Eu não tenho lá muita moral pra falar de ninguém, sabe? – por Manoel Carlos.

Mas vi uma multidão de super católicos no domingo passado pulando ao som de músicas (católico-bahianas) numa caminhada com o título de “E A FAMÍLIA COMO VAI?” Pularam, pularam e acho até que rezaram também (até porque ninguém é de ferro). Mas fico imaginando uma coisa: serviu para que?  Alguém se converteu?  Se fossem chamados a jejuar a mesma multidão iria? Se fossem chamados a rezar o Rosário, iriam?

Os Padres organizadores, quase todos que votaram nos candidatos abortistas para presidente,  tem moral ou unção para falar em família ou em fé em Deus?  Os ditos padres parecem que gostam de acender uma vela para Deus e a outra para o diabo.

Muitos do ditos “padrecos” que foram para a dita caminhada da família são defensores da teologia da libertação: apoiam o PT, PSOL. PSTU, MST, e nunca levantaram a voz contra o movimento LGBT e também nunca vi condenarem o aborto. Como podem admiradores das trevas conduzirem à luz?

Se, realmente, houver de existir a figura humana de um anti Cristo, com certeza, na figura de padres desse naipe, o mesmo terá seguidores fiéis para tentar destruir a Igreja de Cristo!  Temos, quiçá, a cidade mais violenta do Estado; o consumo de drogas é imenso, mas a fé católica parece ser incapaz de ter e de combater essa realidade.

A Semente  – palavra de Deus que tudo transforma –  parece não ter um campo fértil pra germinar na nossa cidade, e, penso Eu, seja devido à falta de padres que creiam no inferno, que creiam na Eucaristia, que creiam no silencio, que creiam na mortificação da carne, enfim, que sejam católicos de verdade.

Quanto a Semente, lembro aqui o grande Padre Vieira, que espetacularmente assim pregou:

 (…) Que coisa é a conversão de uma alma, senão entrar um homem dentro em si e ver-se a si mesmo? Para esta vista são necessários olhos, e necessária luz e é necessário espelho. O pregador concorre com o espelho, que é a doutrina; Deus concorre com a luz, que é a graça; o homem concorre com os olhos, que é o conhecimento. Ora suposto que a conversão das almas por meio da pregação depende destes três concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender que falta? Por parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por parte de Deus?

Primeiramente, por parte de Deus, não falta nem pode faltar. Esta proposição é de fé, definida no Concílio Tridentino, e no nosso Evangelho a temos. Do trigo que deitou à terra o semeador, uma parte se logrou e três se perderam. E porque se perderam estas três? — A primeira perdeu-se, porque a afogaram os espinhos; a segunda, porque a secaram as pedras; a terceira, porque a pisaram os homens e a comeram as aves. Isto é o que diz Cristo; mas notai o que não diz. Não diz que parte alguma daquele trigo se perdesse por causa do sol ou da chuva. A causa por que ordinariamente se perdem as sementeiras, é pela desigualdade e pela intemperança dos tempos, ou porque falta ou sobeja a chuva, ou porque falta ou sobeja o sol. Pois porque não introduz Cristo na parábola do Evangelho algum trigo que se perdesse por causa do sol ou da chuva? — Porque o sol e a chuva são as afluências da parte do Céu, e deixar de frutificar a semente da palavra de Deus, nunca é por falta: do Céu, sempre é por culpa nossa. Deixará de frutificar a sementeira, ou pelo embaraço dos espinhos, ou pela dureza das pedras, ou pelos descaminhos dos caminhos; mas por falta das influências do Céu, isso nunca é nem pode ser. Sempre Deus está pronto da sua parte, com o sol para aquentar e com a chuva para regar; com o sol para alumiar e com a chuva para amolecer, se os nossos corações quiserem: Qui solem suum oriri facit super bonos et malos, et pluit super justos et injustos. Se Deus dá o seu sol e a sua chuva aos bons e aos maus; aos maus que se quiserem fazer bons, como a negará? Este ponto é tão claro que não há para que nos determos em mais prova. Quid debui facere vineae meae, et non feci? — disse o mesmo Deus por Isaías. (…)

Todos lá presentes são mais santos que Eu, mas mesmo os santos podem ser admoestados por pecadores.

Manoel Carlos. 

Esta entrada foi publicada em A Lupa. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Uma resposta a Eu não tenho lá muita moral pra falar de ninguém, sabe? – por Manoel Carlos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *