DEUS ME LIVRE QUE DEUS NÃO EXISTA

Eu não sou religioso, mas Deus me livre que Deus não exista. Caso contrário, seria transferir a vida e a morte para as mãos dos homens, e não dá para confiar em Donald Trump e Vladimir Putin. Marx dizia que “A Religião é o ópio do povo”, contudo, para onde transferir o ópio da Religião, para os Xerifes do Mundo?

Trump é um americanófilo, adora o país onde nasceu, porque tornou-se milionário e presidente, apesar do mais derrotado pelo voto popular, além de único septuagenário eleito presidente na história dos Estados Unidos. No seu coração, sobra-lhe razão para ser xenófobo e fanático estadunidense.

Vladimir Putin é um sovietófilo, pratica o estadismo, relembrando as intolerâncias bizarras do czarismo e do regime soviético. Melhorou a economia e as condições de vida da população, granjeando simpatia e cobra caro por isso, exigindo-lhes a capitulação da liberdade.

Enfim, “o mundo é um grande hospício”, como dizia Michel Foucault, psicanalista que terminou doido também.

Quanto aos episódios genocidas da Síria, que envolvem norte-americanos e russos como principais criminosos, eu relembraria a célebre conclusão a que chegou o filósofo francês Jean-Paul Sartre: Quando os ricos fazem a guerra, são sempre os pobres que morrem.

Sosígenes Bittencourt

Momento Cultural: Assunção da Virgem – por Corina de Holanda

Corina de Holanda

Deve ter sido pela madrugada:
– Em torno da modesta sepultura,
Daquela dentre as puras a mais pura,
Anjos, em graciosa revoada,

Como a medir, de céu, a imensa altura,
Vão de estrelas formando a linda escada
Por onde subiria a Imaculada…
– Jamais se viu tão régia iluminada.

(Se Deus é o Autor de tão custosa tela…).
Rasga a morte seus véus! Eis que esplendente,
Surge Maria, a quem Gabriel conduz.

Astros se apagam diante da mais bela…
E todo o Céu saúda alegremente,
A que trouxe em seu seio a própria Luz.

1969

(Entre o céu e a Terra – 1972 – Corina de Holanda – pág. 33).

MOMENTO CULTURAL: Estou Quase me Entregando – STEPHEM BELTRÃO‏

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Estou quase me entregando
Saindo do banheiro de toalha
Caminhando de cueca pela casa
Tomando café em copo
Fazendo barba com navalha.

Achando que ciúme é amor
Trocando cega por surda
Levando tapa e achando graça
Achando que pasto é pastor
Andando descalço na praça.

Dormindo com chupeta
Usando meias listradas
Tomando banho com paletó
Confiando no fim do mundo
Bebendo cerveja na calçada.

Invejando os defeitos dos outros
Jogando no Pernambuco dá Sorte
Trocando a noite pelo dia
Roubando doce da boca de criança
Achando que está chovendo pra cima
Acreditando que tristeza é alegria.

LUA E MÃE NINANDO MENINO

Lá fora tem uma lua no céu.
Quem viu a lua?
A mãe pega o bebê, põe no braço e começa a cantarolar: – Cadê a lua, meu filhinho? Cadê a lua?…
E o menininho balançando o cocãozinho, como se procurasse alguma coisa no céu.
– Olha a lua, meu filhinho… Cadê a lua?…
E o menininho levantando o cocãozinho, como se entendesse um pouquinho.
– Luuuuuuuuuuuua… Luuuuuuuuuuuua… Cadê a lua?…
Pão pra lua!… Pão pra lua!… Pão pra lua!…
E a lua lá no céu…
Sosígenes Bittencourt