminar será que o eleitor estará  disposto em apertar a mão dos políticos? Qual será o peso da internet no pleito?

Na nossa “aldeia” – Vitória de Santo Antão –, até agora, o clima de campanha nas ruas está mais fraco do que caldo de peixe. Com efeito, o prefeito, candidato à reeleição, por impedimento, não consegue inaugurar nada com o alarido desejado, algo  tão comum em ano eleitoral na nossa cidade.

Nos grupos opositores, até agora,  mais dúvidas do que certeza: pelo grupo amarelo quem será o candidato a prefeito:  Elias, Joaquim ou Paulo? Pelo PDT, André Carvalho ou Doutor Saulo? Toninho e Moacir da Mandioca seguirão firme com suas postulações?  O Partido dos Trabalhadores, Antonio de Lemos e Edmo Neves apresentarão nomes consistentes à disputa majoritária?

Até o presente momento, das poucas notícias que tem chegado boa parte devemos colocar no campo da especulação ou mesmo no “departamento do fuxico e da fofoca”. De concreto mesmo, até agora, é que o pleito municipal, sob os efeitos da pandemia, de maneira geral, nunca esteve tão distante da população…

Por motivos opostos o dia 27 de junho marca – para sempre – a história das Igrejas do Rosário e da Matriz.

No constante diálogo histórico entre o passado e o presente, temos apenas uma certeza: o presente de hoje, amanhã, será passado e o futuro de hoje se materializará, em breve,  como presente fugaz,  na passagem para o tempo pretérito, mas não como “peça” morta e  sim como elemento vivo que sempre será revistado.

Assim sendo, nessa dialética constante, o dia de hoje, 27 de junho, pelo menos por dois recortes temporais distintos, mas ligados entre si, ficarão catalogados para sempre na história antonense, sobretudo no que se refere aos dois emblemáticos templos católicos – Matriz de Santo Antão e Nossa Senhora do Rosário.

Hoje, 27 de junho, ficará marcado na história da nossa cidade como o dia da reabertura da Igreja Matriz de Santo Antão aos fiéis,   após longo período fechado, em virtude dos severos efeitos da pandemia do novo coronavirus.  Evidentemente, algo para ser  celebrado  com alegria,  e principalmente com esperança e fé.

Já o dia 27 de junho de 1880, há exatos 140 anos, a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos serviu de palco para um dos piores momentos já vividos na nossa cidade. O evento sangrento,  que ficou conhecido como a “Hecatombe do Rosário”, deixou um rastro de morte desilusão no seio da nossa sociedade cujo templo, em função do holocausto, foi obrigado a fechar as  suas portas por um longo período.

A história é assim: viva, vibrante e, às vezes, contraditória… No 27 de junho de 2020, celebramos a reabertura da Igreja da Matriz com a alegria. Já no 27 de junho de 1880,  fomos obrigados a fechar as portas da Igreja do Rosário,  num cenário tristeza e dor… Assim é a vida que segue.

Esse, portanto, é  mais um capitulo da história viva da nossa Vitória de Santo Antão.

Igreja Matriz de Santo Antão retoma as missas presencias a partir deste sábado (27)

Durante o dia de ontem (26) grupos vinculados à Igreja Matriz de Santo Antão, sob a coordenação do Monsenhor Maurício Diniz, dedicaram o dia à limpeza e aos ajustes finais para a tão esperada reabertura do templo,  no sentido da retomada das missas, após imperiosa interrupção em virtudes da pandemia do novo coronavírus.

Portanto, hoje, sábado, 27 de junho, acontecerão duas celebrações: 17h e 19h. Vale lembrar aos fieis que medidas preventivas de distanciamento social foram tomadas. Os tradicionais bancos de madeiras deram lugar às cadeiras plásticas (apenas 100 cadeiras). As mesmas serão ocupadas seguindo o critério da ordem de chegada. Já no domingo ocorrerão cinco celebrações – 6:30h, 9h, 11h, 17h e 19h – seguindo o mesmo critério de ocupação – espaço para 100 fieis e por ordem de chegada – as transmissões remotas serão mantidas.

Portanto, em tempos de pandemia, essa retomada torna-se um ato emblemático para os antonenses católicos. Aos poucos,  e como novos protocolos sanitários,  a vida está começando a entrar nos eixos.

