Vida Passada… – José Vicente Meira de Vasconcelos – por Célio Meira.

Honório Hermeto Carneiro Leão, o marquês de Paraná, governava , ainda, Pernambuco, quando nasceu, a 5 de abril de 1850, na cidade de Olinda, José Vicente Meira de Vasconcelos. Ouviu, a princípio, as aulas no colégio do pai, o dr. José Lourenço, concluindo, conta Sebastião Galvão, no educandário do dr. Bernardo do Carmo, o curso de humanidades. Tinha 16 anos de idade, e para matricular-se, na Faculdade de Direito do Recife, obteve suplemento de idade, concedido pelo poder legislativo. Calouro, em 1866, conquistou a carta de bacharel, em 1870, pertencendo à turma de Gaspar Drumond, Herculano Bandeira, José Mariano, Ulisses Viana e de Joaquim Nabuco.

Desde a vida acadêmica, ao lado de Aprígio Guimarães e de outras figuras de inteligência aguda, e penetrante, revelou-se, José Vicente, espirito invulgar, na imprensa e na tribuna. Diplomado, iniciou-se na advocacia e no magistério, ensinando latim, Exerceu, em 1872, o cargo de oficial de gabinete, na administração do barão de Lucena. Um ano depois, aceitou a promotoria de justiça, na comarca de També. Nesse posto, processou, com energia, os responsáveis pela impatriótica rebeldia do “quebra-quilos”. E em Olinda, ao tempo da questão religiosa, apurou, serenamente, e sem ódios, as responsabilidades dos governadores do bispado. E permanecia, ainda, em 78, nesse cargo, quando subiu, ao poder, com o gabinete Sinimbú, o partido liberal. Exonerado, nessa época, voltou às lutas da advocacia.

Fundou, em 79, informa Alfredo de Carvalho, a “Gazeta da Tarde”, hasteando a bandeira de seu partido. Elegeu-se deputado provincial, em 81, quando as forças políticas ouviram a voz de Saraiva, chefe do ganinete liberal, e , na Assembleia, se conservou, até 89, pugnando pela abolição e pala República. Derrubada a monarquia, José Vicente, na campanha de Rosa e Silva, Gonsalves Ferreira, Aníbal Falcão, e de outros, representou o berço nativo, na Constituinte de 1890. Ingressou no corpo docente da Faculdade de Direito, em 91, com a reforma de Benjamin Cosntant. Ensinou, brilhantemente, amado pela mocidade, a cadeira de direito internacional.

Deposto o barão de Contendas, em 91, da presidência da província, José Vicente subiu ao poder, com Ouriques Jaques e Ambrósio Machado. Constituiram, esses três homens, a Junta Governativa. Foi o triunvirato de Floriano. Prestigiou, mais tarde, o governo de Barbosa Lima, abandonado, em seguida, a vida partidária.

Em 1911, porém, tomou as armas antigas, fazendo, na praça pública, a campanha dantista. Orador magnifico, emocionou, como outrora, a alma das multidões. E vitoriosa a peleja, retornou, na Câmara Federal, a cdeira do constituinte. Tinha 62 anos de idade, mas, o espirito era jovem, ilustrado e romântico.

Morreu, aos 70 anos de idade, esse olindense precçaro. Olinda deve exaltar a memória do mestre, grande na política e no parlamento, e maior nas letras e na ciência.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira.

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