Momento Cultural: Admoestação Reverente – por Corina de Holanda

Corina de Holanda

(Ante um quadro da Virgem que estreitando ao colo o Divino Filho, fita, súplice, os céus.)

És a Mãe da eterna Aurora.

Nem precisavas Senhora,

Erguer os olhos aos céus.

Que as outras mães façam isto…

Mas, tu, Mãe de Jesus Cristo,

Que queres desses espaços

Para teu filho? – Ele é Deus.

E tu, Mãe Imaculada.

Tendo em teus braços, Jesus,

Embalas a própria Luz

Do amor envolta nos véus.

Baixa os Olhos, Mãe amada,

Sobre a terra, o pecador…

Diz a teu Filho adorado

Que nos livre do pecado!

Salve, ó Mãe do Puro Amor!

1971

(Entre o céu e a Terra – 1972 – Corina de Holanda – pág. 38).

Momento Cartório Mais

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Aqui na Cartório Mais Vitória de Santo Antão dispomos de vários serviços para dar agilidade aos seus negócios. Estamos a disposição para atendê-lo.
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DOCE DE BANANA E PAU DE CANELA

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De manhãzinha, minha mãe manifesta o desejo de confeccionar um doce de banana. O doce é temperado com pau de canela. Aí, eu me apronto e vou comprá-lo no mercadinho do bairro. Tomo banho, boto perfume, costume antigo. Empertigado, decidido, vou desfilando pelas calçadas, narrando, em solilóquio, tudo que faço.

– Bom dia. Tem pau de canela?

O funcionário vai na frente e eu vou atrás, percorrendo o corredor de gôndolas.

– Quanto é o saquinho?

– Oitenta centavos, professor.

– Dê-me dois. (Relembrando que não se inicia frase com pronome oblíquo)
Dirijo-me ao balcão de frios e pergunto a um determinado cidadão: – O nome disso é pau de canela ou canela em pau?

Risadagem geral.

No momento da manufatura desta narração, o doce já está pronto, e a casa incendiada do aroma da guloseima, poética de ternura.

Feliz de quem pode desfrutar do tempo para escrever ou saborear uma leitura no mundo tão amargo e sem ternura que estamos vivendo.

Adocicado abraço!

Sosígenes Bittencourt

Toni Amorim: 50 anos de composições

Homenageamos o compositor vitoriense Toni Amorim, disponibilizando a música “CIÚME, TEMPERO DO AMOR” de sua autoria, interpretada pelo também vitoriense Ricardo Rico. A música é integrante do álbum Toni Amorim: 50 anos de composições.

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Aldenisio Tavares

MOMENTO CULTURAL: CORDEL DO CONTRADITÓRIO/09 – POR Egídio Timóteo Correia

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Coração não se escraviza
Não se prende sentimentos.
Ideias precisam de asas
Pra voar no firmamento
Ninguém deve controlar
A força do pensamento.

Um poeta social
Preso à sociedade,
Proibido por etiquetas,
Esconde as suas verdades.
Poetas precisam ser livres
De ódio, mágoas e vaidades.

Um poeta religioso
Tem seus versos algemados,
Tem medo de se expandir,
Cometer alguns pecados.
Poemas querem ser livres
E nunca ser censurados.

Por isso é que a poesia
Deve ser independente.
Falar do fundo da alma
Como ela pensa e sente
Ser uma interprete da vida
E das coisas de sua gente.

Egídio Timóteo Correia

 

PITACO ESPORTIVO

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Sport 2, Cruzeiro 1

Um time pode sair da zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro, mas sem tanta surpresa e entusiasmo. O Sport, simplesmente, se amostrou na semana que passou. Enfiou 4 a 2 no Grêmio de Porto Alegre, em Recife, e 2 a 1 no Cruzeiro, em Minas Gerais, com direito a um rosário de dribles de Everton Felipe, passes mirabolantes de Diego Souza, golzinho de curva, filigranado por Rogério, e defesas espíritas perpetradas pelo quarentão Magrão. A equipe já pode descansar na Meca dos rubro-negros, e a torcida gritar sua identidade sonora: Cazá! Cazá! Cazá! – como diria o ficcionista Ariano Suassuna.

Sosígenes Bittencourt  

Momento Cultural: Grito da Juventude – por ALBERTINA MACIEL DE LAGOS

Profª Albertina Maciel de Lagos

Ao longo da estrada,

à margem do caminho,

topei numa pedra,

cotovelos apoiados aos joelhos

e mãos o rosto encobrindo.