Nota de Falecimento: Doutor Dorgival Soares de Souza.

Faleceu ontem (26) no Recife, após intervenção cirúrgica, o Magistrado Dorgival Soares de Souza, muito conhecido na nossa cidade como “Doutor Dorgival”. Nascido em 01 de abril de 1950 (70 anos), deixa esposa e quatro filhos. Em Vitória de Santo Antão, na qualidade de juiz, exerceu ofício entre os anos 1991 a 1995.

De origem pobre, Doutor Dorgival antes de se formar em direito,  no estado de Alagoas, exerceu outras funções laborais (taxista, garçom, marinheiro e etc). Como advogado atuou com destaque em vários sindicatos – Sindicato dos Arrumadores de Recife e Maceió e Sindicato da Polícia Cível em Santo Amaro.

Como Juiz, além de Vitória, Doutor Dorgival atuou em várias comarcas e acumulações: Petrolândia, Tamandaré, Rio Formoso, Barreiros, Gravatá, Escada, Gloria do Goitá, Moreno,  Surubim,  Caruaru e Recife. Em praticamente todas as cidades que trabalhou, pelos relevantes serviços, foi condecorado com os respectivos “Título de Cidadão”, inclusive em nossa cidade.

Sujeito considerado “boa praça”, Doutor Dorgival deixou muito amigos no seio da sociedade  vitoriense. Com seus auxiliares,  no Fórum local – Rubens do Cartório, Abraão, José Luiz, Alcemi, Edson Ferreira, Edson Farias, Severino Ramos e etc – o mesmo construiu boas relações de afeto.

Doutor Dorgival tinha uma estreita relação com a música. Certa vez, por ocasião de um evento festivo, ocorrido na residência do meu tio,  Romildo Mariano, em que realizou uma apresentação musical, disse em alto e bom som: “só me arrependo de uma coisa: não ter me dedicado a música mais cedo”.

Seu velório (sepultamento) ocorre hoje (27/06/20), das 08h às 14h, no Cemitério Morada da Paz – Paulista.

…e o São João era assim… – Por Alfredo Sotero (em 1947)

Texto publicado no Jornal O Victoriense em 23 de Junho de 1947 – há exatos 73 anos.

Quando o Brasil era brasileiro e não havia comunistas, nem as moças solteiras sabiam as coisas que sabem hoje, o São João era tão lindo!

De manhã, os bacamartes estrondejavam defronte da igrejinha, nas perigosas viradas do cocho; e os meninos acordavam assustados, querendo saltar da cama de camisola arrastando, para verem como se acordava São João, que a lenda suave dizia que estava dormindo sem parar, no silêncio do céu.

De noite, depois de cear pamonha de côco, canjica, milho verde assado, milho verde cozido, bolos sem conta, a gente ia acender a fogueira votiva que ardia estrelejando o espaço com milhões de trêmulas centelhas. E ia ver no espelho ou na bacia com água, à luz fugaz, às próprias faces, para saber se para o ano ainda estava vivo. E a Maroquinhas, a moça nervosa, espiava e não via, por mais que fizesse, e saía chorando pela casa, a dizer a todos que no ano seguinte já não era deste mundo.

E os “mosquitos” passando pelos pés da gente, as meninas correndo e chorando, para as queixas sem fim às mamãezinhas, contra os meninos desesperados, que só queriam jogar nelas os “diabinhos”…

E o Sebastião, um moleque escanzelado e fedorento, que tinha fé em São João, mas muito em Nosso Senhor Jesus Cristo, e espalhava as brasas da fogueira, que parecia então uma enorme melancia de fogo e madura, aberta, sobre cujas as brasas o moleque danado passava, indo e vindo, como se pisasse flores, mostrando a força da fé…

E os rapazes da vila, depois que as devotas voltavam do terço, para se mostrarem às namoradas, acendiam os buscapés, que abriam na noite as faixas fulgurantes, como línguas de prata líquida, que, soltos no ar negro e calmo, cabriolavam, tombando depois sobre a terra, numa agonia luminosa, estertorante, envoltos num sudário de luz irisada e diáfana, como uma aurora sidérea, nas desoladas regiões polares.

