
O pernambucano Domingos de Lima Ferreira de Brito, de família nobre, nasceu em 11 de abril 1829, na cidade de Recife. O avô paterno, informa um historiador, teve a honra de ser secretário do Marquês de Pombal, eminente português, e o pai, Antero José Ferreira de Brito, o barão de Tramandaí, político e guerreiro, pacificou a província de Pernambuco, em 1825, no 4º gabinete da Regência do Marquês de Olinda.
Doutorou-se, Domingos de Brito, em medicina, no Rio de Janeiro. Rico, inteligente, atravessou o atlântico, e , nas escolas e nos hospitais da Europa, ouvindo os sábios, imprimiu, aos seus conhecimentos, novas diretrizes. E regressou à Pátria.
Desencadeada a tremenda guerra do Paraguai, o jovem facultativo, que se especializara em cirurgia, partiu, imediatamente, conta um historiador, no rumo dos acampamentos, e, durante meses e meses, exposto aos perigos, nas barracas e trincheiras, e nos hospitais de sangue, levou, aos feridos, os socorros da ciência de que se fizera amigo e sacerdote.
Terminada a carnificina, em que heróis e bravos se imolaram, regressou o ilustrado recifense, à Côrte, continuando a servir à Nação e ao Imperador. Exerceu, apesar de médico, o cargo de delegado de polícia, em Petrópolis, e nessa linda terra, onde D. Pedro I se fez, um dia, proprietário, Domingos de Brito se sentou na cadeira de vereador, na Câmara Municipal. Foi, dilatados anos, médico do Corpo Diplomático, acreditado, na Côrte do 2º Império.
Botânico notável, possuindo, no dizer do ilustrado historiador do “Galeria Nacional”, valiosas coleções de plantas exóticas”, pertenceu, o nobre pernambucano, à família dos cientistas brasileiros. E, na verdade, ele era “homem de vasta cultura intelectual”, possuindo, em elevado grau, “independência de caráter”. Era, também, “extraordinariamente” caritativo. Morreu, em 1908, em Petrópolis, na famosa terra do frio, das serras e das ortênsias. Honrou o nome do pai, que se ilustrou na guerra, e na administração pública. E, o nome de Pernambuco.
É digna, sua memória, das homenagens do Recife.
Célio Meira – escritor e jornalista.
LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.
Setembro de 1939 – Célio Meira
