Hoje, vamos voltar ao ano de 1989 – por história em retalhos

Naquele ano, o país vivia uma fase de transição política e, na pauta dos costumes, a emancipação feminina ainda era um tabu para a maioria das famílias brasileiras.

A jovem universitária Maristela era uma mulher dinâmica, que fazia planos para o futuro.

O seu marido, José Ramos, com quem se casara na década de 1980, tinha uma postura diferente, conservadora, e essa desarmonia de perspectivas gerou um choque de realidades entre o casal.

Aos 25 anos, Maristela decide separar-se, retornando com os dois filhos, Nathália (4 anos) e Zaldo (2 anos), para a casa de seus pais, em Jaboatão dos Guararapes/PE.

A decisão de Maristela provocou uma reação ainda muito comum no patriarcado brasileiro: a não aceitação por parte do ex-marido.

No dia 4 de abril, Ramos foi até a casa dos ex-sogros e pediu para reunir-se a portas fechadas com Maristela e os filhos.

O irmão de Maristela, Ulisses, desconfiou do ato e decidiu acompanhar a reunião.

Era o prenúncio da tragédia que se avizinhava.

Dentro do quarto, Ramos brincava com o filho, quando, inesperadamente, sacou uma arma e atirou na cabeça de Maristela, matando-a.

Ulisses interveio e também foi alvejado.

Nathália e Zaldo foram baleados, à queima-roupa, no ombro direito e na cabeça, ficando ambos com sequelas.

Depois de mais de 21 anos de espera, o caso foi a júri popular no ano de 2010.

O réu foi condenado a 79 anos de prisão, ficou foragido por 2 anos e 5 meses e, graças a uma denúncia anônima, foi capturado em 2012.

Em entrevista ao Fantástico, a filha Nathália disse aquela que é a grande verdade na vida dos filhos de um feminicídio:

“A minha sentença e a do meu irmão foi dada”.

“A gente vai viver sem a mãe da gente”.

Mas Nathália e Zaldo seguiram firmes.

Transformaram a dilacerante dor em luta.

Hoje, 37 anos depois, Zaldo lançará o livro “Além das cicatrizes”, às 19h, na Academia Pernambucana de Letras.

O menino que viu a mãe ser assassinada e que foi baleado pelo próprio pai decidiu ressignificar a ferida aberta, transformando-a em luta e conscientização contra o feminicídio.

Meus parabéns, Zaldo.

Essa luta

@hitória em retalhos

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