Tudo passou. Calaram-se os bacamartes que os doutores desbrasileirados sepultaram nos báratros do oceano. Tudo se foi. Somente a saudade no coração da gente que ainda vive, vinda daqueles tempos felizes, ainda chorando na estrada do tempo. E quando todos morrerem tudo será silêncio, que é o tumulo branco das recordações extintas.

Alfredo Sotero de Farias, foi natural de Apoti, (Glória do Goitá), diplomado em Farmácia e Química, exerceu sua profissão em Laboratórios. Freqüentando, desde a adolescência, esta cidade e possuindo acentuado pendor para as letras, colaborou na imprensa local e na interiorana, passando a ser assíduo colaborador do Jornal do Commércio, do Recife. Foi um dos fundadores da “Academia de Letras dos Supersticiosos”, com Samuel Campelo, Célio Meira, José Miranda e outros. Em dezembro de 1915, adquiriu e instalou a Rua Barão de Rio Branco nº 22 uma tipografia (Tipografia Gutemberg), que depois vendeu a Célio Meira, na qual foi impresso o bi-semanário “A Coluna” (1916 – 1919), um dos mais bem elaborados jornais do interior. Faleceu em 1981.

Meu elogio ao trabalho de resgate e preservação histórica de Cristiano Pilako – por Marcus Prado.

Enalteço e dou o meu testemunho de respeito e gratidão a Cristiano Pilako, como vitoriense, e elogio pelo inestimável trabalho de documentação histórica e iconográfica de minha terra natal que ele vem realizando, há muitos anos, por meio das suas redes sociais, destacadamente através do seu blog, do qual sou leitor diário. Um trabalho, me parece, sem equipe, que é de surpreender pela sua pontual atualização diária e diversidade temática. Que exige tempo, disponibilidade para pesquisa, idealismo, colaboração dos leitores amantes da terra natal, patrocinadores.

Na falta de uma imprensa, ao menos com periodicidade mensal, para o registro dos fatos e coisas da cidade, Pilako tem suprido tudo isso com o seu equipamento noticioso, e o faz com o cuidado da isenção e com foco na preservação da memória, para mim, de um valor inestimável.

Ele é um continuador daqueles estoicos animadores culturais e vultos da Imprensa local, da geração de um professor José Aragão, de um José Miranda, de um Waldemar Custódio de Lima, de um João Albuquerque Alvares, e, mais recentemente, de um José Edalvo, de um Bayma. Sem esquecer o tesouro deixado por Dilson Lira, que talvez exista ainda, como documentário fílmico da cena social e política de nossa cidade, no passado. Um tempo vitoriense foi visto pelas câmeras desse abnegado comunicador vitoriense. Tinha como apoiador, que nunca lhe faltou, o empresário e mecenas Biu Cândido e, depois dele, o Alexandre Ferrer.

Sem o legado, devidamente catalogado, do que escreveram e produziram esses tantos cronistas do nosso passado, – uma missão do Instituto Histórico, pelo que contribuíram por todos os meios para o registro do nosso passado, não se dará continuidade à obra, monumental, do professor Aragão.

Não sei se o blog de Pilako já está nas nuvens, fator primordial, sabemos os que lidam com a Internet, para que esse acervo/patrimônio não

seja desfeito e perdido, se está protegido com um Software de Virtualização de Redes e Segurança.

Minha sugestão é que equipamentos digitais como o de Pilako, passem a integrar (pelo formato diferenciado de que ele vem construindo) o Centro de Estudos de História Municipal, com sede no Recife, que tem por objetivo promover o resgate da memória municipal, estimulando os historiadores a preservarem o rico acervo documental do Estado e a registrarem fatos e informações histórico-culturais dos municípios pernambucanos. O CEHM – criado em 1976, dentro da estrutura organizacional da Fundação de Desenvolvimento Municipal do Interior de Pernambuco – FIAM, e em 1999, passou a integrar a Fundação de Desenvolvimento Municipal – FIDEM – teve como um dos seus fundadores, o professor Aragão. Deve albergar, modernizando-se, iniciativas virtuais como a do vitoriense Pilako.

Parabéns, Pilako, pelo seu heroísmo, pelo seu projeto de documentação histórica, pelo seu MUSEU VIRTUAL DA IMAGEM E DO SOM.

Marcus Prado – jornalista. 

Eleições 2020: eleitor desinteressado, muitas incertezas e dinheiro sobrando!!!

A pandemia do coronavírus  espatifou o calendário de 2020 nos quatro cantos do mundo. Isto é: alterou a rotina de tudo e todos. Com efeito, no nosso Brasil, apenas para ficar no processo das eleições municipais (2020),   até a tão rigorosa agenda eleitoral também segue deslizando  na pista do gelo das incertezas.

Hoje, 20 de junho, estamos a exatos trinta dias do início do período reservado às chamadas “convenções partidárias” – 20 de julho a 05 de agosto. Não se sabe ao certo como tudo isso irá acontecer. Se antes, sobretudo nas cidades do interior, esse momento já servia como uma pesquisa eleitoral informal para o  pleito, agora possivelmente todo aquele “vuco-vuco”  não passará de um “game” computadorizado, ou seja: “Convenção Online”  algo, convenhamos,  totalmente estranho ao modelo de sempre.

Trazendo para nossa “aldeia” os impactos visíveis e invisíveis da pandemia, no que se refere ao pleito municipal que se avizinha,  podemos dizer que, assim como a maioria da população das cidades brasileiras, de maneira geral, o eleitorado antonense não está ligado e interessado nesse processo.

Ainda com os olhos voltados ao modelo eleitoral local de antes,  quando os chefes políticos – após o carnaval –  “caiam em campo” para aproximar-se  dos eleitores nos mais diversos eventos – “aniversários fabricados”, “cultos inventados”,  “campeonatos relâmpagos”, encontros sociais e etc –  justamente para “aquecer” a tropa  e arregim$ntar novos soldados, convenhamos que a pandemia, definitivamente,  “quebrou” essa etapa.

Outra coisa que a orientação sanitária do isolamento social “fraturou”, por assim dizer, foi à exposição dos pré-candidatos a prefeito. Se antes do cornavírus os pré-postulantes locais já não tinham visibilidade, agora mais ainda. Por uma parte eles estão sendo recompensados, isto é:  estão economizando dinheiro, principalmente com aqueles “viciados” e “profissionais” na arte do leilão eleitoral.

Com a intenção de atenuar os efeitos da não campanha de rua – que pelo calendário posto deveria começar a partir do dia 16 de agosto – fala-se no Congresso Nacional no adiamento do pelito para os dias 15 de novembro e 06 de dezembro – 1º turno e 2º turno,  respectivamente.

No que se refere ao movimento político dos candidatos a vereança, em se mantendo esse modelo de campanha sem visibilidade e sem movimentos de rua, convenhamos que os atuais ocupantes das cadeiras da Casa Legislativa Municipal partem na frente com certa vantagem.

Portanto, como falei no inicio, a pandemia do coronavírus espatifou calendários e agendas. De certo, por enquanto, “apenas” a bagatela de mais de  DOIS BILHÕES (R$ 2.034.954.823,96) para ser “investido” em tudo isso, com ou sem campanha. Durma com uma bronca dessa!!!

A formação da nossa cidade no centro do debate!!!

Em tempos de recomendação de isolamento social,  por conta da pandemia do coronavírus, as novas ferramentas tecnológicas ganharam ainda mais relevância no contexto disseminação da boa informação. Assim sendo, aceitei o convite do amigo Pedro Cavalcanti para um bate papo sobre a formação da nossa Vitória de Santo Antão,  ao longo desse quase 400 anos de sua existência.

 Na qualidade de um eterno estudante sobre a história do nosso torrão, quando solicitado, fico feliz em poder em poder contribuir com essa pauta. Num papo aberto, descontraído e com muita interação dos internautas, conversamos bastante. Parabéns ao amigo Pedro por promovido esse nosso encontro virtual.

Infelizes exemplos: movimentos antirracismo e Câmara de Vereadores da Vitória.

Interpretar, entender e escrever os fatos históricos não é algo tão simples. Uma narrativa desconectada dos elementos científicos que obrigatoriamente devem nortear à boa historiografia, mais adiante,  será  desidrata  à luz dos inevitáveis questionamentos. Com efeito, não estou afirmando que os historiadores são imparciais. De uma forma ou de outra, bom ou ruim, quero dizer que não existe neutralidade nas narrativas históricas.

O dinamismo dos constantes acontecimentos, distribuídos na chamada linha do tempo, nos proporciona extraordinárias oportunidades pedagógicas de interagirmos com fatos distintos e, ao mesmo tempo, interligados. Nesse caldeirão, por assim dizer, gostaria de criar pontos de convergências entre dois movimentos  – um no mundo e o outro em Vitória de Santo Antão –  que aparentemente nunca se comunicariam , mas, se bem observado, agora,  estão dialogando  na mesma direção,  ou seja: no sentido da miopia histórica.

Tendo como epicentro o país mais rico do mundo –  EUA –   movimentos populares/sociais deflagrados pela morte selvagem de um americano negro por um policial branco que, entre outras coisas, pedem pelo  fim do preconceito racial, recentemente  ganhou um capitulo irracional do ponto de vista da reação coletiva, isto é: destruir estátuas e monumentos. Esse tipo de ação, promovida por grupos irados e desorganizados mentalmente,  é uma estupidez dupla.

Primeiro, porque não é destruindo estátuas de “vultos” do passado que se altera os fatos. Os acontecimentos de outrora –  se aos olhos do tempo de hoje incômoda parcela da população –  devem os mesmos serem  pedagogicamente ressignificados, na perspectiva das  gerações vindouras.

Segundo, porque devemos respeitar a vontade daqueles que escolheram e atribuíram algum valor ao referido homenageado.  Não cometamos, por ignorância, o chamado anacronismo histórico,  ocasião em que somos impulsionados a balizar os acontecimentos  do passado com os olhos e conceitos do tempo atual,  descontextualizando-os,   assim,  do “tempo e espaço” do fato ocorrido.

Já em nossa “aldeia” – Vitória de Santo Antão – o “apagão” racional,  no quesito desprezo à memória dos nossos  antepassados, tem nome e sobrenome e se alimenta de dinheiro público. Ou seja: vereadores e Câmera de Vereadores. Explico:

De um tempo pra cá, infelizmente,  virou moda alguns vereadores , por indiferença, bajulação ou cálculo político,  propor  e alterar –  com a anuência dos pares –   nomes de ruas com a mesma naturalidade e simplicidade com que muda o nome do seu gatinho ou papagaio de estimação.

Nesse contexto duas tristes constatações: suas excelências desconhecem a história da cidade e jogam, também,  uma espécie de “lama do desrespeito” em cima da memória dos parlamentares que lhes antecederam e,  soberanamente,  deliberaram pelas “justas” escolhas daquele  momento.

Como já falei anteriormente, a história é dinâmica e os fatos se entrelaçam. Nos EUA, na Inglaterra ou em Vitória de Santo Antão  os acontecimentos  do passado e do presente ganham vida para dialogar  entre si e promover, doravante,  uma  oportunidade de  reciclagem  nas ideias como também – algo que nunca poderia deixar de ser –  respeito  à memória daqueles que  já fizeram a viagem sem volta e não estão mais aqui para se defender.

EDUCAÇÃO MUSICAL – Noções básicas de harmonização (PARTE 2).

Todo frevo está composto, pronto, e, as peças estão escritas nas regiões agudas, médias e graves, onde deve cada músico ter a humildade de saber e, conhecer seus próprios limites técnicos, físicos, práticos, para neste momento de dificuldade existente, possa realizar os Intervalos de terceira. Por exemplo: se tem uma nota (Bb) agudo e, estamos na terça-feira de carnaval a tarde embaixo de um sol, bastante quente, e, percebemos que não iremos conseguir soprar e executar este (Bb) agudo de forma limpa, audível, e, segura, realizamos a contagem matemática, apartir do (Bb) agudo, para (G), também agudo, onde se a armadura da peça deste frevo que está sendo executado, está armado com (3) bemóis, Bb/Eb/Ab, podemos também experimentarmos um (Eb), agudo, onde haverá um acorde, uma harmonização baseada no tom principal deste frevo executado. Estamos falando em um momento que, os lábios de cada componente da orquestra de frevo, já estão cansados por estarem no último dia de carnaval, e, sentindo o cansaço conseguido nos movimentos expressivos: afrouxa/aperta/aperta/afrouxa. Em outras palavras: grave/médio/agudo/agudo/médio/grave, então, cada componente dos trombones que estão fazendo as perguntas e, os trompetes também, inclusos nesta tarefa, enquanto as palhetas (Altos/Tenores), respondendo, e, as Tubas marcando, teremos uma qualidade sonora, harmônica, e, melódica, de alto nível. Quão agradável não será para a audição dos ouvintes e foliões? Se cada componente, colocar em prática esta tarefa, não gastará tanta energia, e a qualidade musical desta orquestra como ficaria? As pessoas da localidade, turistas e visitantes, qual imagem não ficaria guardadas em suas mentes, até o próximo carnaval?

