
É muito comum ouvirmos ainda hoje declarações sobre um mito de que, durante a ditadura militar brasileira, não havia corrupção.
Isto é um grave equívoco histórico.
Nos governos autoritários, a ausência de transparência, a censura e a centralização do poder pela força possibilitam que a corrupção seja praticada absolutamente imune ao controle social.
E foi isso o que aconteceu pós-1964, principalmente em favor daqueles aliados ao regime.
Obras faraônicas, como a Transamazônica, Itaipu, Tucuruí, Ferrovia do Aço, a Ponte Rio-Niterói e as usinas nucleares de Angra foram marcadas por superfaturamento, descumprimento de prazos e desvios de verbas, com o amordaçamento dos mecanismos de fiscalização.
Mas os exemplos não param por aí.
São inúmeros.
Em 1984, os ministros Delfim Netto (foto) e Ernane Galvêa (ministro da fazenda) foram protagonistas do famigerado escândalo Coroa-Brastel, acusados de desviar recursos da Caixa Econômica Federal em forma de empréstimo para o empresário Assis Paim Cunha.
No âmbito do crime organizado, um dos nomes mais conhecidos da repressão, o delegado Sérgio Fleury (foto) foi acusado pelo Ministério Público de associação ao tráfico e extermínios.
Apontado como líder do Esquadrão da Morte, um grupo paramilitar, Fleury era ligado a criminosos comuns, fornecendo serviço de proteção ao traficante José Iglesias, o “Juca”.
Na Bahia, o governador biônico Antônio Carlos Magalhães foi acusado em 1972 de beneficiar a Magnesita, da qual seria acionista, abatendo em 50% as dívidas da empresa.
Por fim, foi durante o ciclo da ditadura militar (1982) que Pernambuco viu nascer o maior crime financeiro de sua história, o famigerado “Escândalo da Mandioca”.
Este escândalo, que beneficiou diversas pessoas influentes do regime, incluindo o Capitão da PM Audaz Diniz, resultou no assassinato do procurador da República Pedro Jorge (foto), herói e mártir do Ministério Público brasileiro.
Tudo sob o beneplácito da ditadura militar.
Em verdade, este estereótipo de um regime “imune” à corrupção é uma falácia e um acinte ao estudo crítico da história.
#ditaduranuncamais
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