Curiosidades musicais: Lupicínio Rodrigues – por Léo dos Monges

Lupicnio+Rodrigues+Lupicinio_Rodrigues

Lupicínio Rodrigues nasceu em Porto Alegre em 16 de setembro de 1914. Filho de Abigail e Francisco Rodrigues (Seu Chico).

Seu Chico funcionário da Escola de Comércio (anexa a Faculdade de Direito de Porto Alegre), Seu Chico podia garantir para o filho uma infância pobre, mas sem grandes dificuldades. Quando Lupicínio fez cinco anos, o pai comprou-lhe uma cartilha e levou-o para o Liceu Porto-Alegrense. O menino ficou pouco tempo na escola.

– Olha, o senhor leva seu filho para casa e traz quando ele completar sete anos. Já faz uma semana que ele está aqui, mas até agora não quis saber de prestar atenção à aula. Só quer saber de brincar na classe e cantarolar… Assim não é possível! E lá se foi seu Chico puxando o filho pelas ruas e dando-lhe uns cascudos por ser tão moleque.

Lupe, como era chamado desde pequeno, gostava mesmo era de jogar futebol, torcedor do Grêmio, compôs o hino do clube em 1953: Até a pé nós iremos / para o quer der e vier / mas o certo é que nós estaremos / com o Grêmio onde o Grêmio estiver…

Conforme crescia, Lupicínio mostrava-se cada vez mais interessado na roda de amigos que se reuniam em bares, e ali ficavam bebendo e cantando até a madrugada. E seu Chico dizia: Não quer estudar! Não quer trabalhar! Vai dar pra vagabundo!

Seu Chico resolver tomar providências. Em 1931 apresentou o filho, na época com dezesseis anos incompletos, como voluntário ao exército. A rígida disciplina militar entra em choque com o espírito boêmio do rapaz.

 – Foi público e notório que o soldado 417 faltou à instrução no dia 7 e foi encontrado dormindo no alojamento de outra unidade, na manha do dia 8. Fica por isso detido durante dez dias.

Foi em Santa Maria, no salãozinho do Clube União Familiar, que Lupe cultivou seus primeiros romances. Foi ali que teve início sua história de eterno e incompreendido namoro. No Clube União Familiar, Lupe conheceu Iná, era uma mulata bonita e faceira.

Em 1935, o cabo Lupicínio deu baixa do exército e voltou para Porto Alegre com ideia fixa: conseguir um bom emprego e casar com Iná.

Teve sorte. Seu Chico conseguiu-lhe com emprego de Bedel na Faculdade de Direito da UFRGS.

Escreveu para a noiva contando a novidade e reafirmando os planos para o futuro. Tudo corria bem, mas Iná não era o único amor da vida de Lupe. Havia a música, os amigos, os bares, as serenatas… E isto gerou muitas discussões entre o casal, e Iná tomou uma decisão, rompendo o noivado.

Ela seguiu uma vida de funcionária pública e Lupicínio a boemia, o samba uma carreira vitoriosa de compositor e o grande amor fracassado. Que serviria de inspiração para a maioria de suas músicas. O rompimento com Iná coincidiu com o sucesso de (Se acaso você chegasse) e ambas as coisas levaram Lupicínio para o Rio de Janeiro em 1939, onde ficou seis meses.

– Foi a primeira vez que fui ao Rio. Eu estava muito doente e me meti com uma turma de malandros lá na Lapa. Era o Germano Augusto, o Kid Pepe, Wilson Batista, Ataulfo Alves, aquela turma que tomava mais cachaça do que água e foi aí que eu me curei.

Por lá teve alguns romancezinhos que acabava sempre num novo samba, pois a maioria das letras de Lupicínio fala de mulheres enganadoras, amores fracassados e traições.

Ora é a mulher que partiu e agora volta “Procurando em minha porta o que o mundo não lhe deu”. E Lupe apontando a cadeira vazia diante de sua mesa, concede: “Não te darei carinho nem afeto, mas pra te abrigar podes oculpar meu teto, pra te alimentar podes comer meu pão”.

Mas o amor é um só e Iná volta à sua lembrança fazendo-o exclamar: “Eu preciso esquecer a mulher que me fez tanto mal”. E se encontra com ela acompanhada de seu marido; por “Ciúme, despeito, amizade ou horror”, ele pergunta “Você sabe o que é ter um amor, meu senhor? Ter loucura por uma mulher, e depois encontrar este amor, meu senhor? Nos braços de um outro qualquer”…  (Nervos de Aço).

Lupicínio compôs marchinhas de carnaval e samba canção, músicas de muitos sentimentos, principalmente a melancolia por um amor perdido. Foi o inventor do termo Dor-de-cotovelo, que se refere à prática de quem crava os cotovelos em um balcão ou mesa de bar, pede um uísque duplo, e chora pela perda da pessoa amada.

Lupe considerava Jamelão como seu melhor intérprete. “O único que mantém integralmente o meu recado”.

Deixou centenas de canções dentre elas: Felicidade, Vingança, Ela disse-me assim, Nervos de Aço, Esses moços pobres moços, Volta, Se acaso você chegasse e tantas outras.

Se acaso você chegasse.

Se acaso você chegasse
No meu chateau e encontrasse
Aquela mulher que você gostou
Será que tinha coragem
De trocar nossa amizade
Por ela que já lhe abandonou?

Eu falo porque essa dona
Já mora no meu barraco
À beira de um regato
E de um bosque em flor
De dia me lava a roupa
De noite me beija a boca
E assim nós vamos vivendo de amor.

leo

 

 

Leo dos Monges

Botão RSB

Esta entrada foi publicada em Curiosidades Musicais. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *