Triste reencontro.

No Diário de Pernambuco do domingo (04) veio encartado uma revista promocional com o seguinte título: “REVELANDO PERNAMBUCO” – Em cada canto, um novo encanto-  Todos pelo turismo.

A revista  ESPECIAL, que teve tiragem de 55.000 exemplares, teve como objetivo maior promover o turismo no Estado revelando os encantos das cidades de todas regiões do nosso Pernambuco. Durante a consolidação do salutar projeto, foram inscritos quase 5.000 alunos que após seleção foram escolhidos  e empossados 25 embaixadores do turismo, cada qual, representando sua cidade.

Muito bem, como bom vitoriense que sou, ao pegar a revista, fui localizar os CANTOS DA MINHA CIDADE que certamente encantaria a todos, mas, para minha decepção não os  localizei.

Disse pra mim mesmo: “mas será possível!  já localizei o nome de várias  cidades como: Bodocó, Lagoa Grande, Santa Cruz da baixa verde, Tacaratu, Tabira, Saloá, Barreiros, Lagoa do Carro, pera aí, tem uma com a letra V, me animei, quando fui  V de  verdade,  era Vicência. E nada de encontrar  o nome da minha Vitória?”

Pois bem, por alguns instantes imaginei: “É… nossa cidade está próxima de completar 400 anos, deve está mesmo velha e feia, por isso não mereceu ser selecionada.”

Senti nesse momento a vista escurecer, entrei numa espécie de túnel do tempo… e quando tomei pé da situação estava participando de uma reunião ordinária do Instituto Histórico, na casa do Imperador, entre as tantas figuras ilustres poderia citar: Professor Aragão,  escritor Célio Meira, Advogado Mário Castro, do ex-prefeito Manuel de Holanda, deram todos um “puxão de orelha”, mas não com violência, até porque, esses não eram seus “MODUS  OPERANDI” mas sim, com palavras alertando-me, que nós, vitorienses, tínhamos sim o que mostrar a Pernambuco,  ao Brasil e ao Mundo.

Lembraram-me que foi no nosso Monte das Tabocas o nascedouro do sentimento de Pátria do Brasil, lembrou-me também das nossas igrejas, berço da construção dos nossos costumes e crenças, do Imperador Dom Pedro II que, junto com sua comitiva, aqui se hospedou por três dias 1859, a chegada da estrada de ferro que conta de maneira concreta o desenvolvimento econômico da nossa região, dos nossos mercados e açougue que revelam de maneira cabal a pujança empreendedora do nosso povo, dos nossos clubes carnavalescos que retratam de maneira fiel a transformação dos costumes sociais de uma época, da nossa vocação canavieira materializada na internacional PITÚ (…)

Quando quis dialogar para pedir desculpas pela minha grosseria cultural, eis que a vista se escurece novamente e como se estivesse fazendo o caminho inverso no túnel do tempo, a luz voltou.

Daí,  lembrei-me que estava lendo o encarte do Diário de Pernambuco e que não tinha encontrado o nome de Vitória. Logo cheguei a uma conclusão: Não se deve entregar o comando de uma cidade e uma pasta de cultura e turismo a quem só tem sensibilidade para juros e bola, respectivamente.

3 pensou em “Triste reencontro.

  1. Essa realidade já vem sendo vivenciada a muito tempo, principalmente quando deixaram que as construções antigas e históricas de nossa querida Terra de Braga fossem trocadas por construções pobres de arquitetura e sem nenhum cuidado com o patrimônio. Seu blog tem mostrados muitas vezes documentos e fotos de casas, ruas, pessoas que fizeram parte do passado da cidade, mas precisamos resgatar a nossa cultura que está esquecida em quadros e livros velhos e empoeirados.

  2. Muito boa colocaçao Sr, João, mas por onde começar ? Acredito que alguns queiram esse resgate, mas começar por onde? , com o apoio de quem?

    • Bom, amiga Fátima, o apoio pode começar a vim através da propria população, como o amigo Pilako falou, são quase 400 anos desde a chegada de Braga por essas terras e poucas pessoas conhecem a história dessa cidade. Precisamos incentivar a ida das pessoas ao Instituto História e conhecer melhor o passado de nossa terra, acho que para dar início ao resgate da nossa cultura e história as pessoas precisam conhecer o passado pra da dar valor, e com esse conhecimento do passa é que podemos iniciar um trabalho de reconstrução da cultura perdida.

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