Vida Passada… – Padre Noronha – por Célio Meira.

No primeiro quartel do século XVIII, em 1723, nasceu José Manuel de Noronha, na terra paraense de Nossa Senhora de Belém. Internou-se, muito moço, no colégio jesuíta de Santo Alexandre, e ouvindo, religiosamente, as lições dos padres da Companhia de Jesus, educadores sábios, formou o espírito e o coração.

Homem feito, enamorou-se da advocacia, alcançando vitórias, na tribuna forense. Orador eloquente, de linguagem clássica, teve, também, José Noronha, no mundo da política, atuação destacada. Elegeu-o  vereador, o povo do Pará, conquistando, nesse posto, esse ilustrado discípulo dos padres de Santo Inácio Loiola, como outrora, na advocacia, a admiração, os aplausos e o respeito daqueles que o elegeram.

Anos decorridos, deixando a representação popular, na câmara do município, foi sentar-se José Noronha, na cadeira de juiz de fora. Severo, escreveu sentenças, resolvendo questões intricadas, sem perder, nunca, o alto sentido da justiça. E andava feliz, gozando o prestígio da sua gente, quando a morte lhe feriu o coração, arrebatando-lhe a esposa.

Caiu, Noronha, nesse transe, na solidão e na tristeza. Perdeu a graça de viver, no turbilhão do mundo. As glórias da advocacia, os triunfos do mandato popular e do juizado não lhe despertaram o entusiasmo para recomeçar, na viuvez, a vida trepidante de outrora, fervilhante de emoções.

Voltando-se, então, para o sacerdócio. E encontrou, na oração, a alegria divina da existência. Fez-se padre. Foi, a cruz, sua redenção. Na paróquia do Rio Negro, começou sua jornada de levita do Senhor. E de terra em terra, no coração imenso da Amazônia, padre Noronha pregou a palavra mansa, e dôce, de Jesus. Escreveu, informa o historiador Galanti, um “Roteiro” das regiões percorridas. Exerceu a vigararia geral, na província nativa.

E morreu tranquilo, na sua fé, na velhice coroada de benções, no dia 15 de abril de 1794, aos 71 anos de idade.

Padre Noronha, deve ter merecido, no Céu, pela beleza mora de sua jornada, pela terra, as graças de Deus.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio 

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