Vida Passada… – Armando Gaioso – por Célio Meira.

Nasceu Armando Taborda de Souza Gaioso, no de 1894, na cidade do Recife. Tinha 2 anos de idade, quando o pai, Dr. José Gaioso, advogado notável e político corajoso, o levou para o Amazonas. E naquele mundo misterioso, marginando rios, e lagos e igarapés, olhando as árvores, saboreando frutos, conversando com caboclos, criando aves e pássaros, temendo as onças e os jacarés, e ouvindo lendas, atingiu, Armando, a casa dos 10 anos, fascinado pela natureza e atraído, irresistivelmente, como ele nos dizia, pelo deslumbramento das florestas.

Regressou, em 1904, ao torrão nativo. Começou a frequentar, no Ginásio Aires Gama, as aulas do curso secundário. “Menino endiabrado”, inteligente, estudioso e inclinado às letras literárias, colaborou no “Gremio”, jornalzinho daquele educandário. Conquistou, a esse tempo, o menino Armando, as primeiras vitórias. Abriam-se, iluminadas, as estrelas de seu destino, nas ciências e nas letras.

Aos 17 anos, fixou-se na capital da República. Obteve carta de doutor em medicina. Ouviu, na Europa, os mestres afamados, e voltou ao Recife, onde armou sua oficina de trabalho. A clínica e a politica o fizeram vitorioso, na sua rápida e fascinante jornada de 32 anos, pelo mundo.

Quando se iniciou a administração do vitoriense José Bezerra, ocupou, Armando, p cargo de oficial de gabinete do governador, e , decorrido algum tempo, ingressou na Câmara Estadual. Deputado, não perdeu, nas campanhas memoráveis dessa época, as grandes diretrizes de sua vida, no mundo moral, e nas zonas perigosas da política.

Exerceu, também, o magistério, ensinando psicologia. E aos 30 anos, recebeu, o admirável poeta do “Poemas Imperfeitos”, a láurea acadêmica, na casa de Carneiro Vilela. Sentou-se, o médico dos pobres do arrabalde da Torre, na cadeira nº 22, do frei Leandro de Sacramento. A morte, porém, arrebatou, apressadamente, o jornalista d’ “A Tarde”, no dia 3 de maio 1926, quando ele marchava triunfante, e moço, para glória. Traçamos seu elogio, na Academia, e hoje, que e o dia do aniversário de sua morte, repetimos algumas palavras, pronunciadas em a noite de 5 de julho de 1938:

– É este louvor, alto e comovido, ao fulgurante jornalista da “A Tarde, ao cronista sutil do “5 de novembro”, de Caruaru, do Jornal do Brasil do Rio, e de outros jornais e revistas, oculto sob o pseudônimo de João Garça; ao ilustrado professor de psicologia, ao deputado que, em sendo médico, discutia, com sabedoria , questões de direito público e constitucional, batendo-se, valentemente, pela liberdade e pela independência do povo de Carpina, na constituição de um município autônomo, e especialmente àquele homem de maneiras polidas, de atitudes frias, de gestos medidos, como um grego de eras afastadas, e de quem irradiava , permanentemente, a luz suave de uma bondade cristã verdadeira.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira

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