Fim de Semana Cultural: Vitória (poesia) – Por Nestor de Holanda

Vitória!
Você está tão longe de parecer o que é!
Vitória!
você que foi tudo para mim,
que já foi minha
que já foi o meu mundo,
o meu mundo onde fui rei,
rei do bodoque,
sujo,
descalçado,
em correrias pelas ruas calçadas estreitas e tortuosas
em carros de caixão!
Vitória!
você está bem longe de parecer o que é!

Aquela que eu deixei,
deixei para rever nas páginas da História-Pátria.
Para rever,
sim,
para rever
mas outra Vitória que não era a minha.
(a minha que eu deixei sempre atraz daquela montanha!)
Era uma Vitória sem apitos de trem,
sem moleques de ruas,
sem estalos de relhos
sem o gemido dos carros de bois
sem o grito dos matutos

Uma Vitória evocada por um professor carrancudo,
com personalidade de saliência no cenário da História
onde estava sendo representado aquele drama fantástico.

E era Vitória.
Era a Vitória da História.
Da História que m’a mostrou sem tudo quanto nela eu via.

Uma Vitória sem nada,
Uma Vitória sem mim.

Vitória!
Você está bem longe de parecer o que é,
Vitória,
porque lhe tenha na memória!

Nestor de Holanda é poeta e escritor vitoriense.

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