Vida Passada… – Barão de Vassouras – por Célio Meira.

O mineiro Francisco Teixeira Leite nasceu na terra natal de Tiradentes, de Silva Alvarenga e do marquês de Baependi. Nasceu, em 1864, em São João del-Rei, onde, 29 anos mais tarde, Bernardo de Vasconcelos, vice-presidente da província de Minas, estabeleceu a sede do governo, oferecendo, conta o ilustrado historiador Almeida Magalhães, aos “caramurus” e aos “exaltados” de Ouro Preto, famosa resistência.

Não ambicionando carta de doutor, nem batina de sacerdote, o que era tão comum aos moços de seu tempo, mostrou-se fascinado, Teixeira Leite, desde os primeiros anos da mocidade, pela vida do campo, laboriosa e livre ao sol e à chuva. E seguiu, sem vacilações, as linhas do destino.

Atravessou as fronteiras de sua província e fixou-se no município de Vassouras, na terra fluminense. Homem inteligente, conhecendo, sem erros, os problemas da lavoura, pertenceu, Teixeira Leite, à família poderosa dos lavradores e fazendeiros, vinculando seu nome, por essa razão, ao progresso, à grandeza econômica e à história da gleba vassourense.

Rico e independente, ingressou nas lutas partidárias alcançando grande prestígio dentro e fora das fronteiras daquele município, que ele acolhera para o centro de suas atividades agrícolas e políticas. Exerceu poderosa influência na sociedade fluminense do segundo império, pela austeridade do caráter e pela fidalguia de seus antepassados. “Filho do primeiro barão de També, sobrinho do barão de Aiuruoca” é esse ilustre mineiro, informa o biógrafo do “Galeria Nacional”, o “tronco de tradicional família Teixeira Leite”.

Relevantes serviços prestou à Nação, servindo à monarquia. “ O barão de Vassouras, escreve esse paciente biógrafo, e seus irmãos foram precursores da construção da Estrada de Ferro de D. Pedro II, e do chamado Movimento Vassouras”. Grande do Império, mereceu comendas e títulos de barão, por decreto, em 1871. E aos 70 anos de idade, o de barão, com grandezas. Dez anos viveu, ainda, depois dessa graça do derradeiro governo da Casa de Brangança.

Morreu o barão de Vassouras aos 80 anos, no dia 02 de maio de 1884. Na viu, o grande nobre fazendeiro, a libertação dos escravos. Desceu à sepultura, na riqueza. Era dono de terras e possuía negros.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira

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