Bosco do Carmo

Ex-aluno e trombonista da antiga Euterpe Musical 03 de Agosto da cidade da

Vitória de Santo Antão – PE, (1980; 1987- 1994) do maestro Aderaldo Avelino da Silva – in memoriam – , Ex-aluno do maestro Nunes – in memoriam – da cidade do Recife – PE. (1991-1996).

Com fogueira ou sem fogueira o “São João” e um patrimônio do povo nordestino.

Na qualidade de brasileiro nordestino, confesso que atravessar o mês de junho sem participar dos festejos mais populares e característicos da nossa região é algo surreal. Além de ser a nossa cara, de apresentar-nos  ao mundo como realmente somos, os festejos juninos se configuram numa das maiores indústrias do turismo do nosso país. Como bem cantou o Trio Nordestino: “ele veio do fundo do quintal – hoje é  maioral dos palhoções – tá valendo milhões (música – Forró Pic plic plá).

Pois bem,  atendendo a uma recomendação do Ministério Público de Pernambuco, em que sugere a todos os prefeitos do nosso estado, entre outras coisas, o não acendimento de fogueiras pela população em locais públicos e privados, em virtude da pandemia do novo coronavírus, a prefeitura local – através do decreto 39/2020 – acatou a recomendação e optou pela proibição das fogueiras em toda circunscrição territorial do município da Vitória.

Até aí, tudo bem. O momento requer compreensão, solidariedade e união de todos. Mas, no entanto, há vários anos, observa-se,  nesse sentido (fim das figueiras),  uma narrativa com várias motivações  – sobretudo nas redes sociais – que reivindicam pelo fim das tradicionais fogueiras nos festejos  juninos.

A origem dessa tradição não é nova. Remetem-nos à mitologia grega numa passagem que envolvem os deuses Adônis, Afrodite, Perséfone e Zeus. Já com relação ao calendário litúrgico da Igreja Católica a fogueira tem seu fundamento na história do nascimento de João Batista. Foi justamente através de uma fogueira que Santa Isabel  “avisou” a Nossa Senhora que o menino havia nascido. Esse que mais tarde se tornou um dos santos mais importantes da religião católica (São João). Com a chegada dos portugueses em nossas terras, a partir de 1500, os padres jesuítas cuidaram de introduzir essa  tradição aos nossos costumes.

Ao povo do Nordeste coube a maior devoção aos santos cultuados no mês de junho.  Presume-se que foi  justamente pela  coincidência com as abundantes  chuvas do período. Num misto de fé e capricho da natureza –  ao longo do tempo –  os nordestinos tornaram-se devedores das graças recebidas. Com efeito, agradecer e  celebrar tornou-se  natural. Imagino que foi nessa mistura, com a imprescindível verve sertaneja dos poetas, que forjamos esse verdadeiro patrimônio cultural  que atende pelo São do João do Nordeste.

Na figura do maior propagandista da nossa terra e do nosso jeito, Luiz Gonzaga, foi o maior de todos.  Devemos sim aceitar e entender que por força maior o São João da nossa terra, esse ano (2020),  será comemorado de forma atípica.

Tudo isso vai passar e como bons nordestinos fortes, corajosos e devotos já devemos começar a nos preparar para os  festejos de 2021 no qual, com toda certeza,   cantaremos   a todos pulmões: “ a fogueira tá queimando em homenagem a São João, o forró já começou, vamos gente,  rapapé nesse salão…..”