
ATRÁS DA PORTA
Atrás da porta
renasce a infância e seus bruxedos
Atrás da porta
há golpes e risos
e mãos impossíveis
Atrás da porta
o pequeno espaço
estreita os desejos
Atrás da porta
há olhos perquiridores
mas, cegos, de confundem
Atrás da porta
há outra porta
abrindo lembranças
Atrás da porta
há o gelo e o fogo
de tua volta
Atrás da porta
“tem o aspecto
de um corpo”
Atrás da porta
os mortos estudam os vivos
mais mortos que os mortos
Sosígenes Bittencourt
Janeiro/1978
