Fim de Semana Cultural:
RIO ITAPACURÁ (poesia) – Por Marcone Melo

Vitória do rio Itapacurá
Só de pensar em ti faz chorar
Nas águas de tuas Lágrimas
Olhar tuas margens degradadas

Será que não dói na consciência
Não dilacera a alma,o coração
Esse descaso público,calamidade
Omissão das autoridades

O povo de braços cruzados
Olhos fechados,nem que precisasse
Outra hecatombe do rosário
Pra despertar essa gente parada

Nele brilhar,gotejar água cristalina
Seria revitalizar, renascer outra vez
Peixes voltassem à viver
Mergulhar, o prazer de nadar

Oh! meu querido Itapacurá
Tanta tristeza me dá
ao vê-lo chegar o fim
Secar tuas imensas riquezas

Nas águas que banhavam-se
Homens,crianças,aquela juventude
Que hoje faz Lembrar
Da infância no rio Itapacurá

Quantas Lembranças boas,lavadeiras viam-se lá
Naquele rio gostoso
Alívio das tardes quentes
Saudades do antigo rio Itapacurá

Onde as mães diziam
Meninos cuidado com o rio
Não sabiam elas
Que faziam profecias

Aquelas palavras que proferiram
A morte do Itapacurá
Lentamente, excrementos
Caldas nele jogaram

Olha meu povo,ele merece viver
Deixar à vida florescer
Esperança de nossa força
Esse sonho com vontade realizar

Vê o Itapacurá de novo
Ser o gigante da terra das tabocas
Nele pescar e brincar
Saciar a sede do povo

Sede de justiça
Vê o rio Itapacurá ser orgulho vitoriense
Na terra de gente brava é covardia
Não lutar pelo Itapcurá

É o que toda gente sente a falta de mergulhar
No rio Itapacurá nele abrirá
Inconsciente coletivo à clarear
As pedras falantes de seu leito

A beira do Itapacurá
Em noite de luz da lua cheia
Quantos casais foram namorar
Quantos beijos dados lá

Quantas histórias desse rio Itapacurá
Existe pra contar
Mas o que hoje importa
É o Itapacurá salvar.

Marcone Melo – É poeta vitoriense.

Você também é escritor, poeta ou compositor vitoriense? Envie o seu texto para ser publicado no fim de semana cultural. E-mail: contato@blogdopilako.com.br

8 pensou em “Fim de Semana Cultural:
RIO ITAPACURÁ (poesia) – Por Marcone Melo

    • aí vai a explicação da palavra correta Itapacurá,matéria da revista fragmentos.Tapacurá, ou Itapacurá?
      Esta foto é do rio em discussão e foi tirada por Hélder Sóstenes. Num extenso e-mail, Melício de Oliveira me remete matéria feita pelo escritor e historiador vitoriense André Fontes sobre as condições do rio e a polêmica sobre seu nome. Vamos resumir, em tempo de preguiça mental, para que o internauta mais curioso absorva o objetivo da pesquisa.
      Responsável pelo abastecimento de aproximadamente 1.5 milhão de pessoas no Grande Recife, o rio Tapacurá tem suas nascentes na Serra das Russas, onde num capricho da natureza duas vertentes, em Chã Grande e Pombos, formam um rio de 72 km de extensão, passando também por Vitória de Santo Antão e São Lourenço da Mata. Ao longo dos anos, a falta de infra-estrutura necessária para absorver o crescimento das cidades que margeiam o rio, vem transformando o Tapacurá em um esgoto.
      O nome Itapacurá, é de origem indígena, e faz referência às muitas pedras existentes no leito do rio que afunilam o fluxo de suas águas.
      “Tapacurá não existe. Nos dicionários da língua Tupi-Guarani não existe essa grafia, mas sim Itapacurá. Durante meus estudos descobri o seguinte:
      que I (substantivo) é rio, água;
      ITÁ (substantivo) é pedra;
      PA (substantivo) é espaço;
      CURA (verbo) é tampar, fechar.
      Fazendo a aglutinação das palavras indígenas teremos: I (rio) + ITA (pedra) + PA (local) + CURA (fechar, tampar), ou seja, Itapacurá”, afirma o historiador.
      Na pior das hipóteses, com esta supressão, a palavra TAPACURÁ significaria “pedra tampada” ou “pedra que tampa”; a função de rio estaria condenada.
      Postado por Sosígenes Bittencourt às 12:28

  1. não existe em nenhum livro conhecido “editado” que tenha sido lido por algum vitoriense a grafia “ita”, mas apenas “ta”pacurá.
    A questão é: se se pesquisar nos últimos 50 anos a grafia é sem o “i”.
    Portanto, o costume, a prática consagrou apenas Tapacurá!

    • Viver dentro de costumes e práticas consagradas em erros. mesmo que seja de grafia e pronuncias,é viver dentro de tradições e limitações.é obrigação nossa informar as novas gerações a descoberta da palavra correta indígena Itapacurá.pois “Tapacurá”não existe nos dicionários tupi-guarani,segundo palavra de um historiador vitoriense.é fato lembrar que no guia eleitoral das eleições em vitória foi apresentada proposta de revitalização do Rio Itapacurá pelo candidato do PT.não foi dito Tapacurá.esse blog já postou várias matérias com o título Itapacurá. Povo precisa saber o uso correto desse importante Rio,isso é cultura.mas qualquer pessoa tem o direito de pronunciar o nome do Rio da maneira que achar melhor.estamos apenas querendo informar a origem da palavra indígena Itapacurá.

  2. Poluir o meio ambiente é uma forma de lambuzar-se.
    O homem não destrói o mundo, nem o mundo destrói o homem, o homem destrói o homem. O homem não tem o poder de acabar com o mundo, o homem tem o poder de acabar com a humanidade. Não acabou ainda, porque a humanidade não deixa. O mundo não precisa do homem para sobreviver, o homem é que precisa do mundo para sobreviver.
    O homem é um eterno equivocado. Mora num apartamento por cobertura, com receio de ser assassinado pelos pedreiros, e pensa que é rico.
    O homem polui o meio ambiente para enricar. Depois, sua riqueza não serve para curar sua falta de ar.
    Tem jeito?

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