Celinho: os pais nunca deveriam sepultar os filhos…..

De início, há mais ou menos um ano e meio, originária do outro lado do mundo, apenas uma notícia como tantas outras. Em pouco tempo,  o primeiro caso no Brasil. Ainda sem entendermos nada, fomos obrigados a seguir normativos estranhos ao qual nunca antes havíamos imaginado. À constatação de que em nossa “aldeia”  o inimigo invisível vencia o primeiro confronto,   apenas reforçou  a tese de que estamos todos vulneráveis  também.

A morte por COVID-19 de uma pessoa muita próxima  é algo angustiante. História como tantas outras. Pessoa ativa, em plena atividade que se contagia em circunstância alheias e, após os primeiros diagnósticos e tratamento,  adentra uma unidade de saúde com suas próprias pernas e ainda por cima  reclamando de que não precisa,  porque está bem.

Poderíamos dizer que  o último capitulo da breve existência física  de Celinho (Célio Meira Bisneto), que acaba de nos deixar com apenas quatro décadas de vida (o8 de março de 1981), foi parecido com tantos outros dos seres humanos que também foram dragados por essa pandemia. Mas, para cada um que partiu, o sopro de vida que lhe foi ofertado pelo criador foi único e intenso.

Celinho deixa esposa, filha, pai, mãe, irmão e irmãs, demais parentes e um conjunto de pessoas que enxergava nele uma pessoa amiga, produtiva e brincalhona. De sorriso fácil e ao mesmo tempo de mau humor inesperado, Celinho escreveu sua própria história. Desde muito novo abraçou um mundo que se descortina novo e infinito, ou seja, o contexto digital. Em várias ocasiões, disse-me ele: “tio, esqueça caneta e papel. O mundo agora é outro”.

Se podemos dizer que existe uma espécie de pedagogia na morte, no sentido do ensinamento aos vivos, diria que a morte de uma pessoa muito próxima ensina muito mais. Nesse inesperado ocorrido  deve-se constar  pelo menos  uma lógica  invertida ao mundo dos vivos: os pais nunca deveriam sepultar os filhos…..

Esta entrada foi publicada em A Lupa. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

2 respostas a Celinho: os pais nunca deveriam sepultar os filhos…..

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *