Entre as nuvens, abrigam-se as constelações.
Armas, soldados, ira, canhões…
O invisível duelo da noite contra o dia vai recomeçar.
Um sorriso macabro ecoa pelos ares.
Dragões alados sobrevoam os mares.
Velhos ogros, bestas infernais,
Batalhões de feras, feridas carnais…
Chamas que destroem todos os caminhos:
Montes, matas, troncos, caules, espinhos.
Marcas de aflição, sombras, seiva escorrendo…
Clama-se por socorro! Tudo está morrendo!
Como em câmera lenta, os cenários se apagam,
Flores murcham, folhas secam, vozes se calam.
Com cinzas espalhadas e de silêncio revestida,
A escuridão se arrasta tímida, encolhida.
Então, raios de sol trazem o milagre divino
Anunciado por um fio de fumaça ainda pequenino.
E começa a desenhar novas histórias, novas ilusões,
Revivendo os seres, purificando corações.
Deslizando pelo ar, levado suavemente pela brisa
Multiplica-se e espalha a paz que ele avisa.
“Vermelho” de fogo, que outrora foi sofrimento
Dá lugar à chama de outro forte sentimento:
O fogo da paixão, que nos aquece e nos guia;
Que nos alimenta; fonte de toda energia.
E numa fração de segundos, o mundo volta ao normal.
Nenhuma lembrança fica: nenhum sinal.
A rubra noite passada agora repousa esquecida
Aguardando amargurada e ressentida,
Uma nova oportunidade de reaparecer,
Mesmo sabendo que jamais vai vencer.
Rosângela Martins é Poeta vitoriense.
(do Supermercado Vitória.)
**Poema inspirado nas fotos do vitoriense Marcus Prado

