O conteúdo dessas linhas é recorrente. Trata-se do meu sentimento, toda vez que adentro o mercado público da vizinha cidade de Gravatá. Por lá, a vida pulsa com a cara do povo do Nordeste brasileiro: queijo, rapadura, mel, cachaça, tanajura, tripa de porco, bode guisado, chapéu de couro e músicas com expressões regionais que bem representam esse “nosso” pedaço do Brasil.

Por aqui, na nossa Vitória de Santo Antão, pouco mais de 30 km de distância, adormecido em ruinas, o nosso mercado público, que no inicio do século XX simbolizava pujança econômica e o pioneirismo da modernidade regional, hoje, reflete o fracasso e a incapacidade da nossa cidade, em conectar passado e presente, com os olhos voltados para o futuro.
Detalhe: por lá, no Mercado Cultural de Gravatá, além dos muitos nativos de Santo Antão, que se dirigiram para aproveitar essas delícias do entrenimento, artistas antonenses comandaram a cena musical. Primeiro, apresentou-se a Banda Raylux. Depois, subiu ao palco Nildo Ventura.
Ao final, todos se deslocaram para Gravatá. Uns para se divertir. Outros para trabalhar: é uma espécie de inversão. Ou seja: a roda grande (Vitória), passando por dentro da roda pequena (Gravatá). Que me perdoem os nativos de Gravatá. É que outrora todo esse território pertencia-nos: éramos todos da então Vila de Santo Antão.

