Momento Cultural: Caveira – por Henrique de Holanda

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Da nudez em que vive na demência,
traduzes bem o desmoronamento.
lar que serviu de abrigo à inteligência
e onde hoje reside o esquecimento.

Outrora tu vivias na opulência:
carne, vaidade, amor, deslumbramento,
beijo, pecado, embriaguez, ardência,
e hoje, de tudo isso, o isolamento.

No mundo, tu viveste mascarada.
Hoje, porém, com a face descarnada,
Tens do teu rosto a máscara caída…

Retrato original da humanidade:
Ressaca para toda a eternidade
depois da grande dança desta vida!…

(Muitas rosas sobre o chão – Henrique de Holanda – pág. 12).

53 MIL ZEROS


Se 53 mil estudantes tiraram nota zero na redação do Enem, talvez não tenham feito CADERNO DE CALIGRAFIA nem DITADO no Curso Fundamental.
Caderno de Caligrafia para saber distinguir a forma das letras. Por exemplo, não escrever gato com “J” e jacaré com “G”. Ditado para iniciar frases com letra maiúscula e treinar a ortografia. São exercícios para os ouvidos e os olhos transformarem sons e letras em imagens.
A geração cibernética lê muito mais do que a geração do lápis grafite insofismavelmente. Só que menos concentrada. Abriu os olhos, está diante de um celular, já está lendo. Contudo, a leitura, em silêncio, é sempre mais proveitosa. É preciso saber ser aluno e estudante. Aluno é coletivo e passivo, estudante é solitário e ativo.

Leitura requer um certo desligamento, um isolamento que viabilize a concentração, e as pessoas temem ficar sozinhas. Confundem ESTAR SÓ com SOLIDÃO. Porque você pode estar SOLITÁRIO numa multidão e ACOMPANHADO sozinho.

Talvez, seja necessário fazer treinamento com o computador desligado e agarrado com a caneta feito antigamente; abrir um livro no sofá da sala de visitas e desligar o celular.

Sosígenes Bittencourt

Momento Cultural: Bodas de Ouro – por Corina de Holanda

Corina de Holanda

 (De José Bonifácio e Maria José de Holanda).

 

Garimpeiros do amor

Por ti abençoado,

Te ofertamos, Senhor,

O ouro acrisolado

Colhido na jornada…

(A prata já foi dada)

Nós te damos também,

Gemas de excelsos brilhos,

Para nós, – Nossos Filhos!

Abençoa-os, Senhor!

São todo o nosso bem,

Frutos do nosso amor.

 

(Entre o céu e a Terra – 1972 – Corina de Holanda – pág. 60).