Minhas observações aos 100 primeiros dias de governo do prefeito Aglailson Junior.

Segundo a liturgia política o recorte de tempo mais prazeroso dessa atividade, situa-se justamente entre o anuncio da vitória nas urnas e o dia da posse.  Nesses três meses tudo é festa. Tudo é alegria.  O eleito, naturalmente, vira uma espécie de “rota” obrigatória. Dos correligionários, para cobrar os espaços prometidos e, para uma parcela expressiva dos adversários, sobretudos àqueles que tinham uma “vantagezinha”, no “outro lado”, para mudar o discurso.

Pois bem, foi nesse contexto que o então prefeito eleito, Aglailson Junior, convocou os meios de comunicação da cidade para uma coletiva de imprensa, ocorrida no dia 20 de outubro de 2016 lá,  no Teatro Silogeu. Salve engano, esse foi seu primeiro e único ato público, no período da chamada “lua de mel” política. Nesse mesmo período, no chamado “andar de baixo”, na “na rádio peão”, a indústria do fuxico e da fofoca, usando  “seu nome”, funcionou “com força”, nos quatro cantos da cidade.

100 dias, ao mesmo tempo, é muito e é pouco! Vai depender do tema abordado e do prisma que se olha. Ficar 100 dias sem contato, para um casal apaixonado é uma eternidade temporal. Já os mesmo 100 dias, deduzidos da carceragem de um condenado à pena máxima (30 anos), que já está preso há quinze anos, por exemplo, é algo insignificante, inócuo.

Não podemos, porém, sermos ingênuos ao ponto de acharmos que nos 100 primeiros dias da nova administração, os problemas de toda rede de saneamento da cidade estariam resolvidos, por exemplo. Não obstante, afirmamos que esse mesmo espaço de tempo  já é um tanto demasiado para que uma administração comprometida não tenha  conseguido sequer  executar  uma “faxina geral” na cidade, sobretudo  no centro comercial, para desobstruir  os coletores das caixas pluviais –  Registro realizado por volta das 12h de ontem (10), no cruzamento das Ruas 15 de Novembro com a Rui Barbosa.

Não podemos tapar o sol com a peneira, diz o adágio popular. Ficou nítido que o novo prefeito herdou problemas. A administração anterior não honrou a confiança da população, até os últimos dias da gestão. Aliás, não teve nem como colocar a culpa nos outros, ou seja: tropeçaram nas próprias pernas. O povo, sobretudo os mais carentes, usuários dos serviços básicos, não ficou satisfeito e registrou a covardia, apesar de ainda  imperar, na cabela dos políticos, o velho  ditado que diz: “o povo tem memória curta”.

Mas não irei, aqui, ficar elencando problemas, assim como vem fazendo, para se justificar, na autodefesa, o prefeito Aglailson Junior.  Não custa nada lembrar que dois terços da população, na última eleição,  hipotecaram seus sufrágios em favor da descontinuidade da gestão anterior, por justamente imaginarem que algo poderia ser diferente. Suponho!!

Ao sentar na cadeira mais importante do Palácio Municipal, na minha modesta opinião, o prefeito Aglailson Junior deu logo “duas bolas fora”.

– Primeira: produziu conteúdo político desnecessário, para quem acabou de assumi um cargo executivo, ao anunciar, em pleno evento festivo da posse, à candidatura do seu primogênito. Nas entrelinhas, fica explicito que, na sua cabeça, essa deverá ser a maior obra da sua gestão, nos dois primeiros anos de mandato.

– Segunda: à proposta feita ao funcionalismo municipal, com um parcelamento “a perder de vista”,  do salário remanescente de 2016, com isso,  demonstrou, o mesmo (prefeito)  que ainda não absorveu, com largueza, à função que  lhe foi conferida, através do voto popular. Penalizar funcionários e aposentados apenas  para atingir o outro grupo político é a mesma coisa de “beber veneno e esperar que o desafeto morra”. Perdeu, o prefeito, na minha modesta opinião, uma ótima  oportunidade de produzir um fato administrativo marcante para a sua carreira política, na qualidade de gestor público.

Aliás, sobre o tema – “salários atrasados” –  o prefeito Aglailson Junior deveria  ter consultado o seu ex- vizinho de gabinete na ALEPE, Raimundo Pimentel, hoje, prefeito de Araripina, que herdou do seu antecessor duas folhas atrasadas e já quitou uma, em março, e a outra está programada para junho desse ano. Ou então, copiar o seu companheiro de partido (PSB), prefeito da cidade de Ribeirão, Marcelo Maranhão, que herdou além dos dois últimos meses de salários de 2016, o 13º e – certamente por ser oriundo da iniciativa privada – já arrumou uma solução original, em curto prazo. Com um agravante nos dois casos ilustrados: são dois municípios com renda bem inferiores as da nossa Vitória de Santo Antão.

Com relação à montagem do seu secretariado, com 100 dias de gestão, a nova administração ainda não justificou, através de ações e ferramentas inovadoras, o motivo pelo qual importou uma legião de estrangeiros. Quase a metade dos espaços do primeiro escalão, foram preenchidos  por pessoas de fora da cidade. À exceção dessa regra, poderíamos citar, como exemplo, à iniciativa  diferente da secretária de ação social, Zandramar Ruiz, com a criação da Casa dos Conselhos. Fora isso, até agora, nada que justifique tanta “cara estranha”, circulando no corredores da prefeitura.