Cautelosamente,

aproximei-me devagarinho,

daquela criatura

que ali estava

como que concentrada

a meditar…

talvez, quem sabe?…

– uma alma envolta na cerração

Do mais cruciante abatimento,

carpindo bem triste solidão,

presa aos grilhões do sofrimento

E ali, esperando fiquei

té que aquele alguém falasse

e se pronunciasse…

Era preciso esperar, Senhor!

E, enquanto o silêncio perdurava

entre os dois,

pude, extasiada,

contemplar a tarde

num cenário de beleza

no palco da Natureza.

– o Sol, rubro agonizando

no Ocaso, a estrertorar

enquanto

num saudoso pipilar

que se confundia

como o toque da Ave Maria,

o passaredo, o espaço entrecortando,

os ninhos buscavam regressando.

E, ali, estacionada permaneci

Aguardando a sua voz.

De repente…

eis que, o rosto descobrindo,

meio sobressaltado,

pude contemplar

aquele alguém

a quem

eu quisera tanto

a sua dor amenizar

Logo perguntei: – Quem és?…

E ele, enfaticamente, jogando a basta cabeleira:

– Sou a Juventude…

essa juventude (segundo afirmam):

“transviada”… “má”, “fútil”… leviana…

cuja vida – um conflito!…

e, nessa luta insana,

fracassada, desiludida,

mas… gargalhando como o palhaço

sem jamais saciar

a sua sede de Felicidade,

vai em busca das tavernas,

beber, fumar, jogar,

e… numa ânsia incontida

disfarçando os seus fracassos, a sua Dor,

ei-la que se atira

cantando, sacacoteando

a fazer o “passo”

à loucura bacanal

do carnaval.

E por repudiada no seu idealismo,

a juventude sente,

no vazio coração

(todo egoísmo, toda ambição),

que algo lhe está faltando,

algo essencial,

sublime… (sei lá)!

– Algo que amenize os dias seus…

(respondi incontinente):

– Está lhe faltando – Deus!

– Não! (refuta o moço)

a Juventude ainda crê…

apesar do abismo que a ameaça

ela exclama, olhando o Infinito:

– Senhor, escuta a nossa prece,

prece de jovens esquecidos,

incompreendidos,

famintos de apoio e proteção,

de tolerância e sobretudo,

de… Amor!

Vê, Divino Amigo:

a mor parte dos pais

não nos compreende…

recusam dissipar as nossas dúvidas,

resolver os nossos problemas,

e, jamais querem ser nossos confidentes,

nossos melhores amigos!

– Também, na nossa Faculdade,

não Te encontramos, ó Deus!

Porque o ambiente estudantil

sempre hostil,

(pura atmosfera de laicismo)!

nada mais é

que um triste baquear da Fé!

– Eles, os mestres,

eles, os nossos amigos

não nos mostraram a tua Face…

Mas!

E os jovens que já andavam fracos,

quase sucumbiram, Senhor,

sob a influência dos outros,

dos maus,

durante muito tempo!

E, a “uma voz”

Resolveram então,

com os companheiros desajustados,

exigir dos governantes

as suas reivindicações

os seus direitos postergados…

Norteada, erradamente,

pela estrela vermelha

do Comunismo dissolvente,

a Juventude vacilante,

longe da senda do Bem,

assim, exaltada,

desenfreiada,

não soube pedir!…

– Saiu a gritar, a plenos pulmões,

em praça pública,

amotinada,

declarando greves,

depredando, apupando, vaiando…

– Daí, Senhor,

quase tudo perdido

e, pouco ou nada conseguido!

E agora?…

Resta-nos as prisões, duros castigos

em represália!

– Por quem És, ó Deus,

transforma o coração da gente,

– o coração altivo da Juventude

conservando-o intangível

aos ataques do Mal!

e, numa Altitude, bem ao lado Teu,

ela saberá, mais forte, regenerada,

feliz, instruída, varonil

tornar mais glorioso o Brasil!

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

E o jovem quedo, silenciou!…

– Obrigada, Juventude, (disse-lhe eu).

Agora o meu conselho previdente,

amigo, experiente:

para seres sadia e venturosa,

para na vida, feliz, sempre venceres,

continua a pedir, a gritar,

mas… com toda prudência

e veemência

da tua força jovem:

– Queremos Luz, Senhor,

e dos homens compreensão

e, sobretudo – Amor!

(SILENTE QUIETUDE – ALBERTINA MACIEL DE LAGOS – pág. 55 a 59).