Curiosidades Musicais: GERALDO PEREIRA – por Léo dos Monges

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Geraldo Theodoro Pereira – Geraldo Pereira – nasceu em Juiz de Fora (MG), 23 de abril de 1918.

Tinha uns onze anos quando, chamado pelo irmão, Manuel Araújo, viajou para o Rio de Janeiro, e subiu pela primeira vez o morro da mangueira.

– Mano, a coisa é assim… Mané Araújo, ferroviário, viajava muito, e chamaria o irmão para ser uma espécie de chefe de família substituto, para cuidar das duas mulheres que viviam com ele: A mãe de ambos e uma filha pequena de Manuel.

No morro, Geraldo tornou-se adulto depressa. Casou-se com Eulíria Pereira pouco depois de terminar o curso primário. Para o sustento, andou trabalhando numa tendinha, um daquele botecos do morro. Começou com a música ouvindo o irmão tocar sanfona, adolescentes ainda, já compunha sambas para escola Unidos da Mangueira, hoje extinta. Logo fez amizades com os bambas do morro e aprendeu violão com Cartola e Aloísio Dias.

Contudo, mais que o samba propriamente dito, era a boêmia que atraía a Geraldo. Como a mãe, que bebia muito (e quando bebia dava vexame), Geraldo apreciava o copo. E havia também as cabrochas, pois a mulher, Eulíria, já ia sendo posta de lado.

Aos 18 anos, deixou o morro para viver no subúrbio de Engenho de Dentro. Logo depois mudou-se para a Lapa. Na Lapa, emprego novo, foi trabalhar na Prefeitura do Rio como motorista de caminhão de limpeza urbana. Passou a frequentar os bares da cidade, inclusive o Café Nice, ponto de encontro de sambista e da Boêmia Carioca. Com parceria de Nelson Teixeira, compôs o samba Se Você Sair Chorando, gravado em 1939 em disco Odeon pelo cantor Roberto Paiva. Inscrita no concurso de músicas de carnaval em 1940 o samba se classificou entre os vinte finalistas e é bom que se observe: até Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, entrou na disputa. A música vencedora foi Ó, seu Oscar, de Ataulfo Alves e Wilson Batista. Mas, se você sair chorando conquistou um ótimo lugar na classificação geral. Foi a primeira música de Geraldo Pereira gravada e de certa maneira seu primeiro sucesso.

Ainda em 1940, compôs, de parceria com Wilson Batista, o samba de breque Acertei no Milhar, gravado na Odeon por Moreira da Silva. Por essa época vivia com Isabel, inspiradora de muitos dos seus sambas, entre eles Acabou a Sopa (com Augusto Garcez). Gravado em 1940 na Victor, marcou o início de sua amizade com Ciro Monteiro, que se tornaria um de seus mais fiéis intérpretes e o principal divulgador de suas obras. Sambista inovador da MPB, criou o samba sincopado que influencia a Bossa Nova anos mais tarde.

De 1941 a 1947, Geraldo teve gravados uns quarenta sambas. Entre seus parceiros estavam, Marino Pinto, Augusto Garcez, J. Portela, Ary Monteiro, Jorge de Castro, Arnô Provenzano, Djalma Mafra, Elpídio Viana e Raul Longras.

Entre os intérpretes, Roberto Paiva, Aracy de Almeida, Isaura Garcia, Odete Amaral, Alíbio Lessa, Jorge Veiga, Anjos do Inferno, Quatro Ases e Um Coringa.

Geraldo Pereira, morreu no dia 08 de Maio de 1955, aos 37 anos, dias depois de uma briga com o famoso travesti da Lapa “Madame Satã”, devido a uma hemorragia interna. (Madame Satã era natural de Glória do Goitá – PE).

Autor de grandes composições como: Se Você Sair Chorando, Falsa Baiana, Você Está Sumido, Sem Compromisso, Bolinha de Papel, Que Samba Bom, Escurinha, Escurinho, Acabou a Sopa, A Voz do Morro, Acertei no Milhar e tantas outras mais.

Falsa Baiana, este samba é considerado o maior sucesso de Geraldo Pereira, ele inspirou-se na fantasia de Baiana usada pela esposa de Roberto Martins no Carnaval de 1943. “Ela não sabia sambar- Conta Roberto – e, apesar do traje, estava longe de parecer uma verdadeira Baiana. Daí nasceu a Falsa Baiana.

FALSA BAIANA (MARIENE DE CASTRO)

AUTOR: GERALDO PEREIRA

Baiana que entra na roda e só fica parada 
Não canta, não samba, não bole nem nada 
Não sabe deixar a mocidade louca 
Baiana é aquela que entra no samba de qualquer maneira 
Que mexe, remexe, dá nó nas cadeiras 
Deixando a moçada com água na boca 
A falsa baiana quando entra no samba 
Ninguém se incomoda, ninguém bate palma 
Ninguém abre a roda, ninguém grita ôba 

Salve a Bahia, senhor* 

Mas a gente gosta quando uma baiana 
quabra direitinho, de cima embaixo 
Revira os olhinhos dizendo 

Eu sou filha de São Salvador*

leo

 

Leo dos Monges

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