Santo Antão X Diogo de Braga: quem chegou primeiro?

Na noite da sexta (08) iniciou-se mais uma edição da nossa tradicionalíssima Festa do Glorioso Santo Antão – “Como Santo Antão no Isolamento espiritual e Exterior, Edificamos Nosso Templo Interior”. De maneira extraordinária, em função dos efeitos da pandemia do novo coronavírus, o evento foi reconfigurado para cumprir, na medida do possível, programação semelhante aos anos imediatamente anteriores.  Sob o ponto de vista do ineditismo histórico, poderíamos dizer que pela primeira vez não teremos a presença de “massa humana” acompanhando,  presencialmente,  o cortejo da procissão. Vale lembrar que a mesma (procissão)  será no modelo “motorizado”.

Ainda no quesito “histórico”, por assim dizer, lembremos que nossa devoção ao Glorioso Santo Antão advém  do fundador da nossa comunidade, Diogo de Braga, que na qualidade de devoto,  junto com familiares, partiu do Arquipélago do Cabo Verde – então colônia  de Portugal -, mais precisamente da  Ilha de Santo Antão, para desbravar nossas terras, localizadas  além da faixa litorânea.

Pois bem, a pesar da escassez de documentos históricos, Mestre Aragão grafou nos livros que orienta-nos no sentido da vida dos nossos antepassados – fatos correlatos –  que o nascedouro da nossa historia “formal” ocorreu a partir de 1626. Por convenção, assim como ocorreu nas cidades de Olinda e Recife, o então prefeito da Vitória, José Aglailson Querálvares, através da  Lei 2.942/2002 ( 26 de agosto de 2002) oficializou o dia 17 de janeiro de 1626 como o ponto de partida do nosso lugar, ou seja: data da nossa fundação.

Com efeito, se observarmos com atenção, a referida oficialização – importante para o município –  “joga luz” num ajuste que, mais cedo ou mais tarde, seremos obrigados a fazer. Repare bem:

Se em 2021 a festa do padroeiro chega à edição de número 396ª, em 2022 será 397ª – e assim por diante: 2023/398ª – 2024/399ª – 2025/400ª – 2026/401ª …….Ou seja: em 17 de janeiro de 2026, quando estivermos comemorando os quatrocentos anos de fundação da cidade, a nossa procissão já estará na sua 401ª edição, isto é: algo que não tem a menor lógica.

Para tratar desse oportuno   “ajuste histórico”, há três anos (março de 2018), ocorreu um salutar diálogo do qual fizemos parte, juntamente com o eminente jornalista João Álvares e o sempre atencioso Monsenhor Maurício Diniz. Assim sendo, já que o Padre Maurício mostrou-se sensível  à correção, seria importante e produtivo ampliar esse  debate: Igreja da Matriz, Prefeitura da Vitória (secretaria de cultura), Instituto Histórico, Câmara de Vereadores e demais interessados no tema.

Portanto, para concluir essas linhas, que julgo ser contributiva ao desenvolvimento da nossa “aldeia”, gostaria de dizer que, independente de datas e convenções, somos todos “filhos” de Diogo de Braga e Santonenses/Antonenses  por natureza. Viva o Glorioso Santo Antão!!!

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