
Manuel Inácio de Andrade Souto Maior Pinto Coelho nasceu em Marapicú, no Rio de Janeiro, no dia 5 de maio de 1782. Viu o Brasil-colônia, o Brasil-reino, assistiu à independência de sua pátria, e morreu em 1867, quando governava o monarca que, vinte e oito anos, ainda era seu querido tutelado, pela graça de Deus e por mercê dos homens.
Teve, Manuel Inácio, na jornada feliz e demorada da vida favores e honrarias do poder público. Foi criatura amada da Casa bragantina. Quando D. Pedro I recebeu a coroa de Imperador do Brasil, estava Manuel Inácio, conta o historiador do “Galeria Nacional”, entre aqueles que o aplaudiram e o veneraram, ostentando a espada e os galões de alferes-mór.
Pertencia à família numerosa dos cortezãos da monarquia. Conquistou, ainda moço, a poltrona de senador do Império. Essa poltrona vitalícia era o sonho dourado dos políticos e dos estadistas da velha monarquia. Era a glória na carreira pública. E Manuel Inácio a obteve pelas urnas livres da província de Minas Gerais e pela “vontade” do Imperador.
Aos 64 anos de idade, representou, conta um biógrafo, o rei D. Fernando, de Portugal, numa solenidade nacional. Assistiu, nessa época, à cena festiva do batizado da princesa Izabel, a formosa garotinha de sangue azul que, com o andar dos tempos, assinou a lei gloriosa da redenção da raça negra.
Exerceu, esse fluminense ilustre, a tutoria do príncipe Pedro, a partir de 1833, quando José Bonifácio, perseguido pela política, deixou essa missão honrosa. Inteligente, habilíssimo, Manuel Inácio cumpriu, admiravelmente, sua tarefa. Se não transmitiu, ao tutelado, grandes conhecimentos nas ciências e nas letras, teve a finura de conquistar, para sempre, o coração, nessa tutoria. E Cristiano Otoni, malicioso e perverso, o considerava “um cortezão inepto, que se limitava a adorar o seu imperial pupilo”.
Morreu, Manuel Inácio, aos 85 anos de idade. Foi estribeiro-mor. Teve, na verdade, esse grande do Império, honras que levaram à história.
Célio Meira – escritor e jornalista.
LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.
Setembro de 1939 – Célio Meira
