60 milhões em empréstimo: será mesmo que esse é o melhor caminho?

Circula pelos perfis eletrônicos da atual gestão municipal a informação de que a Prefeitura da Vitória pleiteia contrair um empréstimo financeiro na ordem de 60 milhões de reais. O credor,  através de programa apropriado ( Finisa), seria a Caixa Econômica Federal. Para tanto, o Poder Executivo precisa do “Ok” do Poder Legislativo, ou seja: Câmara de Vereadores.  Até o presente momento, estamos carentes de informações mais aprofundadas sobre essa determinada operação.

Quero crer, à luz da responsabilidade cívica/administrativa/fiscal/política  que o parlamento municipal precise de um tempo mais alongado  para mergulhar nas entrelinhas dessa operação financeira vultosa. Espero que o Poder Executivo também possa ir além, no sentido da transparência, antecipadamente, compartilhando as informações com a sociedade,  até porque todos os munícipes, de uma forma ou de outra, serão beneficiários, devedores e fiadores,  num só tempo,  desse “papagaio”.

O prefeito, por uma questão de boa governança e respeito ao povo,  deveria  detalhar e explicar  para a população, em LIVE própria,  o planejamento dessas possíveis  aplicações de recursos, ou seja: onde investir, quanto destinar,  qual o valor dos encargos financeiros a serem pagos, qual o retorno prático dessas obras de infraestrutura (em forma de impostos) e etc e tal. Isto é: um planejamento demonstrando  de todas as operações –  traçar uma espécie de balancete prévio, para saber se  realmente vale  a pena endividar o município. Aliás, não custa nada lembrar o nome da coligação partidária  pela qual se elegeu o atual gestor: Vitória Merece Respeito.

Em princípio, empréstimo financeiro  é sempre uma “faca de gumes”, sobretudo à administração pública, principalmente os adornados com  prazos dilatados para pagamento.   Se mal planejado,   poderá comprometer a administração de um outro ator político, mias adiante e até mesmo a cidade como um todo,  por décadas. Nesse contexto,  serenidade e equilíbrio se faz imperativo.

Outra coisa que merece uma observação mais apurada, por parte dos eleitores da Vitória, foi o  “tom político e sincronizado”  nas falas do prefeito e  do vice, por ocasião da passagem da dupla pela Câmara, divulgado nas redes oficiais da prefeitura: Disse o vice-prefeito, Edmo Neves: “Vitória precisa tirar o atraso”. Enquanto  Paulo, sem detalhar e em frase confusa, fala em “atraso que a cidade teve”.  Ora! Em ato de diplomação, ano passado (2020),  foi o próprio prefeito que disse  que não iria governar olhando pelo retrovisor. Convenhamos que esse ato administrativo – empréstimo – deveria ser uma atitude totalmente desintoxicada de leituras  e bravatas políticas.

Ainda sobre o referido  tema – ATRASO – seria bom algum assessor mais atento lembrar aos atuais gestores que nas últimas quatro décadas ( a partir de 1983 – 38 anos) os “Querálvares” governaram  a cidade  por 12 anos,  os “Queiroz” por um mandato (1988/92) e o  restante  do período (22 anos) foi o grupo atual que comandou os destinos do município.

Ainda “jogando luz” na  “saúde financeira” do erário municipal,  em sintonia com  grupos locais que se revezam no poder, não custa nada lembrar que não é incomum a repetida  “cantiga”  dos políticos, recém chegados à cadeira mais importante  do Palácio José Joaquim da Silva, alardearem  que encontraram os “cofres da prefeitura  arrombados”. 

Outra marca negativa dos que já administraram nossa “aldeia” é o fenômeno que ocorre próximo às eleições, quando  a folha de pagamento da prefeitura  é “engordada”,  no sentido da formação do chamado “exército de contratados”, isso, até os “postes” da cidade sabem muito bem como acontece.

Assim sendo, mesmo  sabendo que os recursos oriundo do empréstimo terão que ser obrigatoriamente aplicados em obras de infraestrutura e saneamento, conforme noticiados,  devemos ser vigilantes para que a possível  ”bolha da prosperidade”, criada, por ocasião de uma receita “extra” e em curto prazo,  não enseje em uma tremenda dor de cabeça,  mais adiante.

O bom gesto é aquele que realiza mais com menos – como bem gostam de sublinhar os então postulantes aos cargos do executivo,  a plenos pulmões, em período de campanha.  Vale salientar, também, que os gestores municipais, de maneira geral, não querem fazer o dever de casa, ou seja: enxugar  a máquina pública e ser eficiente nas cobranças dos tributos de competência  municipal. Via de regra, eles  preferem  não causar algum tipo de desgaste político, sobretudo num primeiro mandato, quando o gestor tem a possibilidade de disputar um novo mandato sem sair da cadeira. Aliás, (reeleição) algo que certamente segue  na ordem do dia,  no chamado  mapa astral político do atual prefeito, Paulo Roberto.

Portanto, a sorte está lançada. Esperamos que as informações, de maneira antecipada,  circulem com clareza  e transparência. Dinheiro público sempre é bom, mas cabeça fria e tranquila é ainda melhor!!

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