
Naquele dia, membros do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) estavam reunidos em uma casa insuspeita da Rua Pio XI, no bairro da Lapa, em São Paulo, para realizar um balanço político da recém-derrotada Guerrilha do Araguaia, movimento de resistência armada organizado pelo partido no sul do Pará.
Um fato muito imprevisível e perigoso naqueles anos difíceis, todavia, aconteceu: a traição.
O militante Manoel Jover Telles decidiu trair os seus companheiros de partido, informando o dia e o local da reunião do Comitê Central do PCdoB ao Exército.
Telles, que havia sido preso em meados de 1976, negociara com os órgãos da repressão e fornecera informações sobre a reunião, recebendo por isso a quantia de 150 mil entregue à sua filha em Porto Alegre/RS.
Na madrugada, após o fim da reunião, a residência foi cercada e metralhada.
Os militantes Ângelo Arroyo e Pedro Pomar foram sumariamente assassinados a tiros na própria operação (foto).
João Batista Franco Drummond, preso no dia anterior, à tarde, após sair da casa, fora levado ao DOI/CODI, onde morreu sob tortura, durante a madrugada.
Outros cinco integrantes (Elza Monnerat, Haroldo Lima, Aldo Arantes, Joaquim Celso de Lima e Maria Trindade) foram presos e torturados.
O objetivo da operação era claro: riscar do mapa o partido que havia dirigido a Guerrilha do Araguaia, que foi a principal ação armada de resistência à ditadura.
Nenhum dos responsáveis pela chacina jamais foi responsabilizado.
No ano de 2010, o suborno de Manoel Telles para liquidar o PCdoB foi confirmado pelo general Leônidas Pires Gonçalves em entrevista ao jornalista André Cintra.
Não existem limites morais para uma ditadura.
O limite é a sua própria sanha.
Lembrar para não esquecer.
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