Castração: uma alternativa para reduzir o número de animais nas ruas

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Cuidar dos animais é uma questão de saúde pública, pois a população pode ser acometida por diversos problemas ocasionados por cães e gatos que vivem nas ruas. Investir em saúde pública, através do controle populacional de cães e gatos e combate à zoonoses, proporciona economia considerável no tratamento da saúde das pessoas. Segundo o Deputado Federal Ricardo Izar, “para cada R$ 1,00 investido no controle populacional, no combate a zoonoses, no tratamento de doenças e em campanhas de esterilização, entre outros, R$ 27,00 deixam de ser gastos com o tratamento em humanos”.

Um dos caminhos para isso é a castração, uma ação ainda cercada por muitas dúvidas e, de certa forma, por receios e preconceitos. Para mostrar que este é um método seguro e eficiente no controle de zoonoses, respondemos abaixo a algumas dúvidas comuns entre tutores dos animais.

Por que castrar é importante no controle de animais?

A superpopulação de cães e gatos abandonados nas ruas é um problema mundial. Estima-se que 75% da população de cães no mundo esteja nas ruas. O gerenciamento dessa população é um problema em muitas partes do mundo e tem sérias implicações para a saúde pública e o bem-estar animal. A única maneira eficaz de alterar esta situação é a castração dos animais. E um proprietário responsável tem o dever de impedir a reprodução descontrolada de seu animal. Segundo a WSPA, organização mundial de proteção animal, uma cadela em seis anos de vida reprodutiva pode gerar 100 descendentes, enquanto que uma gata em dois anos pode gerar 200 descendentes!

Além de promover o controle de natalidade, a castração também evita problemas de saúde nos animais. Nas cadelas, por exemplo, o risco de câncer de mama é reduzido quando elas são esterilizadas antes do primeiro cio. O procedimento também acaba com o risco de piometra, uma infecção uterina grave que costuma acometer cadelas com mais de cinco anos. Já nas gatas, a ocorrência de tumor de mama é sete vezes maior em fêmeas não castradas do que naquelas castradas. Além dos tumores de mama, a castração precoce previne quase todos os outros tumores relacionados ao sistema reprodutor, tanto em machos quanto em fêmeas.

A castração nos machos ainda evita a demarcação territorial (urinar por todos os cantos), as fugas atrás de cadelas no cio, além de evitar que o animal fique “agarrando” nas pernas das pessoas em uma tentativa frustrada de acasalar.

É importante, destacarmos também a responsabilidade da população no processo de posse responsável,  uma vez que o aumento do número de animais nas ruas, decorre também da procriação de animais domésticos que na maioria das vezes são abandonados pelos próprios donos na vias públicas. Vale destacar que a Lei Federal nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, em seu artigo 32 estabelece: “praticar ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos” tem como consequência a pena de detenção, de três meses a um ano, e multa. O abandono também é considerado maus tratos porque expõe os animais domésticos ao desamparo, submetendo-o ao sofrimento, já que são seres que dependem do ser humano para terem uma vida digna.

Em que consiste a castração? A partir de que idade pode castrar?

A castração é um método cirúrgico que consiste na retirada do útero e ovários da fêmea e dos testículos do macho, impedindo assim a procriação. É um procedimento considerado seguro quando realizado por um médico veterinário experiente. O pós-operatório exige observação do animal, até completa cicatrização e retirada dos pontos. Nas fêmeas, o ideal é que a cirurgia seja feita antes do primeiro cio (em média aos 6 meses) e nos machos até os 10 meses, no entanto, animais adultos também devem ser castrados. Diferente da esterilização cirúrgica, outros métodos contraceptivos como administração de anticoncepcionais injetáveis vêm se mostrando em longo prazo um fator que predispõe a doenças no trato reprodutivo de fêmeas.

Quais animais podem ser castrados?

Os animais domésticos, como cães e gatos podem e devem ser castrados para evitar a superpopulação de animais.

Muda o temperamento do animal?

Ao contrário do que se imagina, animais castrados não ficam mais preguiçosos ou lentos. O animal só ficará mais apático se ganhar muito peso. À medida que ele envelhece, fica menos ativo e, muitas vezes, associamos este fato à castração.

O animal engorda após a castração?

Os animais têm tendência a ficar obesos por excesso de alimentação, e não por causa da castração. Se o tutor limitar a quantidade de alimentação fornecida ao seu animal, ele permanecerá com o peso ideal e saudável.

A castração se apresenta como uma alternativa eficaz no controle da população de cães e gatos, pois colabora com a redução da natalidade sem transgredir os direitos e bem-estar do animal. É essencial o apoio do Estado, em todos os níveis, na implantação ou manutenção de programas permanentes para o controle reprodutivo de animais urbanos, sejam errantes ou pertencentes a famílias carentes. Lembramos que a função de recolher, castrar, acolher e dar assistência a animais abandonados deveria ser de responsabilidade do estado, conforme Decreto 24.645/34 diz, em seu artigo 1° e 2º (parágrafo 3°):

  1. “Todos os animais existentes no País são tutelados pelo Estado”.

No município de Vitória de Santo Antão, ainda não existe uma secretaria ou órgão equivalente que preste assistência médico veterinária ou ainda realize o controle populacional através da castração cirúrgica, por isso, é cada vez maior o número de animais abandonados, que se reproduzem sem qualquer controle e vêm sofrendo todo tipo de maus-tratos, desde a fome, a sede e o acometimento de diversos males, que causam dor e sofrimento, como atropelamentos e atos de violência por parte das pessoas da cidade.

A população deve se mobilizar e reivindicar junto aos órgãos governamentais, políticas públicas efetivas que estabeleçam programas de castração em massa e atendimento veterinário gratuito para o município de Vitória de Santo Antão. As pessoas interessadas em participar de algum grupo de mobilização em defesa dos animais podem procurar o Corrente pelo Bem dos Animais ou o Movimento de Amigos Protetores dos Animais 

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