PÉ DE PITANGA

Debruçado sobre o muro aqui de casa, um pé de pitanga vigia a rua. Mulheres que vêm de bairros distantes passam, de braços dados, a admirá-lo.

– Êi, Maria, vê quanta pitanga!

As pitangas, suspensas no ar, parecem se balançar de vaidade, olhando para lá e para cá.

– Menina, e tem de toda cor!

Alguns pinguços também já as admiraram, lambendo os beiços, ébrios de desejo.

– Isso dá um tira-gosto arretado!

Sinto-me contente com tamanha dádiva. A eugenia uniflora, que dá em quintais, empertigada no canto do muro do meu terraço. Sei que a drupa globosa é comum na Mata Atlântica brasileira e na Ilha da Madeira em Portugal. Ao sol vesperal, parecem mimos caídos do céu, esses novelos de cálcio coloridos d’aquém e d’além mar.
Bem sei que alguns a futucam com um pau, no intuito de fazer um ponche, chupar minhas pitangas. Nem por isso vou “chorar as pitangas”, me aperrear, ficar me lamuriando. Aliás, lembra-me a célebre reflexão do revolucionário francês Babeuf: Os frutos da terra pertencem a todos, e a terra, a ninguém.

Sou um homem feliz, porque, em meio à struggle for life (luta pela vida), tenho tempo de parar para observar minhas pitangas e produzir esta crônica.

Mimoso abraço!

Sosígenes Bittencourt

Pitú lança 6 milhões de latinhas especiais de Carnaval

PITÚ Lata Carnaval 2016 3D (4)Os amantes da combinação “cachaça e Carnaval” já podem dar o pontapé inicial na folia garantindo a lata momesca da Pitú. A empresa colocou em circulação no comércio de toda a região Nordeste seis milhões de unidades de 350 ml da cachaça tradicional com layout especial de Carnaval. A ilustração foi inspirada na alegria dos músicos que compõem as tradicionais orquestras de frevo, com notas musicais, partituras e instrumentos de metal, além das cores vivas que caracterizam a efervescência do período carnavalesco. A criação foi desenvolvida pela agência Extra Comunicação.

MOMENTO CULTURAL: Entre a Cruz e a Espada – por Severina Andrade de Moura

severina moura

Eu sofro porque sou balança
equilíbrio entre o cheio e o vazio.
Paredão onde acham confiança
homens de bem, mulheres de brio.

Ouço de lá e de cá os desabafos.
Fico no meio, entre a cruz e a espada.
Não quero destruir jamais, os laços
que se criaram em longas caminhadas.

Às vezes sou mal interpretada.
Que importa! Jesus também o foi
Quero ser útil em toda minha estrada

E quando eu me for, quero que digam
nela eu tive uma grande aliada
e se esquecer de mim jamais consigam.

Profª Severina Andrade de Moura, nasceu em Vitória de Santo Antão. Foram seus pais: José Elias dos Santos e Doralice Andrade dos Santos. Viúva de Severino Gonçalves de Moura, com quem se casou em 1962. Fez o curso Pedagógico no Colégio N. S. da Graça. Lecionou em Glória do Goitá e Carpina. Concluiu Licenciatura Plena em Letras em Caruaru (1976). Pós-graduação em Língua Portuguesa na Univ. Católica (1982). Ensinou em várias escolas estaduais e municipais na Vitória e ensina atualmente na Escola Agrotécnica e na Faculdade de Formação da Vitória de Santo Antão. Poetisa por vocação. Colabora na imprensa loca.

Momento Cultural: Cego de nascença – por Célio Meira

Dr.-Célio-Meira-Escritor

A desdita desse cego,

não há, na terra, quem sonde,

pecados não cometeu,

pelos pais, não responde.

A alma, porém, desse irmão

verá, sempre, a Lei cumprida:

– pagará todos os crimes,

Praticados noutra vida.

Se esta não fosse a verdade,

se esta não fosse a lição,

crime nefando haveria,

nesta injusta punição.

* * *

É bem certa esta notícia,

que nesta quadra, repito:

– minh’alma já tem saudade

das paisagens do Infinito.

Na carta que me escreveste,

naquele estilo tão fino,

não escondeste de mim

o rumo de teu destino.

* * *

Praticando caridade,

não dê, somente, dinheiro,

dê, também, paz, esperança,

ao inditoso companheiro.

* * *

Fui marujo, em outras vidas,

visitei terras geladas,

em cada porto deixei,

três ou quatro namoradas…

* * *

Persegues o Nazareno?

Olhas o mundo, com asco?

Um dia, ouvirás Jesus,

Numa estrada de Damasco.

Estás aflita, intranquila,

com o peso desta cruz?

– Pede, a Jesus, paciência,

E terás sossego e luz.

(migalhas de poesia – Célio Meira – pág. 35 a 37).

 

RELÍQUIAS DE CARNAVAL

Ouça a música “RELÍQUIAS DE CARNAVAL”, composta por Aldenisio Tavares e Bené de Cachoerinha, nas vozes de Dudu e Erika. A música é integrante do CD É Mania de Carnaval, lançado por Aldenisio em parceria com dezenas de compositores vitorienses.

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Aldenisio Tavares