Já com relação ao diálogo com o Poder Legislativo Municipal, leia-se: Câmara de Vereadores, o prefeito Aglailson Junior apenas reproduziu a infeliz  e superada regra brasileira, ou seja: “O JÁ CONHECIDO TOMA LÁ, DÁ CÁ”. Da tribuna do legislativo local, devemos ressaltar,  nesses primeiros 100 dias de governo, saiu a mais grave denuncia, na direção do atual gestor, quando um vereador da oposição acusou-o de perseguição, com a ameaça, inclusive,  de desapropriar imóveis pertencentes à família do mesmo, caso o “tom” do opositor não fosse arrefecido. O prefeito Aglailson Junior absorveu a denuncia e silenciou. Isso é muito grave e perigoso, para quem estar começando uma gestão pública, em pleno processo democrático.

No que diz respeito às principais críticas, realizada pelo então candidato Aglailson Junior, na direção da gestão anterior, dentro as quais destaco à forma de atuação e autuação da AGTRAN – Agência Municipal de Trânsito – gostaria de dizer que até o presente momento, nada mudou. Continuamos desprovidos de ações planejadas e nem sinal de qualquer anuncio de mudança. Pelo o andor da carruagem, nesses primeiros 100 dias,  desconfio que a gestão do prefeito Aglailson Junior deverá usar a AGTRAN da mesma forma que seu antecessor, ou seja: mais para engordar a receita da prefeitura do que propriamente para promover mudanças na chamada mobilidade urbana e na tentativa de buscar  um trânsito mais civilizado e humanizado.


Na área da saúde – pasta comandada pela irmã do prefeito, Adriana Queralvares, cuja recomendação do Ministério Publico já pediu sua exoneração do cargo, realçando o nepotismo –  o prefeito, em função das suas constantes criticas às filas noturnas e à falta de medicamento nas unidades de saúde,  terá por obrigação, em menor espaço de tempo,  exterminar essas e outras demandas. No entanto, até o presente momento, nessa área, diga-se de passagem, vital a qualquer gestão, não observamos o anuncio de mudanças   estruturais. Vale salientar que nesse setor ainda existe muito obra inacabada, carecendo assim, de um esforço concentrado e muita articulação política em Brasília, para que os aportes financeiros necessários comecem a  chegar. Não custa nada diferenciarmos: uma coisa é emitir ordem de serviço para a construção de  um posto de saúde, outra coisa é coloca-lo em funcionamento.

Na pasta da educação, comandada pelo professor Jarbas Dourados, sujeito com quilometragem nessa seara administrativa, a nova gestão anunciou um plano de ação que não foi concretizado plenamente. Apesar do retardo no início do ano letivo, as aulas começaram de maneira precária. Em algumas unidades escolares, por exemplo,  os diretores foram obrigados a fazer rodízio de turmas, em função da falta de bancas escolares. Nesse ínterim, uma greve dos professores também chegou a ser cogitada, por conta da falta de pagamento. Veja o vídeo:

De maneira geral, nesses 100 primeiros dias da nova administração, o conjunto gestor saiu-se  melhor na mudança de comportamento em relação aos eventos públicos. A festa do Padroeiro da cidade, por exemplo,  ganhou fôlego e o carnaval – nossa festa maior – foi destravado, voltando a fluir com naturalidade, apesar do prefeito Aglailson Junior, já no seu primeiro ano, haver suprimido investimento aos clubes, blocos e troças, algo irracional, do ponto de vista das mais caras tradições da nossa polis.

Outro erro dos que comandam a nova gestão foi a não criação de uma secretaria ou diretoria de comunicação (oficial). É público e notório que o prefeito não tem facilidade para se comunicar.  Os tempos são outros. Seria de bom alvitre, contudo, e até de ordem imperiosa, por assim dizer, para o bom andamento da gestão, assim como promover à transparência nas atividades públicas administrativas, que o prefeito reconsiderasse o seu organograma administrativo, para contemplar os profissionais da comunicação.

Para concluir essas nossas observações, que tem por finalidade contribuir para o melhoramento da cidade como um todo – sem custo para o erário – gostaria de dizer que tudo aqui realçado, estão baseados em indicativos, pois, aos 100 dias da gestão, cerca de 7% (6,8) do tempo destinado para sua conclusão (1.460) tudo pode acontecer, inclusive nada,  como bem nos  lembra a canção interpretada pelo cantador Santana.

Portanto, como já relatei em oura postagem, até os 100 primeiros dias da gestão do prefeito Aglailson Junior procurei, aqui pelo blog, ficar equidistante, por entender que a “casa” carecia de arrumação. Entendemos  muito bem que 100 dias não foi o tempo suficiente para a solução da maioria dos problemas, mas, ao mesmo tempo, é espaço temporal considerável para que se tome pé da situação para estudar, planejar e agir,  no sentido da busca do melhor caminho administrativo. Em momento algum o prefeito Aglailson Junior poderá se esquivar e esquecer dos problemas estruturais da nossa cidade. Estaremos, no tempo que julgarmos adequado, lhe cobrando atitudes até porque, há poucos meses, bradava os  seu  programas de guia eleitoral: “Aglailson, o candidato que tem palavra e competência para mudar Vitória”.

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Uma resposta a Minhas observações aos 100 primeiros dias de governo do prefeito Aglailson Junior.

  1. JORDANIA disse:

    A PRIMEIRA IMAGEM É TIPICAMENTE FOLCLÓRICA DO POPULISMO E CARACTERÍSTICO DOS DITADORES, CORONELISTAS, FASCISTAS, ABSOLUTISTAS DOS PAISES DA AMÉRICA LATINA.

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