UM VITORIENSE NA BOLÍVIA – por Ronaldo SOTERO

Com uma população em torno de 11 milhões, uma hora a menos em relação à Brasília, segunda maior reserva de gás natural, atrás da Venezuela, a Bolívia é um dos países mais pobres da América do Sul. É um lugar de singularidades: não possui mar, embora exista Marinha de Guerra; duas capitais: La Paz ( administrativa e sede do governo) e Sucre (legal).

La Paz é a capital mais alta do mundo, com seus 3.636 metros.  O país ao menos não é de todos desconhecida dos leitores de Osman Lins. Em La Paz Existe?, livro escrito a quatro mãos, pelo vitoriense nascido na Rua do Rosário e sua esposa, a publicitária paulista Jukieta Ladeira, narra a viagem do casal a Cuzco, Peru, e La Paz, Bolívia, em 1977, durante um período de carnaval.

A viagem foi cercada de sustos, imprevistos e situações inusitadas no país onde a maioria da população é indígena. A habilidade dos autores revela um texto novelesco, que sugere a leitura de modo intenso, tal uma reportagem. O título da obra é irônico: La Paz Existe?
É o segundo livro de Osman desse perfil. Em 1963, Marinheiro de Primeira Viagem, ele escreve sobre suas vivências na Europa como bolsista da Aliança Francesa.

Considerado como um dos três maiores nomes do romance latino-americano, ao lado do colombiano e Prêmio Nobel de Literatura Gabriel Garcia Márquez e do argentino Júlio Cortázar, segundo o tradutor para o inglês de sua obra Avalovara, o americano Gregory Rabassa, da Universidade de Queens, o vitoriense da Rua do Rosário transporta o leitura para um mundo de reflexão e questionamentos, a partir dessa viagem aos Andes naqueles idos da década de setenta. A viagem não traria boas recordações aos casal de escritores, não somente pelo cenários de atraso, assim como a sensação desamparo daquela gente em um mundo inercial e triste.

Soam como significativas as palavras de António Callado, referência na Literatura Brasileira, na análise do livro: “Vejam como os dois escritores brasileiros mergulharam no horror que é a América Latina, machista com os fracos, feroz com os pobres, implacável com os humildes, continente para ser lavrado a ferro e fogo. Ou para ser visto do alto, bem do alto”.

Ronaldo Sotero. 

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