Setembro Amarelo – ROMPENDO O SILÊNCIO: FALAR SALVA! – por Joseneide Silva.

O título deste artigo corresponde a uma palestra que ministrei na cidade de Glória do Goitá no último dia 10 de setembro, Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio. O motivo de achar pertinente aqui reutilizá-lo é por considerar a mensagem clara e objetiva que o mesmo passa no intento de fixar na mente das pessoas o fator preventivo ao ato de desespero de tirar a própria vida, pois, de fato, romper o silêncio e quebrar o tabu que ainda circunda o falar sobre o tema é essencial para prevenir a grande maioria dos atos suicidas. Além disso, a reutilização do título da palestra dá-se por ter a pretensão de citar um fato relevante ocorrido logo após o momento do compartilhamento de informações importantes sobre o tema naquela cidade, algo que farei ao final deste artigo. O suicídio é um evento cada vez mais recorrente em nossa sociedade e tem forte impacto social, psicológico e econômico sobre a família e comunidade onde ocorre.

A cada 1 suicídio, ao menos 6 pessoas próximas são afetadas de alguma forma, sobretudo psíquica e emocionalmente. Durante todo esse mês, não só no Brasil, como no mundo voltamos a atenção para o Setembro Amarelo, onde profissionais de várias áreas e comunidades passam 30 dias engajados em ações para valorização da vida e prevenção ao suicídio. O número de pessoas que tiram a própria vida vem crescendo assustadoramente ao longo dos anos em alguns países do mundo, sobretudo no Brasil. Já em países que adotaram campanhas de prevenção, o percentual de tentativas e de suicídios consumados obtiveram significativa redução. Por aqui, os números do Ministério da Saúde mostram que o Brasil tem 1 caso de suicídio a cada 46 segundos por dia; em 2016, 11.433 brasileiros tiraram suas próprias vidas e, para especialistas, nove em cada 10 desses casos poderiam ser evitados se houvesse o encaminhamento destas pessoas a um tratamento especializado. Entre as faixas etárias de maior ocorrência do suicídio estão jovens de 15 a 35 anos e idosos a partir dos 75 anos, sendo a depressão o diagnóstico mais comum dentre os atos suicidas consumados, seguida do Transtorno Afetivo Bipolar e do alcoolismo.

Com o objetivo de reverter esses dados alarmantes, nos últimos anos campanhas de valorização à vida vêm sendo intensificadas e mobilizando diversas áreas profissionais e não somente àquelas ligadas à saúde. Em setembro todos estão nessa corrente do bem e pela vida, mas é necessário conscientizarmos que suicídios ocorrem todos os dias, em todos os meses do ano e que podemos salvar muitas vidas prestando mais atenção ao sofrimento e comportamento das pessoas, sendo empáticos para com aqueles que sofrem e que apresentam algum grau de risco ao suicídio e; através da escuta atenta e sensível, se abster de julgamentos, condenações e banalizações dos sentimentos dessas pessoas. Lembram do fato ocorrido ao final palestra em Glória do Goitá que prometi comentar? Pois bem, uma das mães presentes no local junto à sua filha adolescente, me abordou muito preocupada para pedir orientações relatando que há poucos dias havia encontrado uma carta da filha com conteúdos que antecipavam ações para tirar a própria vida. Neste momento, todos devem lançar mão de um tripé que salva vidas: acolhida, empatia e encaminhamento a um profissional da saúde mental. Assim o fiz! As pessoas que pensam em suicídio sempre deixam indícios documentais e ou comportamentais, fiquemos atentos! Está aí a importância de “romper o silêncio” para proporcionar a oportunidade que muitas pessoas precisam para falar dos seus pensamentos e sentimentos. Viver vale a pena!

O CVV – Centro de Valorização da Vida possui um telefone para quem precisa de apoio emocional no momento que esteja pensando em suicídio. Ao ligar gratuitamente 188 de qualquer lugar do país, 24 horas por dia, pessoas estarão do outro lado da linha para ajudar quem necessita seguir em frente enxergando outras perspectivas pra vida.

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