Vida Passada… – Benvindo Amaral – por Célio Meira.

Benvindo Gurgel do Amaral, cearense, nasceu no dia 24 de abril 1835, no Aracatí, linda e velha cidade à margem direita do rio Jaguaribe. Muito moço, na terra natal, seguiu a vida do comercio, que era a do pai, transportando-se, mais tarde, para a cidade do Recife, onde os cenários eram mais largos para as suas lutas mercancia. E anos e anos se passaram. Benvindo, porém, nas horas vagas, e nas horas tranquilas de meditação. Via claro, que não era o comercio o seu destino, e que podia encontrar, noutras zonas de trabalho, triunfos e a glória.

Reparou, então, que andava já na casa dos vinte e oito anos de idade, podendo perfeitamente, moço e forte, dividir o tempo entre o balcão e o estudo. Matriculou-se, concluindo o curso de humanidade, na Faculdade de Direito do Recife. Atendia a freguesia durante o dia, e à noite, debruçava-se nos livros, aprendendo as ciências jurídicas e sociais. E cinco anos de decorridos, em 1867, naquele ano agitado da Vida acadêmica do Recife, quando Castro Alves dirigia os companheiros , nas praças públicas, em sinal de protesto, conta Clovis Bevilaqua, do estudante cearense Torres Portugal, declamando aqueles dois versos famosos:

“A lei sustenta o popular direito

Nós sustentamos o direito, em pé “.

Conquistou, Benvindo, a carta de bacharel. E teve, nessa época, na sua turma, a companhia de Generino dos Santos, Antônio Estevão de Oliveira, Gonsalves Ferreira, João Barbalho Uchôa Cavalcanti, Luiz Ferreira Maciel Pinheiro e de José Higino Duarte Pereira, vultos que, com o correr dos anos, se tornaram preeminentes nas ciências, nas terras, nas letras, na administração e na política.

Diplomado, fechou, Benvindo, as portas de sua casa comercial, e regressou à província onde nasceu. Dedicou-se ao jornalismo e ao funcionalismo público. Ao lado de Júlio César, conta o barão de Studart, eminente historiador brasileiro, escreveu no “Jornal de Aracatí”, e mais tarde, ombreando-se com Augusto Gurgel e José Avelino, colaborou no “ Jornal de Fortaleza”, alcançando aplausos.

Exerceu o cargo de procurador fiscal da Tesouraria do Ceará. E, um dia, cearense da gema, andarilho, sentiu o desejo de correr terras, e partiu no rumo da Amazônia, prestando serviços relevantes na secretaria de uma presidência, na província do Pará.

Honrou, Benvindo Gurgel do Amaral, o nome de sua terra, e os homens de Aracatí, habitantes felizes da zona jaguaribana, venera, ainda, sua memória.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira. 

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