Celebremos, hoje (17/01/2026), a passagem dos 400 anos de fundação da Vitória de Santo Antão. Mas é importante lembrar que nem sempre a mesma (cidade) teve a palavra “vitória” como principal identificação.
Terra desbravada pelo português Diogo de Braga, oriundo do Arquipélago do Cabo Verde, em 1626, mais precisamente da Ilha de Santo Antão, recebeu, de partida, o simpático nome de “Cidade de Braga”.
Fruto da devoção ao catolicismo, o santo virou o protagonista do lugar: Povoado de Santo Antão da Mata, Freguesia de Santo Antão, Vila de Santo Antão e só a partir de 06 de maio de 1843, virou “Cidade da Vitória”. Uma alusão direta à vitória alcançada na épica Batalha dos Montes Tabocas, ocorrida em 03 de agosto de 1645.
O curioso para o tempo presente é que o nome atual – Vitória de Santo Antão – só foi cravado, definitivamente, a partir de 1º de janeiro de 1944. Ou seja: apenas há 82 anos.
No transcorrer desses 400 anos de história o mundo se transformou. O Brasil deixou de ser apenas uma rica porção de terras nos trópicos para virar um País rico, soberano e próspero. Na esteira dos acontecimentos nacionais, no alvorecer do século XIX (1812), quando viramos vila autônoma – Vila de Santo Antão –, os antonenses, por assim dizer, começam a tomar conta do próprio nariz.
Constituíram Câmara de Vereadores, passaram a contar com ordenamento jurídico próprio, determinam, também, o seu código de postura e costumes e assim passam a ter vida própria.
Nesse contexto, na qualidade de vida coletiva, o local ganhou ares de metrópole. No comercio, vira uma espécie de locomotiva da região. Instrumento de cidadania e desenvolvimento, a imprensa escrita tornar-se-ia um caldeirão de alavancas. Um “campo santo” público (cemitério), atenderia os clamores da “vida” pós-morte. Mas é a chegada do trem (1886), símbolo do progresso nos quatro cantos do mundo, que a faz conjugar todos os índices de crescimento, ou seja: social, político, cultual e econômico.
Para pontuar dois momentos singulares, nessa linha imaginária do tempo, nessa auspiciosa data comemorativa, sublinhemos o pior e o melhor acontecimentos já vivenciados: pelo lado trágico, o surto da Cólera, no qual parcela expressiva da população foi a óbito, em um curto espaço de tempo. Na outra ponta, respeitando o contexto histórico, exaltamos à visita do Imperador Pedro II, ocorrida em 18, 19 e 20 de dezembro de 1859, fazendo da então “Cidade da Vitória” a capital do Império.
Portanto, para encerrar essas linhas, que mistura um pouco de tudo, comemoremos, com “vivas”, à República da Cachaça, aqui, bem representada pela gigante Pitú.
Redamos nossas homenagens à Vitória de Santo Antão, uma terra que se expressa de maneira plural. Ou seja: conservadora na vida política e irreverente e criativa na sua festa maior – o Carnaval!!!
