Vida Passada… – Major Capote – por Célio Meira.

Aracatisense, nasceu João Antônio Capote, no ano de 1828. Inteligente, vivo e moço, encaminhou seus passos para Fortaleza, onde ingressou na vida do comércio, exercendo a profissão humilde de caixeiro. Não lhe agradou, porém, o trabalho do balcão. Homem nascido perto do mar, amando os horizontes iluminados, desejando luta ao sol, preparou carros de boi, conta o barão de Studart, e começou a carregar mercadorias da Alfandega para as casas comerciais. Foi, João Capote, a esse tempo, no princípio do 2º Império, o precursor tranquilo dos serviços de transporte, na famosa terra das jandáias. E nessa batalha demorada, a passo de boi, conquistou vitória. Tornou-se rico. E estabeleceu-se com uma loja de fazendas.

Esteve em Pernambuco, anos depois, e no ano de 1857, aos 29 anos de idade, informa aquele historiador, montou, João Capote, no Rio de Janeiro, na companhia de um conterrâneo, oficina de ourives. E abençoado por Deus, prosperou, na Metrópole. Decorridos alguns anos, transformou-se o ourives em proprietário. Comprou uma fazenda. Batizou-a com nome de Santa Fé. Hospedou, certa vez, contam cronistas, com esplendor, S.M o Imperador Pedro II.

Longe da terra natal, acompanhava, interessado, os negócios políticos e administrativos do Ceará. E quando em 1872, o visconde do Rio Branco, chefe do gabinete 7 de março de 1871, nomeou, conta Studart, o cidadão Bernadino Pinheiro para o cargo de tesoureiro da Tesouraria da Fazenda, na gleba cearense, major Capote lançou, veemente, seu protesto, ferindo de frente, o poderoso estadista da Baía. Processado, e preso, por esse motivo, mereceu o indulto do monarca.

Relevantes serviços prestou, esse famoso nordestino aos seus irmãos distantes, perseguidos e famintos, em 1877 e 78, pelo flagelo da seca. Coração aberto à misericórdia e à generosidade, abriu sua bolsa aos moços pobres, que não podiam estudar nas escolas superiores, conseguindo diploma-los. E entre aqueles que mereceram essa graça, esse amparo cristão do major Capote, esteve o ilustrado Domingos José Nogueira, parlamentar e ministro, e que morreu agraciado com o título de visconde de Jaguaribe.

Finou-se, na Côrte, o major João Antônio Capote, no dia 26 de abril de 1879, aos 51 anos de idade. Não foi deputado nem senador. Não mereceu, do Império, título nobiliárquico, mas, foi fidalgo  e nobre pelo coração e pelo trabalho.

A memória do major Capote viverá , sempre, na alma da gente do Aracatí e da gente amorosa do vale do Jaguaribe.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira

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